Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Feliz ano novo, adeus ano duro

Janeiro de 2017

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

Luís de Camões

A BREM-SE AS cortinas de 2017, depois de um dos piores anos vividos pelo Brasil. Com todos os indicadores econômicos muito negativos – com exceção das reservas do País –, ressaltam-se um cavalar índice de desemprego e uma tremenda crise de confiança.

A sociedade apoiou o impeachment da presidente Dilma, mesmo sabendo que seu vice seguiria no comando com os donos do poder de antes. Isso dá a dimensão do estrago efetivado por essa irresponsabilidade ideológica da chamada nova matriz econômica.

O governo Temer assume com o diagnóstico de grave problema fiscal e consegue aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos públicos. Ao mesmo tempo, apresenta como alternativa ao Congresso a reforma da previdência. Os dois, juntos, podem dar uma perspectiva de recuperação à economia com baixo impacto em 2017 e efeitos de fato a partir de 2018.

Assistimos à evolução de uma crise política e econômica sem saber qual dos dois aspectos era mais grave.

Como uma variável viva, relevante e intimidadora, a operação Lava-Jato representa a limpeza ética do País, derrubando lideranças viciadas em corrupção entre o público e o privado e não dando trégua aos políticos. O ambiente político torna-se mais desafiador, com acusações entre o Legislativo e o Judiciário e com o Executivo rodeado de cabeças a prêmio.

A delação com 77 pessoas entregando fatos – talvez nem tanto provas – recoloca o juiz de primeira instância de Curitiba como algoz para políticos e herói para o povo. Trata-se de algo sem referência na história brasileira.

Partidos de esquerda atordoados lançam “exércitos” às ruas, com siglas das mais variadas e motivos desvinculados da realidade. Pequena, a direita produz barulho à altura do colocado do outro lado.

No meio dessa tempestade, o mundo toma decisões protecionistas e elege mandatários com discursos radicais, até mesmo em um país como os Estados Unidos.

Já o agronegócio brasileiro viveu a recuperação de algumas cadeias produtivas, como as de laranja, cana e café, mas viu seca e menor oferta na soja e no milho 2ª safra, com a subida dos preços das carnes. A recessão reduziu o consumo de carne bovina e alimentos mais sofisticados, assim como de combustíveis líquidos. Mesmo assim, o agronegócio brasileiro mostrará uma balança comercial com superávit na casa de US$ 70 bilhões, empregando e apoiando as mudanças políticas de 2016.

Deve ser salientado o belo trabalho da imagem setorial na mídia com a valorização do agro, que representa a grande vocação brasileira.

Sem acordos comerciais, os produtores rurais seguem enfrentando riscos. Boa parte deles apresenta um passivo assustador, derivado, majoritariamente, dos absurdos cometidos pelos governos do PT e pelos seus aliados.

Há uma expectativa de incertezas, mas não de riscos, pois riscos é possível medir!

Em 2017, o aumento dos juros nos EUA pode reduzir preços de algumas commodities. Essas incertezas convertem-se em angústias para serem exploradas por aqueles com a corda no pescoço, buscando saídas ao seu destino, mesmo que contra o Brasil.

Que Deus olhe por nós e o presidente Temer se desvencilhe das amarras que o envolvem.