Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Proteína animal

Aposta na suinocultura

Outubro de 2017

A SUINOCULTURA brasileira atingiu um alto grau de profissionalismo tecnológico e empresarial. Com o avanço do sistema de integração entre produtores e agroindústrias, a produção passou a ter maior estabilidade e menor oscilação. Ao mesmo tempo, com a especialização dos sistemas de produção, parte da sua matéria-prima passou a ser dirigida para segmentos e nichos específicos de mercado. Esta configuração não apenas fortaleceu o setor, como garantiu maior dinamismo e competitividade à produção suinícola nacional.

Nos últimos anos, a suinocultura brasileira tem se destacado por seu desempenho produtivo. O rebanho manteve-se praticamente estável, enquanto a produtividade cresceu em torno de 3% ao ano, sustentada pela modernização das instalações e pelos plantéis reprodutivos de alta performance genética.

Essa evolução pode ser vista por outros números do setor:

- Nesta década, o rebanho nacional registrou uma tênue expansão de 4,56% (de 39,3 milhões de cabeças para 41,1 milhões), enquanto a produção mostrou um incremento de 9,53% (de 3,39 milhões de toneladas para 3,72 milhões);

- Nos últimos quatro anos, o plantel - tecnificado- manteve-se estabilizado no patamar de 1,7 milhão de matrizes, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS). Já o abate anual de suínos saltou de 33 milhões de cabeças para 37 milhões, enquanto a produção de carne suína teve um incremento de 3,35 milhões de toneladas para 3,76 milhões.

Esse avanço denota o alto grau de maturidade e consolidação da cadeia produtiva brasileira de suínos, em termos de escala de produção, intensidade tecnológica e exigência de capital. As barreiras de entrada e saída das empresas no setor estão basicamente centradas nestes três pontos. Na suinocultura de hoje, só há espaço para competentes.

O conturbado ambiente interno de negócios no País nesses últimos anos inibiu a realização de grandes investimentos na suinocultura. A melhora no quadro macroeconômico, no entanto, deve gerar e abrir novas oportunidades. Com o controle da inflação, o câmbio adequado, a queda nas taxas de juros e o Produto Interno Bruto (PIB) positivo, a tendência para as agroindústrias e as cooperativas é de retomada dos seus investimentos. Tudo indica que 2018 pode ser o ponto de inflexão desse processo.

Como a oferta de carne suína está bem ajustada, não haverá aumento expressivo da produção. As perspectivas de demanda são favoráveis e mostram potencial com a firmeza do consumo interno e a expansão das exportações. Por sua vez, as tendências do mercado de commodities agrícolas apontam para uma redução de preços, de modo a aliviar as pressões dos custos de criação. O alinhamento dessas variáveis indica a entrada de um novo ciclo de crescimento para a suinocultura.