Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

O desafio da alimentação

Novembro de 2016

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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O DIA Mundial da Alimentação foi comemorado em 16 de outubro, nos lembrando o desafio de alimentar o mundo e a importância de garantir a segurança alimentar. Mas, ‘comemorado’ seria o termo correto? Temos o que comemorar ou celebrar quando há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, 1 bilhão de pessoas passando fome? Um ser humano morre de fome a cada três segundos. São vinte vítimas por minuto, 1.200 por hora e 28.800 por dia.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), mais de 8 mil crianças morrem de fome por dia, 3 milhões a cada ano. Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresenta atraso nos crescimentos físico e intelectual. 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e se encontram abaixo do peso. Uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo. A cada dia, 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do Planeta.

O Brasil é o nono país com o maior número de pessoas com fome, tendo 15 milhões de crianças desnutridas; 45% de suas crianças menores de cinco anos sofrem de anemia crônica; um terço da população ainda é malnutrido; 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida; e 37% do total da população são trabalhadores rurais sem-terra.

Entretanto, temos tecnologia e área suficiente para bem alimentar a todos! Combater o desperdício, valorar a produção agrícola, introduzir mecanismos que impeçam a intermediação predatória e ter políticas internacionais de planejamento para os estoques reguladores e os investimentos permanentes em inovação são iniciativas que viabilizam a alimentação para todos.

Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 por habitante; no restante do globo, é de 2.180 calorias diárias por pessoa. O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. A produção nacional de alimentos é suficiente para os mais de 204 milhões de brasileiros. Mas, a desigualdade de renda e o desperdício ainda fazem com que 7,2 milhões de pessoas passem fome.

No cenário global, mais de 1 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado. Isso equivale a um terço de todos os mantimentos produzidos anualmente no planeta Terra. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos. É preciso uma maior conscientização sobre o consumo dos alimentos.

Na Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), promovemos iniciativas que alertam sobre essa responsabilidade. São palestras, vídeos, oficinas e eventos ensinando sobre um melhor aproveitamento dos alimentos e o equilíbrio na alimentação diária.

Estamos, também, reforçando a atuação do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CONSEA-SP). Somente neste ano, o Conselho realizou 61 reuniões em todas as regiões do estado de São Paulo.

Orientados pelo governador Geraldo Alckmin, que é médico, levamos a sério a segurança alimentar e fazemos dela uma das principais linhas de atuação da SAA. Analisamos resíduos de agroquímicos nos alimentos, fomentamos a produção orgânica e disciplinamos o uso de defensivos agrícolas. Estas são apenas algumas das muitas ações que empreendemos em nome da segurança alimentar. Precisamos alimentar o mundo, mas com qualidade.