Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

2ª Reunião Canaplan 2016

Reavaliação da safra 2016/17 e projeção da safra 2017/18

Dezembro de 2016

A Canaplan realizou a sua segunda reunião anual, em outubro último, para reavaliação das projeções da safra canavieira da região Centro-Sul elaboradas na primeira reunião anual, em abril de 2016, com o apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

VISÃO GERAL DA SAFRA 2016/17

AS CONDIÇÕES da safra foram estressantes para um canavial envelhecido. As variações climáticas foram radicais, a começar com seca e elevadas temperaturas durante abril e maio de 2016. Depois, quando quase metade da lavoura estava pronta para a emissão de flor, vieram três geadas e mais uma seca.

2ª Reunião Canaplan 2016

2ª Reunião Canaplan 2016

2ª Reunião Canaplan 2016

2ª Reunião Canaplan 2016












Na primavera de 2015 e no verão de 2016, assistimos a níveis parecidos de precipitação pluviométrica nas diferentes regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro. No entanto, de abril de 2016 a setembro de 2016, como as chuvas tiveram um intervalo de variação mais intenso, os impactos sobre a produtividade agrícola e a qualidade da matéria-prima também não foram iguais.

De fato, as chuvas em excesso a partir de novembro de 2015 a março de 2016, seguidas de seca de abril a setembro de 2016, geraram fatores negativos ao canavial em termos de produtividade agrícola, que deverá atingir algo em torno de 78 toneladas por hectare. Com relação ao nível de açúcares totais renováveis (ATR) para a safra 2016/17, a tendência é de girar ao redor de 133 quilos por tonelada de cana processada. Este valor fica bem abaixo do que já se observou em safras anteriores. Tanto para a produtividade agrícola, como para a qualidade das canas colhidas, o resultado não foi bom.

Os efeitos do excedente hídrico foram:

- Apodrecimento de raízes e - radicelas- , tornando o sistema radicular ineficiente;

- Redução da taxa de respiração celular e evapotranspiração;

- Redução na absorção de nutrientes, em especial do nitrogênio;

- Redução na taxa de fotossíntese da ordem de 50%; e

- Alterações morfológicas, como alongamento dos entrenós, menor diâmetro de colmos, aumento da proporção palmito/colmo e aparecimento de raízes adventícias.

Com ritmo avançado, a safra mostrava uma perspectiva clara de término da moagem na maioria das unidades industriais até o final de novembro. Tratava-se de uma situação bem diferente do que a vivida na safra 2015/16, quando o processamento avançou no primeiro trimestre de 2016.

2ª Reunião Canaplan 2016

2ª Reunião Canaplan 2016

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A acelerada introdução da mecanização agrícola na colheita de canas cruas, em pleno período de aprendizado, levou a uma expressiva redução dos níveis obtidos de açúcares recuperados nos últimos dez anos. Entre as safras 2006/07 e 2016/17, há um efeito “manada" entre as usinas para a adoção dessa prática, com clara redução de produtividade e qualidade.

Assim, na safra 2016/17, novamente se observou o atingimento de um verdadeiro “teto" da produção na região Centro-Sul (onde se concentram 90% da produção brasileira total): ao redor de 80 milhões de toneladas de ATR.

Nos últimos anos, um dos pontos mais desfavoráveis tem sido a redução efetiva do plantio de novos canaviais. Com isso, as lavouras se envelhecem, com perda na capacidade industrial e no rendimento agroindustrial. Todos os aspectos citados deram suporte à reavaliação de outubro de 2016.


AMBIENTE ECONÔMICO DESFAVORÁVEL

Nos últimos anos, houve uma verdadeira destruição econômica setorial, em função de políticas públicas inadequadas. Na verdade, os altos níveis de desconfiança foram gerais, em toda a economia do País, enquanto a elevada inflação derretia o real e os juros ficavam escorchantes.

A realidade setorial mostra enorme dispersão dos dados entre os diversos grupos de produtores da agroindústria canavieira, com dívida líquida bancária média crescente em reais por tonelada de cana-de-açúcar. O nível médio de endividamento é estimado em R$ 94 bilhões pelo Rabobank.

Na visão da macroeconomia e da política, a expectativa é de um início efetivo de recuperação da economia brasileira, com a tendência de o PIB crescer 2% em 2017 e ao menos 4% em 2018.

2ª Reunião Canaplan 2016

Em abril de 2016, a previsão traçada pela Canaplan ficou muito abaixo das projetadas pelas empresas setoriais. O andar da safra 2016/17 na região Centro-Sul mostrou queda acelerada da produtividade agrícola quando comparada com as das safras anteriores. É importante observar que o nível mais elevado da produtividade agrícola na fase inicial da safra se deveu muito ao elevado volume das chamadas canas de dois verões (canas bis).


LAMPEJOS PARA A SAFRA 2017/18

Mesmo muito cedo para qualquer projeção, dada a realidade do mundo tropical em termos de clima, alguns fatores com relação à safra 2017/18 no Centro-Sul brasileiro merecem considerações.

Em 2016, além de ficarem fragilizados com as secas e as geadas, os canaviais tiveram uma taxa de renovação baixa, em torno de 10%. Para 2017, há três pontos a se considerar. Primeiramente, como a taxa de renovação terá de ser compensada a maior, haverá menor espaço de cana para moagem. Em segundo lugar, a menor participação da cana planta (de primeiro corte) reduz a produtividade agrícola e aumenta a idade do canavial. E, finalmente, a menor quantidade de cana em pé deixada no campo contribui para a menor produção.

Muitas usinas seguem muito endividadas e com dificuldades para gerarem caixa no cenário de juros altos. O investimento para a manutenção dos níveis de produtividade geral ficou 25% abaixo na safra 2016/17, segundo o Itaú BBA. Em síntese, espera-se menor área de colheita, com menor produtividade agrícola. Deste modo, a projeção inicial da Canaplan é de que a safra 2017/18 do Centro-Sul será menor do que a safra 2016/17.