Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Esperando 2018

Janeiro de 2018

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

Não falemos mal, então, dos nossos dias, não são melhores nem piores
do que os que vieram antes.

Samuel Beckett

COMEÇANDO 2018, o olhar de proa dos brasileiros é de sentimentos misturados. Os índices de recuperação da economia brasileira são claros, mesmo que lentos. Com a demonstração de queda expressiva da inflação e dos juros e redução do desemprego, o governo de transição conseguiu, também, a aprovação da nova lei trabalhista e outras questões importantes. Por outro lado, denúncias formais e um elevado índice de rejeição deste governo em nada ajudaram na pretendida recuperação mais rápida da economia brasileira.

Despertamos para um Ano Novo com extrema importância para o processo de desenvolvimento do Brasil, travado e arrebentado pelo populismo do governo petista e pelas suas experiências heterodoxas com a economia brasileira.

Todas as análises indicam o quão tênue é a recuperação da economia brasileira sem as reformas essenciais nas causas geradoras do chamado custo Brasil. Sem reformas na previdência e ajustes profundos no campo tributário, teremos o continuísmo de um crescimento medíocre da economia brasileira, mesmo que eventualmente se tenha um presidente eleito em 2018 em boas condições para dar sequência aos esforços de colocar novamente o País nos trilhos do desenvolvimento.

A realidade internacional é favorável ao Brasil. O mundo desenvolvido segue crescendo, havendo liquidez no mercado global. Caso o País tenha recuperação dos índices de confiança dos diversos setores, incluída a sua imagem externa, as possibilidades de receber recursos externos em grande volume são, de fato, muito boas.

Os sinais positivos de vários setores da economia nacional são animadores. Mesmo a indústria, após anos de índices negativos, mostra clara recuperação, assim como a Petrobras, por exemplo.

O que nos reserva este ano de 2018? Primeiramente, a chance de um Produto Interno Bruto (PIB) com crescimento acima de 3%. Tão importante quanto isso, há a valorização das empresas de energia, devido aos preços em patamares mais elevados com a nova política realista da Petrobras e o seu claro movimento na linha da privatização. Se os preços mais elevados do petróleo puxarem os preços das commodities agrícolas, pode-se ter um crescimento ainda maior do PIB.

Em segundo lugar, tem-se a corrida presidencial. Esta questão, que ainda assusta os analistas, dependerá de muitos fatores: o que fará a Justiça brasileira com os candidatos ficha-suja, que esperam julgamento; como o povo brasileiro entenderá candidaturas mais radicais; e como será, também, o seu comportamento para votar em políticas atuais de centro. A importância do que acontecerá em outubro próximo é monumental. Afinal, as eleições serão gerais e deverão substituir também um Congresso desequilibrado e sem o respeito necessário da população brasileira.

Por último, de novo, destacam-se as boas expectativas para a safra brasileira de grãos.

O que nos atormenta? Iniciamos este artigo utilizando uma frase de Beckett em sua obra “Esperando Godot”. São dois personagens principais, supostamente amigos, que dialogam sob uma árvore de galhos secos e estão à espera de Godot. A espera por 2018 para nós, brasileiros, é vista nos diálogos improváveis nas campanhas políticas que virão e que trarão personagens confusos, com pouco interesse no futuro. Estamos, enfim, esperando Godot, que não virá.