Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Mercado do milho

Expectativas de boa rentabilidade para 2016/17

Janeiro de 2017

PARA O agricultor, o momento atual, de preços mais firmes e em alta em algumas praças, pode ser uma oportunidade para fechar negócios com a produção de 2016/17, já que, para o longo prazo, o esperado são preços menores, com o peso do aumento da produção e maior disponibilidade interna. Vale a pena ficar de olho no câmbio, pois o dólar pode, pontualmente, mexer com as exportações brasileiras e oferecer oportunidades de comercialização da produção. Até a colheita brasileira começar, há muita água para rolar.

Os preços do milho firmaram-se no final de 2016, e esse deverá ser o tom do mercado durante este mês. Na região de Campinas, no estado de São Paulo, a saca de 60 quilos fechou cotada em R$ 38,50 na primeira quinzena, considerando o produto para a entrega imediata, sem o frete. Esse patamar pode ser o piso de preços na temporada.

Até a colheita do milho 1ª safra ou safra de verão 2016/17, a expectativa é de preços firmes. Além dos estoques reduzidos, espera-se uma retomada da demanda nos primeiros meses de 2017. Com relação aos vendedores, por ora existe resistência a preços mais baixos.

Apesar do mercado firme no curto prazo, não se deve surpreender com movimentos de altas nas cotações. Porém, o baixo volume de operações, a exportação em ritmo lento e a expectativa de aumento da produção são fatores limitantes para esses aumentos.

Mercado do milho

No mercado futuro, os contratos de milho com vencimentos em janeiro de 2017 e março 2017 mostraram-se mais firmes em dezembro, com altas de preços refletindo as questões de resistência do lado vendedor (pontual) e da pequena disponibilidade interna até a colheita da safra de verão. Já os contratos com vencimentos em maio de 2017 e setembro 2017 ficaram mais frouxos, refletindo a expectativa de uma segunda safra boa.

Diante da expectativa de uma safra 2016/17 cheia (primeira e segunda safras), a tendência de preços é de queda em meados do primeiro trimestre, com a pressão de baixa ganhando força no final do primeiro semestre de 2017. No entanto, pontualmente alguns fatores podem mexer com o mercado brasileiro, dando sustentação às cotações. Dentre eles, destacamos o dólar, firme em relação ao real, que pode interferir na exportação no primeiro trimestre de 2017, com o avanço da colheita da primeira safra. Neste momento, as exportações brasileiras de milho grão estão estimadas em 24,0 milhões de toneladas, frente a 18,0 milhões de toneladas embarcados na safra 2015/16.

Outro ponto de incerteza é com relação à demanda interna, principalmente pelos setores de aves e suínos. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (SINDIRAÇÕES), a produção de ração deverá aumentar: estão previstos 69,0 milhões de toneladas em 2017, frente aos 66,8 milhões de toneladas produzidos em 2016.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o consumo doméstico de milho será de 56,50 milhões de toneladas em 2016/17, frente a 51,30 milhões de toneladas demandados em 2015/16.

RESULTADOS DO MILHO 2a SAFRA

Apesar da expectativa de preços menores, o resultado econômico da produção de milho deverá ser melhor do que na temporada anterior. Considerando a segunda safra (safra de inverno), além da queda nos custos de produção – com destaque para o recuo de preços dos adubos na temporada –, a expectativa é de uma melhora substancial na produtividade média, devido ao clima mais favorável.

Mercado do milho

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), os custos de produção caíram 14,2% em 2016/17, frente a 2015/16, enquanto o rendimento médio deverá ser 27,2% maior. Com base no capital médio (capital imobilizado em maquinários, benfeitorias e terra), estima-se uma rentabilidade de 1,5% no Mato Grosso, frente a rentabilidade negativa de 4,1% no ciclo que se encerrou. O lucro está estimado em R$ 187,74 por hectare de milho 2ª safra no estado.