Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agrodrops

Dezembro de 2018

Golden share fundiária

Entre as propostas de medidas analisadas pela equipe de transição do novo governo, especula-se a inclusão de uma espécie de “golden share fundiária” nas compras de terras por estrangeiros. Este mecanismo conferiria participação acionária minoritária ao Estado no empreendimento, mas com poderes especiais para estabelecer metas de hectares plantados com culturas e pastagens. Isso permitiria um aumento na produção das commodities voltadas às exportações. Além disso, muitos ativos da União poderiam ser vendidos e negociados nessas condições, com maior liquidez para o mercado de terras.

Queda no subsídio agrícola

A taxa Selic caiu para o seu menor nível histórico, de 12,5% para 6,5%, de 2015 aos dias atuais. Isso reduziu os gastos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para subsidiar as operações de crédito rural com taxas de juros controladas, o correspondente a cerca de 40% do total concedido em cada safra. Já a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos Públicos, de 2016, limita os subsídios nos próximos anos. O aumento no tamanho das safras dependerá muito de como se remanejarem os recursos escassos para atender o crédito e o seguro rural. Desatar esse nó será um desafio para o próximo governo.

Queda no subsídio agrícola

Seguro e resseguro no agro

Deslanchar o seguro rural representa um dos grandes desafios do agro brasileiro. O Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) é um dos instrumentos utilizados para o pagamento das obrigações financeiras relativas ao seguro rural de custeio dos pequenos e dos médios produtores. Quando as indenizações dos sinistros superam os prêmios arrecadados (em torno de R$ 5 bilhões por ano), os cofres públicos cobrem a diferença. A proposta é utilizar a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), empresa pública, para fazer o resseguro da carteira do Proagro.

Tecnificação na produção de leite

Depois que a produção de leite sob inspeção no Brasil caiu em 2015 e 2016, ela subiu em 2017. Para este ano, deve ficar estagnada. Na entressafra, de abril a outubro, houve a greve dos caminhoneiros mais o aumento dos custos de produção com a alta do dólar. O preço do leite UHT ao consumidor praticamente dobrou para R$ 4,10/litro. Sem pressão do dólar, com a chegada do período de safra, o mercado volta ao normal. O setor passa por intensa mudança, com sistemas de produção mais tecnificados. De 2014 a 2017, o número de vacas ordenhadas no rebanho nacional teve queda, mas a sua produção per capita aumentou. Para 2019, o mercado está mais ajustado entre oferta e demanda.

Tecnificação na produção de leite

Tecnificação na produção de leite

Surto de peste suína na China

Líder na produção e no plantel mundial de suínos, a China enfrenta a epidemia de peste suína africana. O surto apresenta dimensões inéditas, e há risco de contaminação global. Para os frigoríficos brasileiros, além da guerra comercial com os Estados Unidos, os problemas sanitários na China devem contribuir para a recuperação do fraco desempenho nos embarques da indústria nacional. Outra notícia positiva foi a retomada das compras da Rússia (principal importador dos produtos nacionais), suspensas desde novembro do ano passado.

Surto de peste suína na China

Surto de peste suína na China

Valorizar a proteína animal brasileira

O objetivo é fortalecer a imagem da proteína animal brasileira no mercado internacional, a começar pela União Europeia, tendo como alvos prioritários a Alemanha, a Bélgica, a França e o Reino Unido. A campanha foi lançada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no Salon International de l’Alimentation (SIAL), em Paris (França). O trabalho envolve ações em feiras e outras iniciativas de promoção de imagem junto aos stakeholders e ao público consumidor, mostrando a qualidade diferenciada, o status sanitário e o perfil sustentável da produção nacional.

Dez anos de milho transgênico

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou o milho transgênico para comercialização em 2007. O seu lançamento comercial ocorreu na safra 2007/08. De lá para cá, a taxa de adoção da semente aumentou para 85%. O sucesso do milho 2a safra produzido no Brasil deve-se a essa tecnologia. 

Comitê estratégico soja brasil (Cesb)

O Desafio de Máxima Produtividade comemora o seu décimo ano. Nesse período, o número de produtores inscritos passou de 140 para 55.000 – um crescimento espetacular. Isso demonstra o crescente interesse pela produtividade por parte de todo o sistema produtivo de soja no Brasil: agricultores e fabricantes de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas. Os vencedores da premiação demonstram a capacidade de difusão e incorporação no campo do conhecimento tecnológico. Pela segunda safra consecutiva, a média da produtividade brasileira rompe o patamar de 50,0 sacas por hectare.

Comitê estratégico soja brasil (Cesb)

Cumprimento da Cota Hilton à União Europeia

Levando-se em conta o período de julho de 2017 a junho de 2018, o Brasil atingiu a metade da cota instituída em 2010, de 10 mil toneladas. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o número de propriedades habilitadas é de 1,6 mil nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do País, desde 2014. A carne deve ser de animais terminados a pasto e com rastreabilidade desde a desmama. Os animais precisam ter até 36 meses e peso mínimo de 14 arrobas. O melhor resultado aconteceu na temporada 2015/16, com embarques de 9,29 mil toneladas, ou 92,9% da cota. O novo governo deverá negociar com o bloco as regras mais rígidas impostas contra as exportações nacionais.

Fortalecimento do crédito rural

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) nº 7.740/17, para fortalecer o crédito rural. O relatório é de autoria do deputado Sérgio Souza (MDB/PR), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na região Sul. A proposta estende aos bancos privados e às confederações de cooperativas de crédito o mecanismo de equalização de taxas de juros e outros encargos financeiros. Isso incentivará o destino de verbas para atividades rurais com taxas de juros atrativas. Os agricultores terão oportunidades de investirem em seus negócios sem terem os faturamentos comprometidos.

Biomassa na matriz energética do Brasil

Em 2017, a biomassa segue como a segunda fonte de geração mais importante do Brasil na Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE), à frente do gás natural. Em primeiro lugar, está o petróleo. Compõem a biomassa o bagaço e a palha de cana, os resíduos de madeira na produção de celulose, o biogás, a casca de arroz, entre outros.

Biomassa na matriz energética do Brasil