Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Mercado de terras

Expectativa de retomada da liquidez

Novembro de 2016

ALÉM DE meio de produção agrícola, as propriedades rurais são ativos imobilizados de longo prazo. Assim, o hectare de terra, em primeira análise, representa um investimento seguro que atraiu muitos investidores ao longo dos últimos anos. No entanto, com os desarranjos macroeconômicos e políticos do País, mais recentemente houve uma grande debandada de investidores nesse mercado.

Em um ambiente incerto, os proprietários rurais contam com um patrimônio cuja valorização superou de longe a taxa de inflação, na década passada. Eles têm, ainda, a possibilidade de obter lucros adicionais com a exploração de culturas rentáveis. Mas, o ambiente de negócios sem estímulo e a perspectiva para a arrancada empresarial constituem um problema. Isso explica a queda nos negócios com terra que se iniciou em meados de 2015 e persiste até agora.

A situação do mercado de terras e da sua liquidez está conectada aos acontecimentos da economia e à situação do setor agropecuário. A expectativa é de aumento gradual dos negócios com terras, à medida que a retomada da economia brasileira começar a acontecer. Isso certamente muda a visão dos investidores.

Mercado de terras

A expectativa é de maior movimentação no mercado de terras a partir de meados de 2017, mas nenhum aumento expressivo nas cotações no curto e no médio prazos. Um ponto importante a ser considerado, com peso significante na demanda por terras ou arrendamentos, é a pressão de baixa sobre os preços da soja, carro-chefe da produção nacional. A sua colheita na safra 2016/17 norte-
americana foi farta.

Outro ponto importante é a queda da Selic, taxa básica de juros, o que deverá ocorrer em 2017. Com a Selic alta, a tendência de aplicar no mercado financeiro é maior.

PREÇOS DE TERRAS AGRÍCOLAS E PASTAGEM

Apesar de o clima ser de cautela por parte de vendedores e compradores, as desvalorizações nas glebas são raras e pontuais. O comportamento mais comum apurado nos levantamentos realizados é de preços estáveis desde novembro de 2015.

Fatores como a proximidade da malha viária, de agroindústrias e de portos, o grau de tecnificação das propriedades, a produtividade da região, as culturas predominantes, o relevo e o solo, dentre outros, definem o preço das terras. No Centro-
Oeste, enquanto os valores médios das áreas de pastagens variam entre R$ 4,5 mil e R$ 9,7 mil por hectare; nas regiões de agricultura, o intervalo fica entre R$ 10,9 mil e R$ 17,7 mil.

Na região Nordeste do País, no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo, a situação ganhou ares dramáticos. Este foi o terceiro ano consecutivo de seca. A produtividade nas lavouras de grãos caiu de forma drástica na safra 2015/16. Nas áreas de pastagens, o quadro também é negativo.

Mercado de terras

No estado do Piauí, por exemplo, o rendimento médio caiu 58,0% na safra 2015/16, com média de 19,1 sacas de 60 quilos por hectare (1.143 kg/ha). Para uma comparação, a média nacional foi de 47,8 sacas por hectare (2.870 kg/ha) nesta mesma safra.

Evidentemente, anos seguidos de problemas climáticos afetam a procura por terras para compra ou arrendamentos nessas regiões. Muitos empreendimentos tiveram seus planos de negócios alterados. Com o fluxo de caixa apertado, a tomada de decisão sempre corre na direção de cortes e adiamentos nos investimentos.

ARRENDAMENTOS

Na média, arrendamentos de terras para produção de grãos variam de 8 a 12 sacas de soja por hectare, com os preços maiores nas regiões mais tradicionais do Centro-Oeste e do Sul do País e os menores nas regiões de fronteira agrícola do Norte e do Nordeste.

Os pastos são arrendados entre R$ 20,00/cabeça/mês, para bovinos mais leves, e R$ 30,00, para bovinos em terminação, vacas e novilhas em reprodução. Existem pedidos de R$ 35,00 a R$ 40,00/cabeça/mês em pastagens bem formadas, com maior capacidade de suporte (lotação).