Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Considerações

Sobre comida e os objetivos de desenvolvimento sustentável

Outubro de 2017

OS OBJETIVOS de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma agenda mundial, adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável em setembro de 2015, que é composta por dezessete objetivos e 169 metas a serem atingidos até 2030.

Nesta agenda, estão previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura, industrialização, entre outros.

Tais temas podem ser divididos em quatro dimensões principais: social, ambiental, econômica e institucional.

Dos dezessete objetivos propostos pela ONU, a Andef destaca aquele relacionado à fome zero e à agricultura sustentável. É importante lembrar que o Brasil começou a reverter o quadro da fome graças ao avanço da competitividade da sua agropecuária. Porém, mesmo que esta, hoje, seja reconhecida mundialmente como referência em produtividade e sustentabilidade, nota-se que se elevam as vozes contrárias – entre alguns próprios brasileiros – a esta agricultura geradora do desenvolvimento.

Interpretações equivocadas e, muitas vezes, maldosas animam os caprichos do ambientalismo urbano. Nele, há pessoas bem-intencionadas, mas há, também, os ideologizados. O fato é que estes não semeiam, não plantam, não produzem comida. No oportunismo das notícias equivocadas, levanta-se a bandeira da produção sem o uso de tecnologias.

A afirmação ingênua que propõe uma imediata “substituição ao modelo dominante” deixa a seguinte reflexão: a quem interessa o fracasso do moderno modelo brasileiro de produzir alimentos, copiado e estudado largamente em todos os quatro cantos do mundo?

Não há problema em defender ou optar por modelos agrícolas diferentes. Ao contrário, há espaço para todos, e a diversidade nas formas de manejo das culturas é muito importante. O grande problema é a ideologia que prega um cenário trágico, que coloca em xeque um modelo produtivo baseado na ciência e na sustentabilidade que faz do Brasil o campeão mundial de preservação e, ao mesmo tempo, de produtividade. Não há outro país que faça algo parecido.

A gritaria injustificada contra a agricultura moderna está longe de ser útil – muito pelo contrário. Mais do que enaltecer e estimular um ‘desespero infundado’, é crucial que os sensatos concentrem a sua energia e o seu tempo em ampliar os arranjos estratégicos que envolvam agricultores, entidades do setor, comunidade científica, institutos de pesquisa, órgãos de governo e empresas. Juntos, continuaremos a levar o Brasil rumo ao progresso.