Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Cooxupé

Cooperativa orienta cooperado para o combate à broca-do-café

Dezembro de 2016

A BROCA-DO-CAFÉ se tornou um problema fitossanitário grave, tanto para a cultura do cafeeiro Conilon, como para a do Arábica, com a queda prematura dos frutos e a redução do peso dos grãos (dano quantitativo). A praga causa, também, a diminuição da qualidade do café, por meio da alteração no tipo, e, às vezes, da bebida (dano qualitativo). A perda começa na lavoura e se alastra por todo o setor.

Em 9 de agosto de 2010, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 28, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleceu a data de 31 de julho de 2013 como último dia de comercialização e uso legal no Brasil de produtos à base de endosulfan. Seu banimento é devido a ele fazer parte dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), considerados como tendo efeitos nocivos para a saúde humana e o meio ambiente pela Convenção de Estocolmo, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), do qual o Brasil é signatário.

Desde a proibição do endosulfan, considerado de eficiência no controle da broca-do-café no Brasil, produtores e entidades responsáveis pela produção, pela comercialização e pela exportação do grão de café buscam um substituto para que a praga seja devidamente combatida.

Sem proteção sanitária adequada, as safras cafeeiras do Brasil de 2013, 2014, 2015 e 2016 ficaram comprometidas. O nível de infestação da broca aumentou em dez vezes em relação aos anos anteriores. Isso acarretou prejuízos tanto para o produtor, com a queda de preço em função da qualidade do grão, quanto para o mercado, que necessita corresponder às exigências de certificações da indústria e do consumidor.

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) ratifica que existe, sim, uma preocupação para a safra 2016/17 quanto à ocorrência de um ataque significativo da praga. A orientação junto aos mais de 13 mil cooperados é constante sobre o perigo iminente desta infestação e as medidas preventivas para evitá-la.

Quem é a broca-do-café?

Hypothenemus hampei é o nome científico da praga, sobre a qual se pode dizer que, atualmente, é a segunda mais importante da cafeicultura nacional, ficando atrás apenas do bicho-mineiro. Originária da África Equatorial, a broca chegou ao Brasil, no estado de São Paulo, por volta de 1913, com sementes importadas da África e de Java. Nos dez anos seguintes, a praga disseminou-se pelos cafezais da região de Campinas, importante polo produtor na década de 1920, e se espalhou pelo restante do estado e por outras regiões do País.

Os prejuízos

O ataque severo da broca-do-café danifica diretamente e interfere na qualidade do fruto, causando sérios danos à safra do ano. Ao cafeicultor, a praga provoca: a queda de frutos perfurados; a perda em aspecto, tipo e qualidade, impactando no preço; e a redução do peso das sementes (grãos) danificadas. Tudo isso diminui a renda do café coco/beneficiado.

Como não ficam apenas dentro da propriedade rural, os problemas refletem-se em todos os agentes participantes do mercado do grão. É o caso das cooperativas e dos armazéns que são comprometidos com o aumento de custo. A necessidade de repasse do café eleva o gasto de energia e mão de obra e o desgaste prematuro dos equipamentos. Os resultados são uma queda na competitividade diante dos concorrentes externos e perda de clientes.

O esforço da cadeia produtiva do café

De acordo com Francisco Donizete da Cruz, gerente de Controle de Qualidade da Cooxupé, o combate à broca é um trabalho em conjunto com várias frentes. “Exige um esforço de toda a classe envolvida na atividade, incluindo órgãos governamentais, cooperativas, exportadores e equipes de assistência técnica. O Brasil conquistou uma boa fatia do mercado, e não queremos perder espaço para países de outras origens que estão tentando conquistar o mercado internacional”, afirma.

Segundo Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), existe uma restrição de toda a cadeia consumidora em relação ao café, por conta da broca. “Em 2014, a Anvisa criou a RDC nº 14, que prevê uma quantidade específica de microrganismos nos alimentos. Com o aumento da broca nos cafezais, o grão foi altamente prejudicado nesse sentido. Tanto a ABIC quanto as empresas atuantes no segmento do café trabalham para o restabelecimento do controle da praga. Infelizmente, como o endosulfan foi retirado do mercado sem um substituto, há um intenso debate entre entidades, pois não podemos e não temos tempo para esperar um novo produto ser desenvolvido”, revela.

O presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa, destaca que os cooperados são alertados sobre a época e as formas de controle da broca-do-café. “Há vários controles que os produtores podem fazer para combater esta praga, como o cultural, o biológico, o físico e o químico, já que é possível encontrar algumas alternativas de inseticidas, apesar de serem poucas. Mantemos uma equipe de assistência técnica gratuita para que os nossos associados possam esclarecer suas dúvidas sempre que quiserem. O monitoramento das lavouras e o manejo integrado de pragas ajudam bastante o produtor a evitar a infestação da praga na lavoura”, explica.