Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Mercado de soja

Balanço e expectativas para a safra 2016/17

Dezembro de 2016

A EXPECTATIVA de um clima mais favorável na safra 2016/17 sinaliza uma rentabilidade melhor para a cultura de soja, com estimativas médias de lucro de R$ 915,79 por hectare, no Mato Grosso, e R$ 1.440,66 por hectare, no Paraná.

O mercado de soja em 2016 foi marcado pela influência da supersafra norte-americana e pela taxa de câmbio. Com relação ao clima, o cenário foi favorável nos Estados Unidos, mas bastante negativo no Brasil.

De março a junho, os preços subiram em valores reais em função, basicamente, de dois fatores: primeiro, a produção brasileira na safra 2015/16 foi menor em função do clima adverso; segundo, houve a chegada da entressafra e a menor disponibilidade do produto no mercado interno. Durante junho, a saca de 60 quilos bateu R$ 95,00 em Paranaguá-PR.

A partir daí, a expectativa de recorde na produção norte-americana (2016/17) pesou mais fortemente no declínio das cotações nas bolsas internacionais, com reflexo direto nos preços praticados no Brasil. Nesse período, com a queda do dólar em relação ao real, aumentou a pressão de baixa no mercado brasileiro, com a saca retornando a patamares próximos de R$ 77,00 por saca em Paranaguá.

Mercado de soja

Recentemente, em meados de outubro e novembro, a forte demanda mundial pela soja norte-americana fez os preços em dólares subirem. A alta no mercado internacional, porém, teve pouca repercussão sobre as cotações no mercado brasileiro, com baixa movimentação neste final de ano.

A maior produção nos Estados Unidos na temporada 2016/17 deverá ser o fator limitante para os aumentos de preços. A questão da oferta maior, porém, já foi precificada nos últimos meses, com quedas fortes dos preços em dólares.

Com a colheita praticamente concluída em novembro, a safra norte-americana foi estimada em 118,69 milhões de toneladas, frente a 106,86 milhões de toneladas colhidas em 2015/16. A expectativa é de preços ao redor de US$ 10,00 por bushel, ou seja, abaixo dos US$ 11,00 – US$ 11,50 por bushel na safra passada.

Com os preços pressionados para baixo, diminuiu a comercialização antecipada do grão. No Mato Grosso, até o final da primeira quinzena de novembro, 36,3% da soja da safra 2016/17 foram negociados para entrega futura. Para uma comparação, na safra passada, nesse mesmo período, mais da metade da produção (53,1%) havia sido comercializada antecipadamente.

No Paraná e no Rio Grande do Sul, a comercialização da safra 2016/17 não chegou a 20,0% até meados de novembro, segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná (DERAL) e dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS).

Agora, fica a expectativa com relação às exportações e à demanda mundial aquecida, como fatores de sustentação dos preços contra a maior disponibilidade na temporada pesando negativamente sobre as cotações.

RENTABILIDADE

A perspectiva de queda de preço foi acompanhada da queda do custo de produção – de 14,5% na temporada 2016/17 frente à de 2015/16 –, com os menores preços dos fertilizantes.

Com o clima favorável, espera-se, também, uma produtividade média melhor nesta temporada, frente à passada. Com isso, a rentabilidade média da cultura deverá melhorar em 2016/17. Com base no capital médio (capital imobilizado em maquinários, benfeitorias e terra), estima-se uma rentabilidade de 9,29% no Mato Grosso, frente a 3,69% no ciclo que se encerrou. O lucro por hectare está estimado em R$ 915,79 na safra atual.

Mercado de soja

Fazendo a mesma análise para a região de Ponta Grossa, no Paraná, a estimativa é de uma rentabilidade média de 5,20% em 2016/17, frente a 3,60% na safra passada. O lucro esperado é de R$ 1.440,66 por hectare. A queda nos custos de produção e a previsão de melhoria na produtividade média têm pesado mais do que a queda no preço da soja.

Para o agricultor, a sugestão é aguardar para negociar a safra 2016/17. Além da pressão da safra maior nos Estados Unidos, a partir de janeiro de 2017 o mercado deverá perder sustentação com a colheita no Brasil – isso considerando um cenário de normalidade de clima.

Historicamente, o mercado tende a se firmar entre maio e agosto, em função da entressafra no Brasil – que, neste período, está se preparando para semear a nova safra – e de os Estados Unidos estarem com as lavouras em fase de desenvolvimento.

Agora, vale a pena ficar de olho no câmbio. O dólar pode, pontualmente, oferecer oportunidades de comercialização da produção. Até a colheita brasileira começar, há muita água para rolar.