Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

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Parceria para o bom crescimento

Novembro de 2017

MARCELO VIEIRA, Vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB)

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A SRB começou a executar o projeto MATOPIBA 2020, que faz parte do programa “Parceria para o Bom Crescimento”, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Banco Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançado em setembro último na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em uma parceria com a Conservação Internacional (CI).

Na região conhecida como MATOPIBA, hoje a mais dinâmica fronteira agrícola do Cerrado (situada no Maranhão, no Tocantins, no Piauí e na Bahia), buscaremos desenvolver e difundir novos modelos de uma agricultura de baixo carbono, aprendendo com os melhores produtores locais. Os sistemas mais eficientes desenvolvidos na região estão entre os mais sustentáveis nesse bioma e trazem, também, o melhor retorno aos investidores. Ainda existem grandes desafios de logística, cuja solução agregaria muita competitividade à produção. Além disso, precisamos desenvolver novos modelos de financiamento, em busca de uma melhor implementação do Programa ABC e de outras opções de captação de recursos de longo prazo a custos mais adequados ao mercado internacional.

Outro grande desafio, comum a todas as regiões da nossa agropecuária, é a adequação das propriedades ao Código Florestal, que demandará, em muitos casos, a restauração de áreas de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APPs). A adequação exigirá dos produtores melhor planejamento da paisagem, o que pode levar ao desenvolvimento de um novo negócio de serviços ambientais nas áreas não apropriadas à agricultura ou à pecuária eficientes, tendo como uma das opções a compensação de RL, ainda em fase de regulamentação.

Além de desenvolvimento social da região, essa opção deve trazer melhor padrão de renda tanto às comunidades tradicionais, como aos produtores instalados em áreas com baixa produtividade agrícola, já que, em muitas áreas, a restauração e a preservação para prestação de serviços ambientais à comunidade mundial podem ser uma alternativa no longo prazo. Esta alternativa pode, também, levar a produtores familiares a oportunidade de produzir produtos de alto valor unitário, como iguarias regionais e produtos artesanais, visando ao consumidor urbano de maior poder aquisitivo nos grandes centros.

Nossa regulação ambiental é a mais exigente dentre os grandes produtores de alimentos do Planeta, com o Código Florestal, que forneceu a base de nosso compromisso no Acordo do Clima, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Também temos a legislação trabalhista no campo mais exigente. Queremos transformar a conformidade com as nossas legislações na melhor certificação de sustentabilidade da nossa produção. Não queremos desenvolver novas certificações que agregam custo ao produto na sua verificação, já que temos as exigências legais trazidas pelo Código Florestal.

Buscaremos, também, mostrar ao mercado mundial que a imagem do nosso agronegócio, demonstrando a sua conformidade com a mais avançada legislação de sustentabilidade, ainda está defasada e, portanto, precisa ser atualizada para que o nosso consumidor dê a valorização adequada à nossa produção, esta, sim, o principal incentivo à adequação às exigências legais. A correta valorização da produção de ponta das nossas fronteiras agrícolas, garantindo acesso aos mercados mais desenvolvidos, viabilizará a conformidade de todos os produtores.