Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

CNC

Gestão e tecnologia

Dezembro de 2018

AÇÕES PARA A SUSTENTABILIDADE DA CAFEICULTURA

SILAS BRASILEIRO, PRESIDENTE EXECUTIVO DO CONSELHO NACIONAL DO CAFÉ (CNC)

O CNC participou da Semana Internacional do Café (SIC), realizada de 7 a 9 de novembro último, em Belo Horizonte-MG, e de uma série de eventos organizados pela Plataforma Global do Café (GCP, na sigla em inglês) durante a feira.

No dia 8, com um discurso para aproximadamente 350 pessoas, tive a honra de abrir a Conferência Global de Sustentabilidade do Café 2018, considerado o maior evento mundial sobre o tema na cafeicultura.

Promovida pela GCP, a Conferência reuniu 45 palestrantes e painelistas de quinze países e de todos os elos da cadeia para debater temas fundamentais relacionados à sustentabilidade da cafeicultura, inclusive a viabilidade econômica da atividade.

As cooperativas que o CNC representa congregam milhares de pequenos cafeicultores e têm sido um importante esteio da sustentabilidade há décadas, oferecendo soluções inteligentes e integradas de acesso a insumos, tecnologias e serviços de assistência técnica e mercadológicos, principalmente de proteção contra a volatilidade dos preços.

As atividades desenvolvidas no âmbito da GCP no País vêm somar-se a essa tradicional base cooperativista de suporte aos produtores de Arábica e Conilon, para torná-los mais eficientes, melhores gestores e mais resilientes às oscilações do mercado.

No Brasil, a Plataforma desenvolve, também, uma agenda público-privada de grande relevância, em que o Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC) e os seus itens fundamentais, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU) e os seus indicadores, permitem avaliar a sustentabilidade das regiões produtoras.

Creio que seja possível, com esse trabalho, criar um processo que facilite o acesso a mercados e agregue valor, assim como permita a canalização de recursos para abordar os desafios da sustentabilidade em seus âmbitos social, ambiental e, principalmente, econômico.

Ressalto, ainda, que o pilar econômico da sustentabilidade geralmente é o menos lembrado, embora seja o arrimo das dimensões ambiental e social. Diante disso, convido o comércio de café, a indústria, o varejo e a sociedade civil para dialogar com os produtores e seus representantes e buscar maneiras de viabilizar a sustentabilidade econômica dos cafeicultores, sem a qual, reforço, fica muito difícil garantir a sustentabilidade ambiental e social.

BRASIL SEDIARÁ A 2ª EDIÇÃO DO FÓRUM MUNDIAL DE PRODUTORES DE CAFÉ

PAULO ANDRÉ C. KAWASAKI, DIRETOR DE COMUNICAÇÃO DO CNC

O CNC definiu, em outubro, que o Brasil será palco da 2ª edição do Fórum Mundial de Produtores de Café (WCPF, na sigla em inglês) em 10 e 11 de julho de 2019, a ser realizada no Royal Palm Plaza Resort, em Campinas-SP. Os conselheiros Vanusia Nogueira e José Marcos Magalhães coordenarão os trabalhos para a realização do evento e validarão as ações junto aos demais membros.

Criado em 2017, o evento é um ambiente de discussão, com agenda preparada pelos cafeicultores, a fim de alcançar os caminhos mais sustentáveis para a atividade cafeeira global. Desde a 1ª edição, na cidade de Medellín, na Colômbia, os cafeicultores mundiais vêm demonstrando insatisfação com os preços praticados no mercado, que mal cobrem os custos de produção em muitas nações produtoras, inclusive no Brasil.

Além disso, destacam os grandes desafios que enfrentam na atividade, como a sustentabilidade econômica do setor produtor, os níveis de produtividade das lavouras, a volatilidade do preço nos mercados internacionais e as adversidades climáticas. Com base nisso, estes temas foram elencados para as discussões do 2º WCPF.

