Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Soja na safra 2017/18

Dependência do clima e da produtividade

Outubro de 2017

A EXPECTATIVA de maior estoque na safra 2017/18, diante do aumento da produção nos Estados Unidos e do crescimento da área semeada com a cultura no Brasil, aponta para mais um ano de pressão de baixa sobre os preços da soja. Mesmo assim, a queda nos custos de produção pode garantir um lucro de R$ 429,55 por hectare na safra 2017/18, na região de Rondonópolis-MT. Este valor é 32,6% superior ao resultado médio de 2016/17.

A safra 2016/17 foi marcada pela queda nos preços da soja em grãos, devido à maior oferta e aos grandes estoques mundiais. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os estoques finais foram de 95,96 milhões de toneladas. Este volume é 45,4% superior ao estoque médio das cinco temporadas anteriores – um aumento significativo.

Para o final da safra 2017/18, o USDA estima um estoque ainda maior, de 97,53 milhões de toneladas. Diante dessa expectativa de alta disponibilidade do produto, as cotações enfraqueceram e caíram, quando se considera a média no acumulado de 2017.

Pontualmente, as questões climáticas adversas, com destaque para o tempo mais seco nos Estados Unidos no período de semeadura, bem como a demanda mundial aquecida nas primeiras semanas de setembro, deram sustentação às cotações no mercado internacional. No mercado brasileiro, esses ganhos foram neutralizados pela queda do dólar em relação à moeda brasileira.

Soja na safra 2017/18

RESULTADOS ECONÔMICOS

Na região de Rondonópolis, na safra 2016/17, foi estimado um lucro médio de R$ 323,96 por hectare de soja transgênica. Para a safra 2017/18, a expectativa é de queda nos custos de produção, puxada pelos recuos nos preços de adubos e de alguns defensivos agrícolas, com a queda do dólar em relação ao real. Também há expectativa de uma produtividade menor, em função da previsão de um clima mais adverso para a temporada.

Para o cálculo do resultado do negócio, tomaram-se como referência os preços futuros da soja na B3 (antiga BM&FBOVESPA): contrato com vencimento no primeiro semestre de 2018, para entrega em Paranaguá-PR. Considerou-se um desconto para ajustar a diferença de preço médio em relação a Rondonópolis, de 12,3% desde janeiro de 2016.

Com isso, o preço de venda projetado para a soja na safra 2017/18 para a região de Rondonópolis, de R$ 57,13 por saca, representa uma queda de 4,0% frente ao preço médio de venda na safra passada. Com base nesses dados, conforme mencionado no início do artigo, o lucro estimado para a temporada atual é de R$ 429,55 por hectare.

Apesar da queda prevista nos preços de venda da soja e das produtividades menores, o menor custo de produção na temporada melhorou de forma substancial o resultado para o agricultor.

Soja na safra 2017/18

A queda na produtividade das lavouras, causada pelo clima menos favorável, pode levar a uma revisão dos rendimentos previstos. Considerando-se os demais parâmetros informados, o ponto de equilíbrio da produtividade é de 46,60 sacas por hectare, ou seja, abaixo deste valor, o resultado é de prejuízo.

Desta forma, o agricultor precisará ficar atento às oportunidades de travar os preços, especialmente neste segundo semestre. À medida que a colheita ganhar força nos Estados Unidos, um movimento com viés de baixa sobre as cotações no mercado internacional, no curto e no médio prazos, deve ser entendido como natural.

No entanto, alguns fatores, como as questões climáticas adversas, a demanda mundial firme e o câmbio, poderão pontualmente dar sustentação às cotações. No Brasil, por exemplo, os atrasos previstos nas chuvas poderão prejudicar a semeadura e o desenvolvimento da safra 2017/18. Por isso, o clima deverá ter peso maior na precificação dos próximos meses, visto que as previsões apontam para uma situação mais adversa. Outro fator recente de alta é a redução esperada na produção da oleaginosa com as chuvas e as enchentes na Argentina.