Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Tempo de recuperar

Novembro de 2016

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

A confiança perdida é difícilde recuperar.Ela não cresce como as unhas.

Johannes Brahms

AS RECENTES eleições municipais mostraram a intolerância da população brasileira com o desrespeito da administração pública, a falta de ética e os malfeitos dos partidos políticos. Com algumas ressalvas, os candidatos eleitos foram aqueles que se mostraram como bons administradores. Mesmo assim, a soma de votos brancos e nulos e abstenções seria suficiente para ganhar as maiores prefeituras do País.

Muitos candidatos aliados ao governo da ex-presidente Dilma, por exemplo, não colheram os votos das eleições passadas. Já outros partidos aliados ao presidente Temer esperam as ações proativas do seu governo, preocupados com as eleições presidenciais de 2018.

O Brasil enfrenta taxas elevadas de inflação e de juros, além de altos níveis de desemprego e déficit fiscal. São problemas difíceis de corrigir no médio prazo. É um cenário muito complicado num mundo voltado ao protecionismo. Trata-se de um panorama assustador quando se sabe que há medidas duras que precisam ser tomadas. Como dizia o ex-presidente dos Estados Unidos Lyndon B. Johnson, “o ontem não é nosso para recuperar, mas o amanhã é nosso para ganhar ou perder”.

O País sofreu um revés e entrou em coma induzido. Quando se olha a equipe econômica atual, espera-se os ajustes necessários e a retomada do crescimento. O editorial da Agroanalysis de outubro último chamava a atenção para o fato de que “como conseguiu restabelecer relações funcionais com o Congresso, o novo governo trouxe a clara percepção de melhora da governabilidade”.

Em termos práticos, a recuperação econômica é vista nos índices macroeconômicos, na confiança na economia do País e na volta dos investimentos. Estes pontos são fundamentais para recuperar o ânimo – do latim, animus, que significa “alma, coragem, desejo”. Com alma, o agricultor planta e confia com coragem no seu futuro, enquanto a sociedade deseja por aquele produto plantado com alma. E a fome depende daqueles que se alimentam das tecnologias e dos insumos modernos.

O Brasil marca o seu lugar com importância crescente na geopolítica global. Esse ponto precisa ser mais comentado e traduzido à sociedade. A campanha da Rede Globo que está no ar em horário nobre destaca o papel do agronegócio para o Brasil e o mundo. Feita de uma forma sensível, com a visão das cadeias produtivas de cereais, carnes, cana, frutas, flores, fibras e outros, desperta no espectador um orgulho pelo País. E anima!

O entusiasmo motivador expressa-
se em momentos de criatividade e paixão. Isso é esperado de todos os brasileiros agora! Afinal, o processo de recuperação deve abraçar os campos agroindustriais, valorizando-os com a consciência da vocação natural do Brasil.

Com a melhor compreensão dos cidadãos, o agronegócio irá contribuir para a recuperação mais rápida do País, se o governo buscar sócios melhores e sem ideologia. Esta recomendação vem do embaixador Marcos Azambuja, no 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizado pela ABAG em agosto. A sua preocupação decorre dos riscos de um protecionismo global dificultar nossos esforços em firmar acordos bilaterais. Ou seja, parte da desejada recuperação virá com maior integração e abertura, com menos barreiras.