No encontro de 2019, por indicação da Colômbia, o professor Jeffrey Sachs apresentará um estudo intitulado “Análise Econômica e Política para Melhorar os Rendimentos dos Pequenos Produtores de Café", encomendado pelo WCPF e dirigido pelo professor junto ao Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia.

“O 1º WCPF, na Colômbia, despertou a conscientização e o interesse de todas as partes interessadas para garantir a sustentabilidade econômica dos cafeicultores em todo o mundo e encontrar maneiras de ter uma cadeia de valor sustentável, da fazenda à xícara. O 2º WCPF levará esse diálogo ao próximo nível", informa Juan Esteban Orduz, da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC).

Nessa 2ª edição, o Brasil e os demais países produtores, tal como expressaram no 1º evento, seguirão com os esforços, considerarão as ações necessárias para solucionar cenários que comprometam a oferta futura de café e convidam todos os elos da cadeia produtiva para o evento, com o intuito de atuarem de maneira conjunta e corresponsável.

“O Brasil, como o maior produtor global, tem muito orgulho de sediar o 2º WCPF. Toda a cadeia, da fazenda à xícara, continuará enfrentando os muitos desafios que se apresentam à produção cafeeira, o que só poderá ser resolvido por meio da cooperação construtiva, levando em consideração as peculiaridades de cada produtor", comentou Silas Brasileiro, presidente do CNC.

COMO ENFRENTAR A VOLATILIDADE DO MERCADO?

PAULO ANDRÉ C. KAWASAKI, DIRETOR DE COMUNICAÇÃO DO CNC

O mercado cafeeiro bateu cotações mínimas neste ano, abaixo de US$ 1 por libra-peso, na Bolsa de Nova York, a principal plataforma de comercialização mundial. A queda foi refletida no rendimento de vários produtores pelo Planeta. Muitos deles viram-se em dúvida sobre quais decisões tomar diante das fortes oscilações de preço.

Em entrevista à Agroanalysis, Lúcio Dias, superintendente de Operações e Comercial da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), transmite ricas orientações sobre como o produtor deve administrar cenários turbulentos.

Agroanalysis: Como o cafeicultor deve proteger-se contra as quedas de preço?

Lúcio Dias: Realmente, as cotações caíram bastante, mas, no caso do cafeicultor brasileiro, a desvalorização do real ajudou a segurar os preços recebidos. Recomendamos que os produtores sejam rigorosos no controle de suas despesas e que não tomem financiamento para estocagem quando o mercado remunerar a atividade. A pegada está em vender a produção, tanto a física, quanto a futura, para diminuir o endividamento, quando o mercado quiser comprar e não quando o produtor precisar do dinheiro.

Agroanalysis: No Brasil, as cooperativas apresentam ferramentas para que os produtores se protejam dessas oscilações?

LD: Trabalhamos bastante. Esclarecemos e buscamos mecanismos para os produtores aproveitarem as conjunturas favoráveis do mercado. Esses momentos são para transformar para melhor as suas situações. Hoje, os nossos produtores mandam no negócio. É uma realidade muito diferente da do passado. A presença das cooperativas é fundamental. Na sua ausência, os produtores colhem e vendem a qualquer preço.

Agroanalysis: O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) pode contribuir com as cooperativas e os produtores nos cenários de preços baixos no mercado?

LD: O Funcafé não pode e não deve ser utilizado para especulação. A sua gestão deve ser utilizada para capital de giro. Representa recursos estratégicos para que as cooperativas paguem o café de seus associados, enquanto vendem com serenidade no mercado futuro nas ocasiões de melhores preços.

Agroanalysis: Diante das oscilações mercadológicas, qual é a recomendação para que os produtores não se vejam reféns da volatilidade, almejando renda e lucros?

LD: O conhecimento de seus custos é a informação básica. Os produtores precisam planejar para acessar as linhas de crédito formadas com cooperativas e exportadoras de modo a atuarem no mercado no momento mais oportuno.

