Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Tecnologia

A revolução digital no campo

Janeiro de 2017

NESSE MOMENTO de incerteza, em que continuamos enfrentando graves problemas políticos, econômicos e sociais e colocando à prova nossa democracia, nossas instituições e, até mesmo, o equilíbrio e a independência dos poderes constituídos, é o agronegócio que mostra a sua força, contribuindo para amenizar a crise e lançar sementes de esperança.

Da Revolução Verde à tropicalização da nossa agricultura, as inovações permitiram a transição do setor para um elevado patamar de produção, calcado em ganhos crescentes de produtividade, pois de 70% a 80% desse resultado devem-se à eficiência e ao progresso técnico, conforme demonstram os estudos sobre a Produtividade Total dos Fatores (PTF). E é justamente a capacidade de obter ganhos contínuos de produtividade que tem distinguido o setor do restante da economia brasileira.

A tecnologia digital dará impulso a esse processo, imprimindo uma nova fase de modernização para a agropecuária mundial, visando aumentar a eficiência produtiva, racionalizar o uso dos recursos naturais e garantir menor custo por hectare, a fim de atender as demandas globais por alimentos, fibras e energia, em razão do crescimento populacional e econômico.

O Brasil está comprometido com o desafio de aumentar seu potencial produtivo, com maior qualidade e sustentabilidade. Soluções inovadoras, baseadas em análise de dados (big data), agricultura de precisão, mapeamento, sensoriamento remoto, automação e robótica, estão sendo desenvolvidas por empresas de pesquisa agropecuária, grandes companhias do agronegócio, empresas de tecnologia e start-ups (empreendedores digitais), sendo que muitas destas soluções já fazem parte do dia a dia de muitos produtores brasileiros, nas telas de computadores, tablets e smartphones, ampliando o seu horizonte de atuação.

Algumas dessas experiências e tendências de mercado foram debatidas por especialistas, empreendedores e lideranças do setor no Summit Agronegócio Brasil 2016, evento realizado pela FAESP e pelo Estadão sob o slogan “Quem planta ideias colhe oportunidades”. No evento, ficou evidente o potencial da agricultura digital, cujas inovações irão revolucionar o campo ao permitir maior embasamento, precisão e eficiência nas tomadas de decisão do produtor rural.

A efetividade desse movimento exigirá, no entanto, a adaptação das soluções e das tecnologias à realidade dos produtores, pois, tradicionalmente, há dificuldade de se transporem e implementarem inovações em larga escala no campo, devido às restrições educacionais, culturais, geográficas, econômicas e de infraestrutura.

Entretanto, lembramos que, há sessenta anos, os desafios da agricultura também eram imensos, mas apoiamos firmemente a agricultura e lançamos literalmente o agronegócio, ao estruturarmos e implantarmos políticas e programas que conectaram os setores e resultaram na fundação do hoje consagrado agronegócio, verdadeiro patrimônio nacional, que orgulha a todos nós brasileiros.

Deste modo, para que o agronegócio permaneça trilhando o caminho do sucesso, é preciso fomentar políticas integradas que mitiguem os riscos do setor, garantam renda e facilitem os investimentos, principalmente em tecnologia digital. Com políticas adequadas e consistentes, o empreendedorismo nato do campo incumbir-se-á de manter nossa agricultura na vanguarda do conhecimento e do desenvolvimento sustentável.