Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Até 2018: uma jornada longa!

Dezembro de 2016

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

O bom é inimigo do ótimo...

Ditado popular


AS COISAS melhoraram no Brasil! Infelizmente, esta é uma afirmação que só pode ser feita por quem convive com os índices macroeconômicos atualizados, desde a taxa de inflação até a de emprego. Isso, no entanto, dificilmente é perceptível com muita clareza pelas donas de casa que vão cotidianamente às compras do essencial. Também é penoso para a grande maioria das massas que faz as refeições fora de casa ou utiliza os transportes públicos.

Uma longa jornada à recuperação começa a acontecer. Esta agenda teve início com a aprovação pelo Parlamento, com larga margem de voto, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 241, que limita os gastos públicos. O remédio é amargo, mas necessário. Outros passos terão de ser dados no sentido de promover as mudanças no regime partidário e no sistema previdenciário brasileiro. Essas são iniciativas para alimentar e fortalecer as nossas esperanças!

Outros pontos essenciais para a retomada do Brasil estão nos investimentos em logística, verdadeira barreira ao desejado crescimento da economia brasileira. Seus impactos são positivos, tanto do lado interno, com a redução dos custos de transporte, como do externo, pois permitirão aumento no volume das exportações, com mais competitividade econômica dos produtos do agronegócio.

E listam-se, ainda, as intempéries climáticas e o surgimento de pragas e doenças sempre potencialmente nocivas à produção agrícola, que clama urgentemente por uma política pública de seguro rural.

Como produtores, assistimos a uma complicada sobreposição de impostos nas cadeias produtivas do agronegócio. A tendência do sistema tributário é de só crescer! As normas não oneram apenas de forma acachapante a produção, como a atingem e desequilibram os seus vários elos.

O setor produtivo sofre, também, os desequilíbrios provocadores da insegurança jurídica. Na legislação trabalhista nacional, o modelo ficou antiquado e inadequado para o estágio de desenvolvimento do País. No meio rural, isso provoca uma conturbação de proporções preocupantes. Os embates nas discussões que envolvem meio ambiente e agricultura carecem de conteúdos técnicos e científicos. Na questão de terra, tem-se as indefinições nas demarcações das áreas indígenas e na compra de terras por estrangeiros, entre outros elementos.

Na verdade, como supera o déficit fiscal gigantesco, o rombo deixado pelo governo impedido exige enfrentamento dramático das ordens distorcidas nos campos tributário, previdenciário, político e trabalhista. É um buraco negro malcheiroso, com muitas surpresas a aparecerem no bojo da Lava-Jato. Esta operação luta para trazer dignidade à política e respeito ao povo e devolve a confiança que haverá, de fato, limpeza e punição dos culpados. A impunidade e a resiliência deixam espaços e refúgios dos quais não temos ideia.

Enquanto as ações correm, o agronegócio não pode esperar por elas! Segue plantando, cultivando e gerando riquezas. Vai produzindo, sem cortar empregos.

Como os primeiros passos foram dados, a confiança dos elos das cadeias e a confiança do consumidor sobem. A ABAG engrossará seus esforços na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para encontrarmos soluções para as questões aqui expostas. Não podemos nos iludir: teremos de tirar as pedras existentes no caminho, mesmo que o ônibus da esperança derrape. Esse é o custo de mudar!