Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agroceres

Lucro latente do período das águas

Novembro de 2017

ESTAMOS NO início da melhor época do ano para a fazenda: o período das águas. Nos próximos meses, as condições climáticas, aliadas à fertilidade do solo e ao manejo das pastagens, permitirão ofertar aos animais forragem de qualidade.

Nessa época, é fácil encontrar animais recriados só com mineral, com Ganho Médio Diário (GMD) de 600 gramas. Sem dúvida alguma, esta é uma das arrobas mais lucrativas produzidas na fazenda.

No entanto, é preciso sair da zona de conforto: existe um lucro latente a ser auferido no período das águas, mas muitos produtores não o exploram por estarem presos aos resultados do tradicional “arroz e feijão”.

Como é sabido, os animais não consomem sal mineral todos os dias. Mas, ao observar os animais em crescimento, o consumo diário e constante de minerais é um dado importante. Outro ponto é a avaliação química das folhas, com o registro da quantidade de proteína bruta suficiente para permitir o crescimento microbiano ruminal.

Nas pastagens, durante o período das águas, quando se faz uma análise mais aprofundada do perfil proteico das folhas, há duas frações com diferentes velocidades de aproveitamento pelo animal: a ligada à fibra estará indisponível, enquanto a outra, com taxa de degradação muito alta, similar à ureia, poderá ser facilmente perdida.

Sabendo disso, fica fácil entender por que a suplementação proteica, mesmo durante as águas, mostra excelentes resultados. Seu conceito é muito mais do que nutrição, pois envolve um pacote tecnológico a ser trabalhado.

Com o fornecimento do proteinado, obtém-se o consumo regular de minerais, assim como a melhora no ambiente ruminal promovida pelo ajuste fino do perfil proteico da dieta. Tudo isso é potencializado pelo uso obrigatório do aditivo melhorador de desempenho, como, por exemplo, a monensina. Assim, a combinação de todos esses fatores tem permitido um incremento no GMD da ordem de 150 gramas.

Certamente, um bom produtor questionará sobre o custo disso tudo. Como no período das águas o ambiente é favorável à produção animal, qualquer desembolso adicional precisa ser justificado pelo GMD adicional.

Uma análise econômica e simplista seria calcular a receita obtida com o ganho adicional (150 gramas) e descontar o custo adicional (valor gasto por dia com suplemento proteico menos valor gasto por dia com sal mineral), sendo a diferença o lucro adicional.

Em diferentes fazendas, a relação benefício/custo varia de 1:3 a 1:5, ou seja, para cada real investido, o retorno pode ser maior de três a cinco vezes.

O custo da arroba adicional produzida com o proteinado no período das águas deve ser visto como uma oportunidade de negócios. Em tempo de incertezas econômicas, garantir a produção de uma arroba a mais nesse período, com baixo custo, sem dúvida, é um ótimo caminho a seguir.