Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Preço do leite e de derivados

Depois da forte alta, a expectativa é de queda

Outubro de 2016

COM A virada recente no mercado, a expectativa é de baixa nos preços do leite. As cotações dos lácteos já caíram no atacado, e, no mercado spot (leite comercializado entre as indústrias), há, também, um processo de queda no preço desde a segunda quinzena de julho. Isso indica um cenário de menor concorrência e estoques maiores de leite longa vida nos laticínios.

Preço do leite e de derivados

A demanda interna patinando desde o ano passado, principalmente para os produtos de maior valor agregado, deve colaborar com esse ambiente de baixa no curto e no médio prazos. Para o produtor, fica o alerta com relação a quedas nos preços do leite nos próximos meses.

Apesar dos recuos nos preços do milho e do farelo de soja em agosto e setembro, as cotações estão historicamente elevadas e seguem pesando no bolso. Por outro lado, com as chuvas mais regulares a partir deste mês, espera-se uma melhoria das condições das pastagens e menor necessidade de suplementação concentrada dos animais, com alívio nos custos de produção.

O MERCADO EM 2016

A menor disponibilidade de matéria-prima (leite cru) na temporada puxou para cima os preços do leite e de derivados no primeiro semestre de 2016. Considerando a média nacional, os preços pagos aos produtores subiram 27,5% de janeiro até o pagamento realizado em agosto (produção entregue em julho).

Segundo o Índice Scot Consultoria de Captação de Leite, no acumulado de janeiro a agosto, a produção nacional diminuiu 0,8% em relação ao mesmo período de 2015, quando o volume captado já havia, por sua vez, caído 2,8% frente ao exercício anterior. A entressafra deste ano teve como agravante as condições climáticas adversas (estiagem no Brasil Central e na região Sudeste, e excesso de chuvas no Sul do País), além, é claro, da alta dos custos de produção, com destaque para o milho.

Depois das fortes altas, o mercado nacional do leite perdeu sustentação. Desde junho, as comparações mensais mostram aumento da produção nos estados de peso da região Sul. Mais recentemente, a produção também mostrou crescimento em Minas Gerais, São Paulo e Goiás.

Preço do leite e de derivados

Ainda que os incrementos na produção tenham sido mais comedidos em 2016 quando comparados com os dos anos anteriores, a maior disponibilidade de matéria-prima diminuiu, em parte, a concorrência entre os laticínios. A partir deste mês, com a entrada da produção no Sudeste e no Brasil Central, a oferta deve aumentar com mais força, de modo a consolidar o período de safra nestas regiões.

Desta maneira, os preços, historicamente, tendem a cair neste quarto trimestre, com a retomada da produção em importantes bacias leiteiras. Outro ponto a se considerar com maior peso é o ritmo das vendas de lácteos na ponta final da cadeia. Esse escoamento foi prejudicado pelos aumentos expressivos de preços no primeiro semestre, em especial do leite longa vida. O produto chegou a ser vendido nos valores máximos acima de R$ 5,80 por litro nos supermercados em São Paulo.

Esse quadro gerou estoque na indústria, com pressão forte sobre o preço do tipo de leite longa vida no segmento atacadista. Em julho último, os negócios foram fechados, em média, a R$ 3,65 por litro nas indústrias, frente aos R$ 2,50 por litro em setembro.