Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Boi gordo

Expectativas para o mercado em 2018

Janeiro de 2018

A OFERTA de boiadas na próxima safra deverá pressionar as cotações, principalmente na desova de final de safra, que, normalmente, ocorre entre abril e maio. Com isso, buscar opções de venda ou ferramentas para a trava de preços da arroba é fundamental, principalmente em um ano de incertezas e questões, como as eleições, que podem se refletir em diversos fatores (câmbio, demanda, entre outros). Convém considerar o valor da tranquilidade do pecuarista para focar na produção frente ao custo do seguro de preços.

O preço da arroba do boi gordo caiu 9,3%, enquanto o bezerro recuou 15,5% na praça de Barretos-SP em 2017, em relação ao ano anterior, em valores reais. Para 2018, espera-se uma valorização do boi gordo, contudo ela se dará abaixo da inflação.

Quando em comparação a 2017, no primeiro semestre deste ano, deverá ser observada uma maior oferta de fêmeas e, também, de machos. Este último aumento é motivado tanto pela fase do ciclo, como pelo cenário pouco atrativo do confinamento em boa parte de 2017, o que limitou a entrada do gado no cocho. A tendência é que esses animais cheguem ao mercado entre abril e maio próximos, no final da safra.

No caso das fêmeas, esse incremento na venda de vacas e novilhas ocorre pelo desinteresse na atividade, pouco atrativa em fases de baixa e voltada para a geração de caixa para fechar as contas da propriedade.

Boi gordo

Assim, neste ano, a oferta maior de animais para abate, os atrasos nas chuvas concentrando o gado de pasto e, ainda, alguma parcela a mais de boiadas não confinadas no ano passado são fatores de baixa para os preços da arroba do boi gordo no primeiro semestre.

Com a expectativa de uma oferta maior de animais para abate e, consequentemente, de carne, as atenções voltam-se à demanda.

O cenário econômico, embora ainda dependente de ajustes, tem dado sinais positivos. Devemos ter um consumo interno melhor de carne bovina, mas sem a certeza de que este fato segurará as pontas de uma oferta provavelmente maior.

Ainda com relação à demanda, mas, nesse caso, para exportação, espera-se um aumento nos embarques nacionais de carne bovina neste ano, com o aumento no abate de fêmeas e mais carne produzida no País. A questão cambial e a retomada das vendas de carne bovina para os Estados Unidos e a Rússia também poderão ajudar nas exportações brasileiras.

Diante desse cenário de oferta e demanda, para este ano estima-se uma valorização entre 2,0% e 3,0% para a arroba do boi gordo, frente a 2017. Ou seja, uma valorização menor do que a inflação projetada para o País, na casa de 4,0%. Isso significa que devemos ter um ano de desvalorização real da arroba do boi gordo.

Considerando o preço médio em 2017, de R$ 141,23 por arroba de boi gordo, à vista, livre de FUNRURAL, em Barretos-SP, a projeção é de um valor próximo de R$ 145,00 por arroba, nesta praça, na média de 2018.

Para os anos seguintes, considerando uma provável redução da oferta de bovinos para reposição, gerando preços mais atrativos e retenção de fêmeas, o cenário deverá ser de preços mais firmes e valorizações maiores para o boi gordo.