Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Fronteiras agrícolas

A importância do planejamento estratégico

Outubro de 2016

A LIDERANÇA do Brasil em agricultura tropical fundamenta-se em ciência, tecnologia, inovação, políticas públicas e empreendedorismo dos agricultores. Em anos recentes, seus resultados contribuíram para a geração da renda nacional (23% do PIB brasileiro) e quase a metade em valor das exportações do País. E seu futuro é promissor. Segundo projeções recentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a produção brasileira de grãos deverá passar dos atuais 196,5 milhões de toneladas para 255,3 milhões na safra 2025/26. Na cadeia de carnes (bovina, suína e de aves), projeta-se um incremento de 29,8% até 2025: mais 7,8 milhões de toneladas nos próximos dez anos.

Mato Grosso continuará sendo o principal polo agrícola, liderando a produção em soja e milho. Ainda segundo as projeções, a região do MAPITOBA (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) deverá apresentar um aumento significativo da produção de grãos: 24,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, ou seja, um incremento de 91,3% em relação a 2015/16. A área plantada passará dos atuais 6,8 milhões de hectares para um patamar entre 7,8 milhões e 10,3 milhões de hectares, dependendo das hipóteses nas projeções. Esta expansão gera a necessidade de fortalecimento do setor por meio da melhoria de infraestrutura, investimento em pesquisa e crédito agrícola. Esse debate é intensificado quando são analisados os fatores relacionados à sustentabilidade e ao planejamento estratégico das fronteiras agrícolas brasileiras.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), outros institutos de pesquisa e universidades têm realizado esforços para disponibilizar conhecimentos, informações e tecnologias para planos do governo federal e para os agricultores visando à sustentabilidade econômica, ambiental e social dos sistemas de produção agrícola. Por exemplo, inúmeras são as ações desenvolvidas no MAPITOBA, destacando-se as relacionadas às geotecnologias, que englobam os sistemas de informações geográficas (SIG), os sistemas de posicionamento global (GPS) e o sensoriamento remoto por meio de imagens de satélite. As informações qualificadas disponibilizadas compreendem a caracterização físico-biótica, de infraestrutura e de logística, a espacialização das áreas institucionais e a identificação, a delimitação e a caracterização dos polos de produção agrícola em todo o Brasil.

Dentre os planos de informações gerados para os 337 municípios da região (73 milhões de hectares), destacam-se: (i) físico-biótico – cobertura vegetal, declividade, precipitação, clima e solos; (ii) produção agropecuária – área plantada de soja, milho, algodão, feijão, arroz, pastagens, rebanho de bovinos, caprinos e ovinos; (iii) infraestrutura logística – rodovias, hidrovias, ferrovias, aeródromos, helipontos, armazenagem de grãos, frigoríficos, usinas, indústrias de celulose e papel; (iv) áreas institucionais – Unidades de Conservação (UCs) e terras indígenas, prioritárias para a conservação da biodiversidade, rede de influência dos centros urbanos, divisões regionais e biomas; e (v) organizações da produção – unidades da Embrapa, cooperativas, entidades estaduais de assistência técnica e extensão rural.

Na Figura, são apresentados alguns exemplos de planos de informações gerados, destacando os percentuais por classes de declividade, UCs de proteção integral e de uso sustentável (estaduais e federais) e terras indígenas, indicativos de degradação de pastagens (Cerrado), e aeródromos e helipontos (públicos e privados) na região do MAPITOBA.

A análise de forma conjunta desses planos de informações e de sua expressão geográfica possibilita o efetivo planejamento e a execução das atividades rurais da região. Dentre os benefícios diretos, estão a contribuição para a adequação e a gestão de políticas públicas (zoneamentos agrícolas, aptidão agrícola das terras, crédito rural e seguro agrícola), a pré-seleção de áreas agrícolas de interesse de projetos de infraestrutura e logística governamentais ou da iniciativa privada e as análises socioeconômicas e ambientais. Tal análise conjunta gera, ainda, conhecimento para estudos sobre a dinâmica de uso e cobertura das terras e os processos de expansão, retração, transição, conversão e intensificação agrícola. Desta forma, contribui para tornar a agricultura um fator ainda mais determinante no desenvolvimento sustentável das fronteiras agrícolas do País.