Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

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Desafios para uma liderança moderna

Dezembro de 2016

GUSTAVO DINIZ JUNQUEIRA - Colunista

GUSTAVO DINIZ JUNQUEIRA, Presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB)

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EM UM cenário de transformações de ordens social, política e econômica, novas formas de liderança são necessárias. A combinação entre o darwinismo de uma economia “tecnologizada” e o poder das redes sociais coloca a sociedade ante novos dilemas.

No xadrez do poder entre países, classes e poderes econômicos, surge algo inédito: a vox populi efetiva, uma enorme força de comunicação instantânea e a crescente onda de desinformação. Nesse cenário, abre-se um atalho entre a ansiedade dos cidadãos e as promessas de líderes “fortes” com soluções imediatas. Assim, a frustração e o populismo fortalecem-se e ameaçam o centro democrático, a verdadeira representação republicana.

Nos rumos incertos do futuro, é prioritário reconhecer conquistas, mas essencial adaptá-las às novas circunstâncias e aos desafios. O equilíbrio das instituições, portanto, é a única garantia para a convivência pacífica e a crescente prosperidade. Neste modelo republicano, as representações dos segmentos da sociedade assumem papel crucial. Sociedades cada vez mais complexas e dinâmicas exigem uma liderança coletiva e dialógica, para equilibrar as forças em benefício da maioria.

No Brasil, o agro assume um novo protagonismo para alimentar a população e equilibrar a balança comercial. As expressões políticas, as cooperativas, as associações, os sindicatos e as lideranças individuais precisam trabalhar a partir de uma plataforma de pensamento integrado, para influenciar outras forças sociais e forjar um modelo fundamentado no uso inteligente de nossos recursos naturais, humanos e financeiros.

Uma articulação eficiente exige novas formas de inclusão. Na prática, é prioritário encontrar o diferencial representativo de cada entidade e, então, aprofundar o diálogo entre as entidades para somar forças. Sem esse alinhamento, a defesa de interesses específicos não terá eco naqueles que definem as políticas públicas.

Nos últimos anos, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) avançou no território da liderança compartilhada. Jovens dirigentes, antes distantes do debate político, engajaram-se na formulação dos programas e na ampliação da plataforma, para trazerem às tradicionais lideranças novos aspectos relevantes para o futuro do agro, dialogarem e construírem pontes para uma nova convivência.

Saímos das trincheiras para debater o futuro frente a frente com outros segmentos da sociedade. Estabelecemos comitês multistakeholders, impulsionamos a criação da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e aprofundamos a atuação do agro na formulação de políticas públicas – com o fortalecimento do Instituto Pensar Agro (IPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) –, revitalizando os princípios da SRB para que o seu próximo centenário seja ainda mais glorioso.

A disposição de tomar posições firmes e estratégicas alinhadas a uma visão de longo prazo é fundamental para a legitimidade da representatividade setorial. O desafio do Brasil moderno e de suas instituições é seguir adiante na construção de um sistema descentralizado da democracia pluralista, necessário para conduzir o complexo processo de reconstrução da nação brasileira.