Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Recuperação no crescimento econômico?

Outubro de 2016

OS PRÓXIMOS dois meses mostrarão se o governo Temer terá o apoio do Congresso para aprovar as reformas necessárias ou se perderá a credibilidade recuperada após a saída da presidente Dilma Rousseff. A Agroanalysis acredita que boa parte das medidas será aprovada com pequenas alterações e que a tão necessária reforma da previdência será encaminhada para apreciação. O ministro Henrique Meirelles parece ter entrado no jogo com as garantias dadas pelo presidente Temer sobre a aprovação das reformas. Desta forma, a tendência para os próximos meses continua a ser de inflação em queda, com o dólar entre R$ 3,15 e R$ 3,40 e a Selic decrescendo.

Como conseguiu restabelecer relações funcionais com o Congresso, o novo governo trouxe a clara percepção de melhora da governabilidade. Ao mesmo tempo, com o redirecionamento da orientação de política econômica para diretrizes essenciais de reconstrução dos fundamentos macroeconômicos, houve uma contribuição para a melhora do humor dos agentes econômicos. O ponto central nesse processo é saber se esse otimismo sustentará uma retomada da atividade econômica no médio prazo.

No caso brasileiro, o profundo desajuste das contas públicas inviabiliza a utilização dos instrumentos de política fiscal para estimular a demanda agregada e a produção. Do lado da política monetária, as limitações em termos de estímulos também são grandes: a inflação elevada não permite ao Banco Central promover uma política monetária expansionista, via corte da taxa de juros, para estimular o consumo e os investimentos. Já a taxa de câmbio no patamar atual, considerada baixa, representa um elemento importante que desestimula a demanda pelo canal do setor externo. Por isso, as exportações brasileiras seguem virtualmente estagnadas.

Mesmo assim, a competitividade do Brasil no agronegócio mundial é observada em vários mercados de commodities, com posição de destaque na produção e na exportação de diversos produtos agroalimentares. No caso da balança comercial de leite e derivados, no entanto, a situação é de fraca competitividade, decorrente do custo Brasil, devido às estradas rurais precárias, aos altos encargos trabalhistas, à baixa produtividade da mão de obra e ao elevado custo da energia elétrica. A fraca capacidade produtiva das vacas e a fragmentação da estrutura de produção também aumentam os custos, tornando a efetivação da inserção internacional cada vez mais distante.

Neste ano, a menor disponibilidade de matéria-prima (leite cru) em comparação com 2015 puxou para cima os preços do leite e de derivados no primeiro semestre. Neste momento, com o final do período de entressafra, há a tradicional retomada da produção nas bacias leiteiras. Por isso, os preços normalmente tendem a cair no quarto trimestre. No caso do leite longa vida, a elevação expressiva dos preços provocou queda no consumo varejista, com os industriais tendo de acumular estoques. Esse fato deve pressionar ainda mais o mercado para baixo.

As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) incialmente apontavam para um recorde na produção brasileira de grãos para a safra 2015/16. Este cenário teve completa reversão com a evolução das lavouras. As estiagens provocaram severas quebras na região Centro-Oeste. Com isso, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) reduziu as suas projeções de embarque para 2016 de 57 milhões de toneladas para 54 milhões, ainda assim estabelecendo um novo recorde.

Na pesquisa e na inovação, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), junto com outros institutos e universidades, realiza esforços para disponibilizar conhecimentos, informações e tecnologias para planos do governo federal e os agricultores. Estas ações visam à sustentabilidade econômica, social e ambiental dos sistemas de produção agropecuária. No MAPITOBA (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), dentre as atividades desenvolvidas, destacam-se aquelas relacionadas com a geotecnologia, que englobam os sistemas de informações geográficas (SIG), os sistemas de posicionamento global (GPS) e o sensoriamento remoto por meio de imagens de satélite.

No estado do Tocantins, as diversas cadeias de valor do agronegócio atuam de forma sinérgica, como a de grãos e a de cana-de-açúcar. Com as aglomerações setoriais existentes, a presença de fornecedores de insumos e serviços, a disponibilidade de mão de obra, a existência – e investimentos em curso – de infraestrutura logística e o ambiente favorável à busca e à disseminação de inovações tecnológicas criam cenário benéfico para o aproveitamento de todas as oportunidades oferecidas pelo estado.

Para finalizar, celebrado em mais de 150 países, o Dia Mundial da Alimentação – 16 de outubro – marca a fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 1945. É uma importante data para conscientizar a opinião pública sobre as questões da nutrição e da alimentação. A mensagem para 2016 é “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também devem mudar". Também faz parte das homenagens deste mês o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC), cujo tema para 2016 será “A cooperação que faz a diferença".