Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

2ª Reunião Canaplan 2018

Reavaliação da safra 2018/19 e perspectivas para a safra 2019/20

Dezembro de 2018

Clara opção pela produção de etanol

Na abertura do evento, Caio Carvalho abordou os riscos internos principais no Brasil, como o déficit fiscal e o baixo investimento público por vários anos. O ano de 2018 caracteriza-se como difícil e complexo, dada a clara opção do setor sucroenergético pela moagem das canas para o etanol na região Centro-Sul brasileira. Com um mix de produção de açúcar abaixo de 36%, o setor produtivo tomou a decisão correta em face dos melhores preços relativos do etanol frente aos do açúcar, mas tendo de enfrentar subida nos custos de produção e queda na produtividade agrícola.

Foram salientados os aspectos-chave da safra 2018/19, em desenvolvimento, como o baixo índice de renovação do canavial na safra 2017/18, de 12%, para a colheita na safra 2018/19. Isso levou a planta a uma idade média mais elevada e uma maior exposição ao clima. A forte seca durante o período de março a agosto de 2018, aliada aos fatores associados ao endividamento e a dificuldades de acesso da maioria das unidades produtoras ao crédito, além da redução da área de colheita, explicita a visão cada vez mais complexa do processo para a recuperação setorial. Afinal, o impacto disso tudo significou o aumento efetivo dos custos de produção.

2ª Reunião Canaplan 2018

Em termos de perspectivas, há indícios e análises importantes de diferentes preços do petróleo e impactos sobre os preços do etanol na perspectiva do cenário traçado de 2019 a 2020 pelo Rabobank. O estudo possui como premissas o sistema de precificação da gasolina e a estrutura tributária atuais.

As perspectivas de petróleo com preços entre US$ 60 e US$ 70 por barril permitem antever o etanol hidratado equivalente ao açúcar n° 11 (NY) ao redor de US$ 15 c/lb, com preços do produto na bomba equivalentes a 65% dos preços da gasolina.

Debateu-se, também, a importância da regulação final do RenovaBio em 2019, já com o próximo governo eleito, para passar a valer a partir de janeiro de 2020.

No painel dos produtores de insumos modernos e máquinas, foi discutida a produtividade agrícola, com coordenação de Paulo Rodrigues (Condomínio Agrícola Santa Izabel) e participação dos painelistas Antonio Marcos Corder (MICROGEO®), Carlos Graminha (John Deere), Carlos Peres (Arysta LifeScience), Fábio de Carvalho (Corteva), Nilton Degaspari (BASF), Leonardo Brusantin (FMC), Leonardo Pereira (Syngenta) e Paulo Donadoni (Bayer).

O painel versou sobre a enorme dispersão de resultados obtidos nas unidades industriais do Centro-Sul na safra 2018/19 até a posição de 1º de outubro de 2018.

Na opinião desses profissionais e da plenária, quando consultados, a idade do canavial foi, sem dúvida, o mais importante fator para a queda da produtividade média setorial. Foram analisadas as ações quanto ao uso de fertilizantes e defensivos ainda em 2018 para o maior desenvolvimento das canas para a safra 2019/20 vindoura. Notou-se grande preocupação referente à idade do canavial.

A equipe Canaplan apresentou a sua reavaliação da safra 2018/19 e um primeiro olhar para a safra seguinte, 2019/20. Ciro Sitta mostrou a melhoria da qualidade das canas no Centro-Sul e a piora da produtividade agrícola em relação à safra 2017/18.

A queda acumulada da produtividade é expressiva até a posição de 1º de outubro de 2018 no Centro-Sul, o que leva, no final, a um resultado – em toneladas de Açúcares Totais Recuperáveis por hectare (ATRs/ha) – bem abaixo da banda relativa às últimas cinco safras.

É relevante observar o fato de a queda na produtividade agrícola acumulada até 1º de outubro de 2018 mostrar grande variação, sendo que 72% das unidades registraram isso, enquanto 28% delas apresentaram ganhos de produtividade.

Nilceu Cardozo fez uma avaliação do efeito clima e tomou 2014 como referência comparativa, pela razão de ter sido um ano muito seco também. Percebeu-se uma menor precipitação pluviométrica de abril a setembro de 2018 em relação a 2014 e uma produtividade menor em 2018 devido ao canavial estar mais envelhecido.

2ª Reunião Canaplan 2018

Analisando os limites da recuperação, Nilceu explicou o crescimento efetivo do uso do Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente, conhecido como Meiosi, no plantio. Isso levou ao menor uso de mudas e, como consequência, a uma maior moagem de canas. Já a moagem de canas mais jovens nos dois primeiros terços da safra provocou a queda brusca da produtividade agrícola no terço final da safra.

Citando detalhadamente uma involução setorial pelo envelhecimento do canavial em face de menores taxas de renovação há anos, o desenho do canavial do Centro-Sul tende à redução.

Para os próximos anos, será fundamental reverter o comportamento dos plantios.

Bernardo Ide fez uma análise sobre a biometria dos canaviais, em que foram amostradas canas no estado de São Paulo, com a percepção de canas “atrasadas", mas perfilhadas e que, dependendo das condições do verão de 2019, podem reagir ao seu atual menor estágio de desenvolvimento vegetativo.

Na apresentação da avaliação final, Caio Carvalho mostrou as expectativas do final da safra 2018/19, já incluindo o mês de março de 2019, ainda considerado como safra 2018/19.

Como primeira visão da safra 2019/20, pode-se antecipar o seguinte:

- 2019 será um ano de mudanças políticas e o ano do - RenovaBio- .

- Haverá tendência de redução da área- de produção.

- Segue o envelhecimento do canavial.

- Haverá mudanças estruturais com o - Meiosi- , a idade do canavial e a estratégia de colheita.

- A safra será - alcooleira- , com a Ásia produzindo- açúcar - e o petróleo segurando o etanol.

- Custos subirão, e as margens serão apertadas para o produtor.

- Em um clima provável, mesmo com os canaviais envelhecendo, as chuvas do final de inverno e da primavera, antecipadas, ajudarão na produção de 2019, de forma a até manter a oferta citada.

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