Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Biodefensivos

Mercado e percepção do produtor brasileiro

Outubro de 2018

Em 2016, o mercado global de biodefensivos foi estimado em aproximadamente US$ 2,5 bilhões, com crescimento ano a ano contínuo e forte. A Europa representa a maior fatia da comercialização (30%), seguida por América do Norte e Ásia-Pacífico (27%) e América Latina (13%), segundo dados da Agribusiness Consulting/Informa (2017).

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Essa trajetória ascendente dá-se à medida que os agricultores adquirem um maior conhecimento técnico quanto ao uso de produtos biológicos. Isso decorre de uma maior conscientização quanto à importância das práticas de Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP e MID), que preveem o uso de produtos biológicos em conjunto a defensivos agrícolas convencionais. Brasil, México, Chile e Argentina são os mercados de maior crescimento na região e emergiram como grandes mercados-alvo para os fornecedores desses produtos.

O potencial de crescimento do mercado brasileiro sempre ganha destaque quando se consideram a área agricola e a diversidade de culturas, climas, pragas e doenças. Dados oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2018) demonstram que, nos últimos cinco anos, tanto a quantidade de indústrias de biodefensivos como o número de registros de produtos praticamente duplicaram.

Biodefensivos

É nítida a adesão cada vez maior do uso de biodefensivos no campo diante de suas vantagens em relação a segurança, eficiência e flexibilidade na aplicação e, entre outras razões, por complementar os demais defensivos no MIP e no MID.

PESQUISA DE MERCADO

A ABCBio, em parceria com a Informa/FNP, realizou, neste ano, uma pesquisa de mercado com o intuito de quantificar o mercado brasileiro de produtos biológicos. Este trabalho buscou, também, levantar informações para conhecer melhor o perfil do usuário e do não usuário destes produtos.

Diante da intensificação na oferta de produtos e serviços para o controle biológico das culturas por parte da indústria, os agricultores se veem cercados e atraídos a testarem as novidades que surgem no mercado. O resultado dessa dinâmica leva a avanços e mudanças no comportamento dos players envolvidos com esse negócio, embora a atividade ainda seja vista como uma grande novidade.

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De qualquer forma, a indústria, o sistema de distribuição e o produtor já revelam evidências de maior integração. Essa tendência deve crescer à medida que a tecnologia ganhar maturidade como prática cotidiana de uso pelo agricultor. Trata-se, portanto, de um momento interessante para identificar a percepção de cada um desses agentes. O fato certo é que esse mercado apresenta crescimento.

Nessa pesquisa desenvolvida pela Informa/FNP, levantaram-se diversas questões sobre: o perfil dos agricultores usuários e não usuários de produtos biológicos; a sua lembrança e conhecimento de marcas e fabricantes; os hábitos de compra; as formas de uso; os alvos de controle (e satisfação); as principais fontes de consulta; a opinião e o pensamento relacionados ao tema de produtos biológicos; e as decisões e os desafios futuros.

Além da propensão de uso futuro, a identificação das regiões e das culturas mais sensíveis para a adoção dessas práticas que envolvem produtos biológicos dá sinais da velocidade com que esse processo acontecerá. O despertar de interesse da mídia para essas questões representa outro aspecto interessante a ser observado.

O público-alvo da pesquisa foi o agricultor responsável pela decisão de compra e uso de produtos biológicos ou defensivos agrícolas. As entrevistas foram pessoais e in loco, nas propriedades rurais. O escopo do projeto classificou os biodefensivos em duas classes: microbiológicos e macrobiológicos, com segmentação em bioinseticidas, biofungicidas, bionematicidas, predadores e parasitoides.

Essa pesquisa está sendo considerada o maior estudo sobre o mercado de biodefensivos do mundo sob a ótica dos agricultores, pois, dos 1.900 produtores contatados, foram entrevistados 683 agricultores usuários de produtos biológicos, em quinze estados e onze culturas, o que representa 80% do mercado brasileiro, com margem de erro de 3,2% e nível de confiabilidade de 90%.

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Considerando os dados coletados pela pesquisa, de acordo com o Comitê Estatístico da ABCBio, extrapolando-se para todas as culturas do Brasil, o valor de mercado de uso de produtos biológicos nacional foi apurado, em 18 de fevereiro último, em R$ 527,7 milhões. Se tomássemos a cotação do dólar nesse dia em R$ 3,20, teríamos US{replace13}nbsp;164,9 milhões.

Em valor, a soja, a cana-de-açúcar e o café correspondem à maior fatia do mercado. Apesar deste destaque, a taxa de adoção para estas culturas não chega a 20% (soja e café) e 40% (cana) nas principais regiões produtoras.

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Com relação aos produtos biológicos, 57% dos produtores mostram conhecimento e 43%, desconhecimento sobre o assunto. Quanto a usá-los no controle de pragas e doenças de lavouras, 39% disseram que sim e 61%, que não.

Os biodefensivos estão divididos entre macrobiológicos (insetos parasitoides e ácaros predadores) e microbiológicos (fungos, bactérias, vírus e nematoides). Em área e valor, tem-se a participação, respectivamente, de 20% e 11% nos macrobiológicos e de 80% e 89% nos microbiológicos.

Apesar da constatação do aumento da informalidade no setor, a pesquisa constatou que apenas 8% do market share corresponde a produtos não registrados.

TOMADA DE DECISÃO DE USO

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A eficiência do controle e os aspectos relacionados a uma maior segurança dos produtos biológicos foram os fatores indicados pela maioria dos produtores como importantes elementos de decisão de uso destes produtos.

COMPORTAMENTO E MOTIVOS DE USO

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O apoio no pós-venda do produto e a questão de maior segurança ao ambiente e à saúde humana são os aspectos de concordância de mais de 95% dos produtores usuários de um biodefensivo.

TENDÊNCIA DE USO DOS PRODUTOS BIOLÓGICOS

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Os usuários, em grande maioria, acreditam no crescimento do uso de produtos biológicos nos próximos cinco anos.