Agroanalysis: Na safra 2017/18, houve um momento crítico de baixos preços. Muitos agricultores pediram a intervenção governamental no mercado. Este seria o caminho?

LD: As intervenções são terríveis para o mercado. Estas decisões podem ajudar quando ocorrem, mas as saídas são complexas. Outro problema está no incentivo para aumentar a produção, tanto no Brasil, quanto em nossos concorrentes mundo afora.

Agroanalysis: Como profissionalizar os produtores de regiões onde os custos de produção são mais elevados?

LD: Atualmente, esta é uma ação fundamental. O melhor caminho a ser tomado pelos produtores segue no sentido de que se capitalizem e cuidem da gestão. Desta maneira, paralelamente, devem fazer a renovação e a mecanização das lavouras, com a eliminação dos cafezais velhos e improdutivos.

NO SÉCULO XXI, EVITAR OS RISCOS DO PASSADO

BRENO MESQUITA, PRESIDENTE DA COMISSÃO NACIONAL DO CAFÉ DA CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA)

MACIEL SILVA, ASSESSOR TÉCNICO DA COMISSÃO NACIONAL DO CAFÉ DA CNA

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Eventos meteorológicos e de mercado são conhecidos fatores de risco da atividade cafeeira. Quem nunca ouviu falar da queima do café de 1931, após a disruptura da economia mundial, com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929? Essa foi uma tentativa do então presidente, Getúlio Vargas, de reduzir a oferta de café e elevar os preços da commodity. Isso se caracterizou como uma drástica interferência governamental no mercado.

A geada negra de 1975 constitui outro fato histórico da cafeicultura nacional. Houve uma dizimação dos cultivos do Paraná, que, na época, era o maior produtor nacional, ocasionando uma redução drástica da produção nacional.

Esses registros demonstram os riscos vivenciados pela atividade e as implicações sociais e econômicas para o País. Frente a isso, diversas iniciativas foram executadas para regular os resultados econômicos da cafeicultura. Uma delas resultou na criação do Funcafé, em 1986, cujos recursos se encontram disponíveis para financiamento do setor até os dias atuais.

No entanto, com a evolução tecnológica no campo e as ferramentas de gestão de risco já disponíveis, o Brasil precisa ir além. Os financiamentos e as políticas de interferência no mercado não mais garantem sustentabilidade econômica para a atividade. Isso pode ser corroborado pelas inúmeras renegociações de dívidas realizadas nas últimas décadas. Assim, a CNA considera que a melhoria da gestão, a redução dos riscos e a agregação de valor na produção devem somar-se a esses instrumentos no processo evolutivo da cafeicultura.

Em 2018, as ações da CNA promoveram adequações nos financiamentos, com a ampliação do período de disponibilização dos recursos e a redução do spread bancário do Funcafé. Para 2019, o nosso trabalho será no sentido de aprimorar e popularizar o seguro rural e as ferramentas de hedge, viabilizando o acesso dos pequenos cafeicultores a eles.

Quanto à gestão, o sistema CNA/SENAR, por meio do projeto Campo Futuro, há onze anos, busca maiores eficiência, competitividade e renda para os cafeicultores. Mais recentemente, o programa de Assistência Técnica e Gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) também assumiu essa missão. Até o momento, já são 1.595 propriedades de café atendidas e 22.989 visitas (dos técnicos aos produtores) já realizadas.

Como acredita que a agregação de valor deve somar-se ao processo de gestão, a CNA buscará a modernização dos modelos de comercialização, além da ampliação e da valorização da produção de cafés especiais. Com isso, os cafeicultores brasileiros deverão comercializar tão bem quanto produzem.

Necessitamos de um maior engajamento governamental e da cadeia produtiva em prol da gestão de risco aos cafeicultores. Só assim o Brasil terá mecanismos de garantia de renda condizentes com a cafeicultura do século XXI. Essa é a condição para mantermos o nosso papel de destaque no cenário mundial, suprindo a demanda crescente por cafés de qualidade e sustentáveis.

