Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Defesa agropecuária

Gestão territorial para prevenir novas pragas

Novembro de 2016

PELO MENOS 35 novas pragas agrícolas foram detectadas nos últimos dez anos, e novas ameaças com potencial de causar grandes danos à agricultura brasileira estão na iminência de chegar ao País. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem adotado medidas para reforçar o controle e prevenir a entrada e o estabelecimento destas novas ameaças, conhecidas como pragas quarentenárias.

A Embrapa Gestão Territorial em Campinas, no estado de São Paulo, em parceria com outras instituições, está reunindo dados e produzindo diversas informações de modo a apoiar a defesa agropecuária do Brasil. Já foram produzidas informações sobre as pragas Helicoverpa armigera, Prodiplosis longifila (espécie de mosca-das-frutas) e Thaumastocoris peregrinus (percevejo bronzeado), entre outras.

Defesa agropecuária

Entre os recentes trabalhos, estão os estudos sobre a mariposa Chilo partellus, nativa da Ásia e espalhada pela Oceania, pelo Oriente Médio e pelo Leste da África. Este inseto é responsável por vários prejuízos em cultivos de milho, cana-de-açúcar, arroz, sorgo e milheto, com relatos de perdas da produtividade em torno de 20% no milho e maiores do que 50% no sorgo.

Em parceria, a Embrapa Gestão Territorial e a Embrapa Meio Ambiente reuniram dados sobre a mariposa Chilo partellus no tocante: à distribuição das culturas hospedeiras no Brasil; aos países onde está presente e aos seus principais meios de dispersão; às regiões com condições climáticas favoráveis ao seu estabelecimento; às potenciais vias de ingresso, como estradas e rodovias, portos e aeroportos; aos trechos de fronteira seca do País; e aos postos de controle do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do MAPA e dos estados brasileiros.

Os resultados foram disponibilizados em textos, figuras e mapas temáticos. Exigindo maior atenção dos órgãos de defesa agropecuária, duas áreas críticas foram identificadas para o ingresso da praga. A primeira estende-se desde a região centro-oeste do Mato Grosso do Sul até a região centro-leste de São Paulo, com extensos canaviais. A segunda possui grandes áreas com pastagens e de cultivo de arroz na região sul do Rio Grande do Sul.

Estas duas áreas apresentam condições climáticas ótimas para o desenvolvimento da praga, juntamente com grande produção das culturas hospedeiras e proximidade de potenciais vias de ingresso internacionais, que, ao mesmo tempo, caracterizam territórios mais suscetíveis à entrada e ao estabelecimento de pragas quarentenárias.

Há, ainda, outras regiões críticas para o ingresso da praga localizadas no Norte do Brasil, em áreas com cultivo de arroz, situadas mais especificamente nas regiões leste e nordeste de Roraima, próximas da Guiana e da Venezuela, e no norte do Amapá, próximo da Guiana Francesa.

Outra informação analisada foi a existência de rotas marítimas entre portos brasileiros e portos de países em que a praga está presente, e foram identificados como mais suscetíveis os Portos de Paranaguá e de Santos, entre outros nas áreas das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, bem como os situados na foz do rio da Prata, entre o Uruguai e a Argentina.

O monitoramento do ingresso de Chilo partellus deve ser intensificado nessas regiões, principalmente em portos e aeroportos nacionais que recebam produtos ou embalagens originários de países do Leste da África, do Sul da Ásia e da Oceania, bem como nas faixas de fronteira brasileira que se confrontam diretamente com áreas críticas para o ingresso da praga, buscando evitar a entrada da praga no Brasil.

É dessa maneira que as análises geoespaciais contribuem para a prevenção da entrada e do estabelecimento de pragas quarentenárias no Brasil e subsidiam o planejamento das medidas de contenção e controle.