Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

As circunstâncias

Outubro de 2018

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

Não são as circunstânciasque decidem a nossa vida...
É, pois, falso dizer que na vida “decidem as circunstâncias".
Pelo contrário: as circunstâncias sãoo dilema, sempre novo,
ante o qual temos de nos decidir.
Mas quem decide é o nosso caráter.
José Ortega y Gasset


HÁ SEMPRE um tempo para tudo em nossas vidas. Cada um com suas experiências, sua força, que o move ou o estanca. Cada um e suas circunstâncias! A adversidade, em circunstâncias favoráveis, permite forças que, em condições negativas, teriam ficado adormecidas. Nesse compasso, escrevo as linhas do momento e as esperanças de quem sempre enfrentou as adversidades, humanas, climáticas ou de um governo descarrilhado há dezenas de anos.

A esquerda brasileira desmoronou, mais por oportunismo do que por ideologia, o que levou o Brasil a um piquenique à beira do abismo. Nessa festa de incompetência e corrupção, afloraram ranços até então depositados no fundo desse barril de tantas cores. A borra subiu, o ambiente foi tomado por desequilíbrios, e os valores essenciais da política foram dispensados.

Nessa carruagem de insensatez, o agronegócio seguiu batendo recordes, e, com isso, a sociedade urbana passou a repensar o seu País e a sua realidade. Em síntese, enfrentar adversidades ou aproveitar as oportunidades é o dia a dia desses agentes do progresso nacional, para quem os riscos de produzir são a mola propulsora, impulsionada pelo verde e amarelo da esperança por dias melhores. E é assim, em momentos de adversidade, que o País sabe com quem contar!

Quais são as bases desse caminhar do Brasil em um momento de perigosa recaída para um populismo global e onde países líderes assumem desvios de conduta, desvalorizando o que se criou positivamente, justamente sob sua liderança, no pós-Segunda Guerra Mundial?

A campanha política mostra, pela esquerda sindicalista, um absoluto desdém sobre a lógica que abalou de forma tão negativa o País. O centro nutre-se do passado e busca caracterizar-se como um agente de mudanças. E a direita explora a fragilidade da economia e a falta de segurança do cidadão, buscando o voto dos desiludidos. Todos falam bem do agro, mas alguns tremulam a voz ao se referirem a ele.

O agro é a raiz das cidades, que são nutridas da sua oferta, independentemente das circunstâncias. Das cidades, surgem as vozes dos interesses internacionais referendadas por entidades inocentes ou não, com críticas que são desmoralizadas pela realidade.

Nas eleições, valorizar as raízes do País será o diferencial. Numa nação onde o interesse público confundiu-se com o privado, cada um, olhando as raízes enfraquecidas por ideologias estranhas, votará para seus netos, na reconstrução da Ordem e do Progresso.

Onde estavam alguns dos candidatos quando o governo de plantão resolveu “bolivarizar" o Brasil? Quando aplaudiam Maduro e Fidel? Ou quando criaram Comissões da Verdade com um só lado? Quando não aprovaram a mudança da previdência ou não fizeram uma importante correção do sistema político, mantendo a enorme maioria para a próxima legislatura? Onde estaremos nós, votantes? Esperando Godot*?

*“Esperando Godot" é a obra-prima do dramaturgo, romancista e poeta irlandês Samuel Beckett (1906-1989), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1969. Na narrativa, dois vagabundos aguardam infinitamente a vinda do senhor Godot, que nunca aparece