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CAFÉ PARA O MUNDO

MARCOS MATOS, DIRETOR-GERAL DO CONSELHO DOS EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL (CECAFÉ)

EDUARDO HERON, DIRETOR TÉCNICO DO CECAFÉ

O agronegócio de café, representado pelos segmentos da produção, da indústria e da exportação, tendo como alicerces a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação, é motivo de orgulho nacional tanto no mercado interno, quanto no mercado mundial.

De acordo com o levantamento do CECAFÉ, estima-se que o setor fechará o ano de 2018 registrando um número total embarcado entre 34 milhões e 35 milhões de sacas de 60 kg vendidos para o exterior (verde e solúvel), acima dos 31 milhões do ano passado.

O aumento dos embarques reflete a recuperação brasileira nas exportações globais, com a maior oferta de café na safra 2018/19, calculada em 59,9 milhões de sacas, alta de 33% em relação ao ciclo anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O crescimento na produção deve-se à bienalidade positiva do café Arábica e, também, à recuperação da produção nas áreas de Conilon depois da quebra registrada em safras anteriores, além do aumento da produtividade, que passou de 24,14 para 32,17 sacas por hectare entre as safras 2017/18 e 2018/19.

O aumento da produção de café pelo Brasil é de fundamental relevância frente aos desafios do País para o abastecimento global: o consumo tende a crescer cerca de 2,2% ao ano, sem considerar mercados que estão despontando como futuros novos players de consumo na Ásia, como China, Índia, entre outros. O sabor do café brasileiro vem conquistando cada vez mais o paladar da população desses países.

O Brasil é protagonista em exportação, consumo e produção de café. A agenda do próximo governo deve contemplar investimentos em infraestrutura e logística. Esperamos redução de taxas e custos portuários e de frete. Já na área de pesquisa e desenvolvimento, esperamos obter mais eficiência e inovação e novas variedades. Com uma comunicação institucional voltada para a promoção da sustentabilidade e da qualidade do consumo da bebida, o café fortalecer-se-á ainda mais como orgulho nacional, com um cenário sólido e promissor.

FORTALECIMENTO INTERNACIONAL DO SOLÚVEL

AGUINALDO LIMA, DIRETOR DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE CAFÉ SOLÚVEL (ABICS)

Após registrar um declínio de 410 mil sacas em 2017, com recuo aos níveis registrados em 2014, o segmento de café solúvel do Brasil fortificou-se nas relações internacionais. Neste ano, esperamos registrar uma recuperação nas exportações do produto próxima de 5%, com um volume ao redor de 3,65 milhões de sacas.

O desempenho menor no ano passado foi fruto da crise de abastecimento de café Conilon, ocorrida entre agosto de 2016 e abril de 2017 em consequência da seca no maior estado produtor de Robusta no Brasil, o Espírito Santo.

As vendas externas das indústrias de solúvel acontecem com antecedência de seis a doze meses. A falta de matéria-prima naquele período associou-se com a insegurança quanto à safra futura. Os preços internos também ficaram muito acima dos do mercado internacional. Esse conjunto de fatores impactou diretamente sobre a perda de contratos de fornecimento, cujo resultado se concretizou em 2017.

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Em março deste ano, porém, a ABICS e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) assinaram um convênio para a implantação do projeto setorial “Brazilian Instant Coffee". Esta parceria visou à promoção dos solúveis nacionais de modo a consolidar a posição nacional de maior produtor e exportador mundial. Desenvolvemos negócios com mais de 120 países. O acordo prevê, ainda, um projeto de branding, concluído em novembro último, para criar uma nova marca que representará a imagem internacional do café solúvel brasileiro.

