Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

O Plano ABC Paulista

Outubro de 2016

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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O GOVERNO do estado de São Paulo lançou o Plano Estadual de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC-SP) no dia 29 de agosto, na sede da nossa Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).

Dada a transversalidade do tema, a construção do Plano ABC em São Paulo foi capitaneada pela SAA em parceria com as Secretarias Estaduais do Meio Ambiente, de Saneamento e Recursos Hídricos, de Energia e Mineração, da Justiça e da Defesa da Cidadania, em diálogo com o governo federal por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e com a participação de diversas entidades e estudiosos do tema.

A iniciativa já começa a ser executada no estado para encararmos a realidade das mudanças climáticas, a necessidade de se conciliar a conservação do meio ambiente com o imperativo aumento de produtividade. O governo do estado não apenas cobrará essa implantação, como também está oferecendo ferramentas para que o Plano seja desenvolvido e dê os resultados esperados.

Bom exemplo é o conjunto de dez linhas de financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) do governo estadual. Juntas, somam cerca de R$ 20 milhões disponíveis para o homem do campo executar as ações previstas, como recuperação de áreas degradadas por erosões, integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), nascentes e matas ciliares, plantio direto na palha, floresta, sementes e mudas, pecuária de leite e desenvolvimento regional sustentável.

O Plano nacional prevê ações como: recuperar 15,0 milhões de hectares de pastagens degradadas por meio do manejo adequado e adubação; aumentar a adoção de sistemas de iLPF e de sistemas agroflorestais (SAFs) em 4,0 milhões de hectares; ampliar a utilização do Sistema Plantio Direto (SPD) em 8,0 milhões de hectares; e ampliar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em 5,5 milhões de hectares.

A fase estadual prevê o aumento de sistemas de plantio direto e de cultivo reduzido em 1 milhão de hectares, estimando uma redução de 2,25 milhões de toneladas de CO2 equivalente, e o aumento de áreas com FBN em 800 mil hectares, prevendo uma redução de 1,45 milhão de toneladas de CO2 equivalente.

Preconiza, também, o incremento na área de florestas plantadas da ordem de 50 mil hectares por ano, totalizando, até 2020, 200 mil hectares; o aumento de áreas com iLPF em 200 mil hectares, estimando uma redução de 1,00 milhão de toneladas de CO2 equivalente; e a recuperação de 6,1 milhões de hectares de pastagens degradadas ou em início de degradação.

Lançado em julho de 2010, o Plano ABC nacional investiu R$ 13,2 bilhões em um total de 28,5 mil contratos com produtores rurais, que abrangem 6,8 milhões de hectares em todo o Brasil. O orçamento do Programa sofreu uma diminuição, e isso precisa ser recuperado!

O homem do campo quer participar da conservação do meio ambiente, mantém fatores de produtividade como o solo e a água e conserva a biodiversidade, que é fonte inesgotável de aprendizado e inovação. Por isso, conta conosco para uma agricultura harmônica com a natureza. Chegou a hora do Plano ABC paulista.