Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Exportação de café

Eficiência e competitividade

Outubro de 2017

A exportação de café é uma das mais tradicionais atividades do comércio exportador brasileiro. Desde o final do século XVIII, o Brasil iniciou os primeiros embarques. Desde quando alcançamos a liderança mundial, por volta de 1850, nunca mais perdemos esta privilegiada posição. Além de representar mais de 25% do comércio internacional de café, a participação nacional tem sido crescente nos últimos quinze anos, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Em tempos mais recentes, ocorreu uma sofisticação no mercado mundial, com maior demanda de produtos diferenciados e de qualidade. As nossas vendas externas também se destacam neste segmento. Hoje, do total de 32 milhões de sacas anuais de café verde exportado pelo Brasil, cerca de 15% são de cafés especiais.

O Brasil conta com ampla capacidade instalada de preparo de café, em armazéns privados ou armazéns gerais. Isso lhe dá condições para preparar os mais variados blends de café, por meio da mistura dos grãos de diferentes locais, variedades e espécies entre os tipos Arábica e Robusta. Desta maneira, podemos atender a demanda específica e individualizada de cada torrefador.

Além de exportamos o café brasileiro para mais de uma centena de países, somos líderes de mercado em quase a totalidade dos países importadores. Como país produtor, o Brasil é uma exceção na exportação em quantidades significativas de todas as qualidades de café: Arábica lavado, cereja descascada, Arábica natural e Robusta (Conilon). No café solúvel, lideramos as exportações mundiais.

Obviamente, esse desempenho resulta de um esforço conjunto de todo o agronegócio café. Na produção de café Arábica, apresentamos a maior produtividade e os menores custos de produção por hectare. Dispomos de uma pesquisa agronômica da melhor qualidade no mundo e uma indústria de torrefação eficiente, diversificada e com tecnologia de ponta.

Além da liderança mundial na qualidade e na quantidade exportadas, o setor exportador brasileiro destaca-se em um importante aspecto para o agronegócio café: a eficiência e a competitividade ao transferir para o produtor a quase totalidade do valor FOB das exportações.

Com base em dados dos preços internos aos países produtores publicados pela Organização Internacional do Café (OIC), será mostrada uma breve análise de comparação entre o IPEP do Brasil e o dos outros países produtores no período de 2007 a 2016.

Para o café Arábica brasileiro, a média do IPEP foi de US$ 167,74 por saca, enquanto a média do preço internacional do indicador para o Arábica natural brasileiro no período foi de US$ 197,63. Ou seja, uma participação de 85%. No caso do café Conilon brasileiro, essa participação sobe para 93% no período.

Todos os outros produtores apresentam valores de participação menores. A Colômbia e países produtores da América Central apresentam taxas próximas de 80%, com casos extremos, como, por exemplo, o de Honduras, com 66%. Diversos países – notadamente alguns países africanos produtores de café Robusta – apresentam IPEP abaixo de 50%, como Angola e Uganda. Ao apresentarmos essa análise, fazemos a ressalva de que, em alguns países produtores, uma maior tributação das exportações pode reduzir a participação do IPEP.

Certamente, alguns aspectos na exportação de café brasileiro ainda devem ser melhorados. Os custos e as falhas nas regulamentações portuária e cambial ainda são impedimentos para se fortalecer a liderança das empresas brasileiras de exportação no comércio internacional de café.

A competitividade e a liderança internacionais do café brasileiro são, em larga medida, funções de uma classe exportadora formada por empresas privadas e cooperativas de produtores extremamente eficientes, competitivos, com uma larga experiência e tradição internacional. Temos os melhores profissionais de comércio e especialistas em prova e classificação de café. Detemos conhecimento e capacidade técnica inigualáveis no mundo. A transferência da receita de exportação para os produtores é item fundamental da sustentabilidade do café do Brasil.

CONHEÇA O IPEP

Nos últimos doze anos, o CECAFÉ tem calculado e publicado regularmente o Índice de Participação na Exportação do Produtor (IPEP). O seu objetivo é estimar a participação do produtor de café Arábica no valor exportado da mercadoria desembaraçada para exportação, o chamado valor FOB. Nesse período, o IPEP manteve-se próximo de 85%, com variações raras no intervalo de até 10% para mais ou para menos.

Um IPEP de 85% significa que apenas 15% do valor FOB exportado representam os custos das etapas* até o porto de embarque, incluindo as despesas portuárias, os custos de financiamento etc. Na página do CECAFÉ na internet, pode-se verificar o detalhamento da metodologia de cálculo do IPEP.

Essa longa série de indicadores mensais do IPEP demonstra as contínuas eficiência e competitividade do setor exportador de café verde brasileiro. Comparado com todos os outros países produtores de café, o Brasil é o país em que a exportação de café transfere a maior parte do valor FOB para os preços internos recebidos pelo produtor.

* Limpeza, processamento, lavagem, separação, secagem, beneficiamento (classificação de peneira e composição do blend), embalagem e armazenamento