Essa iniciativa é um marco para o setor. Trata-se de uma ação inédita das indústrias nacionais em conjunto à Apex-Brasil para potencializar a promoção internacional do segmento. Há quarenta anos, o País é líder mundial na produção de solúvel, com representatividade de 37% no mercado global e market share de 28% na exportação.

As ações do “Brazilian Instant Coffee" garantirão a fatia atual de mercado e ampliarão com mais força a presença do café solúvel brasileiro no exterior. As exportações proporcionam divisas anuais de US$ 650 milhões. Precisamos aumentar a nossa competitividade num momento em que novos produtores se posicionam no mercado.

A iniciativa adotada em parceria com a Apex-Brasil insere-se no Plano de Desenvolvimento do Café Solúvel do Brasil, lançado em 2016 pela ABICS. A meta é alavancar o volume das exportações e o consumo interno brasileiro em 50% durante os próximos dez anos.

A ABIC REINVENTA-SE COM MAIS TECNOLOGIA DE CLASSIFICAÇÃO

Durante a SIC 2018, em novembro último, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) mostrou por que é uma entidade à frente do seu tempo. Em 1989, foi pioneira no programa de autorregulamentação com o Selo de Pureza ABIC. Em 2004, protagonizou o primeiro programa de classificação alimentar do mundo com o Programa de Qualidade do Café (PQC). Agora, a Associação pretende aliar tecnologia aos métodos de classificação de café.

Na ocasião, o presidente da ABIC, Ricardo de Sousa Silveira, assinou um Termo de Cooperação Técnica (TCT) com a Embrapa Instrumentação, de São Carlos-SP, representada pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sebastião Barbosa. O objetivo é oferecer melhorias à aplicabilidade e ao desempenho do CoffeeClass, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Instrumentação com emprego de visão computacional e inteligência artificial para conferir a qualidade global do café torrado e moído. Qualidade global da bebida é a percepção conjunta dos aromas da bebida e do seu grau de intensidade.

Essa parceria prevê a concepção e o incremento de um sistema para armazenamento on-line de imagens e informações extraídas dos laudos de qualidade do PQC. As amostras enviadas pela entidade serão de grande valia para o progresso tecnológico do CoffeeClass.

O CoffeeClass interpreta padrões em imagens ampliadas do café torrado e moído e os correlaciona à qualidade global identificada na bebida. Para isso, emprega técnicas de imagem de refletância e fluorescência, que usam luzes diferenciadas sob a amostra do café torrado e moído para evidenciar compostos ligados à qualidade da bebida. Este processo é codificado pela inteligência artificial do sistema, que, por meio dos padrões predefinidos, é capaz de identificar a qualidade global do café em análise.

Ainda um protótipo, a ferramenta CoffeeClass prossegue sendo aperfeiçoada, com apoio e envio de amostras pela ABIC, e, em pouco tempo, estará à disposição.

Segundo o diretor executivo da ABIC, Nathan Herszkowicz, o CoffeeClass é mais do que um simples projeto: Ao abrir para os consumidores o conhecimento das características dos cafés, ele resolve um problema secular ao permitir que eles percebam que os cafés não são todos iguais. Acreditamos que o CoffeeClass influenciará positivamente o consumo de café e colocará o Brasil na vanguarda da tecnologia aplicada à bebida".

OUTRAS INICIATIVAS: DE OLHO NO CAFÉ

O aplicativo De Olho no Café ajuda a levar tecnologia à classificação de café. Com ele, o consumidor verifica, em tempo real, pelo seu celular, as certificações conferidas pela entidade que cada marca possui. Desenvolvido pelo Instituto Totum, agência responsável pelo gerenciamento dos programas da ABIC, o aplicativo é fornecido gratuitamente na Google Play Store e na App Store.

A utilização do aplicativo é bastante intuitiva e simples. Após a sua instalação no celular, basta ao consumidor abri-lo e escanear o produto de duas formas: pelo código de barras da embalagem por meio de um leitor da câmera; ou digitando o código de barras da embalagem por meio do teclado do celular.