Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Previdência é a prioridade primária

Dezembro de 2018

O ENCERRAMENTO do processo eleitoral e o início da definição do novo governo, por meio da montagem da equipe e dos trabalhos de transição, reduziram um pouco a tensão existente no plano econômico brasileiro.

Um dos temas centrais na discussão da nova equipe econômica é a reforma da previdência. O envio de uma proposta para tal reforma deve ocorrer logo no início de 2019, de forma que essa questão venha a ser resolvida no primeiro semestre do ano. Caso o novo governo não lide com essa problemática logo no início do mandato, correrá o risco de ser inviabilizado nos próximos anos. Essa será a primeira das suas grandes batalhas a serem enfrentadas, mas, de qualquer forma, não será a última. Outras reformas também são essenciais, como a reforma tributária, por exemplo. No entanto, a urgência da reforma da previdência impõe uma prioridade no seu andamento logo no começo da gestão.

Uma das discussões frequentes na agricultura diz respeito a quanto a escala afeta diretamente a eficiência da produção, especialmente em produtos mais homogêneos, como as commodities. A modernização agrícola propiciada a partir da Revolução Verde disponibilizou uma série de tecnologias que permitem ao agricultor um maior controle das variáveis ambientais, bem como um melhor aproveitamento da terra. Apesar de estarem disponíveis para agricultores de diversos tamanhos, estas tecnologias mostram-se mais eficientes quando utilizadas em escala elevada. Como consequência, esse processo de intensificação tecnológica acaba por gerar uma maior concentração produtiva quase naturalmente.

Olhando para o mercado de milho, o País estava, até meados de novembro, na reta final da semeadura da safra 2018/19. Considerando os preços médios da região de Rondonópolis-MT, assim como ocorreu em 2017/18, a expectativa é de prejuízo para o produtor na temporada 2018/19. A expectativa de maior oferta de milho em 2019 representa um fator de pressão de baixa nas cotações no mercado brasileiro, especialmente no segundo semestre. É importante destacar, porém, o cenário de preços mais firmes previsto para o primeiro trimestre, em função dos estoques de passagem menores.

O Caderno Especial sobre a cadeia produtiva de café, na sua décima terceira publicação na Agroanalysis, traz o posicionamento de importantes elos do setor. A safra 2017/18 foi marcada por uma prevista grande colheita, em decorrência de ter havido bienalidade positiva na produção da cultura. Os preços caíram, mas a desvalorização do real frente ao dólar favoreceu as exportações, que equivalem a mais de dois terços da produção. Portanto, o tamanho dos estoques de passagem não deverá ter um peso muito negativo na comercialização da safra 2018/19. A produção de Robusta, depois de problemas com a seca nos últimos anos, voltou aos níveis normais, e o mercado operou sem turbulência.

Na indústria de cana-de-açúcar, para a região Centro-Sul, a Consultora Canaplan traça uma análise sobre o desempenho da lavoura na safra 2017/18 e as perspectivas para a safra 2018/19. Como os canaviais estão envelhecendo e a taxa de renovação está diminuindo, as plantas ficam mais sensíveis às condições climáticas adversas e à presença de pragas e doenças. O mix de produção na safra 2017/18 foi predominantemente de etanol, em face da sua melhor rentabilidade frente à do açúcar. Os preços baixos do açúcar no mercado mundial refletem o superávit gerado pelo excesso de produção principalmente na Índia, na Tailândia e na União Europeia. A expectativa é de que a safra encerre com uma distribuição de 35,5% para açúcar e 64,5% para etanol. Na safra 2017/18, o percentual para açúcar foi de 46,5% e o para etanol, de 53,5%, ou seja, uma variação recorde de 11% no mix de produção. A crise econômica e financeira de muitas unidades agroindustriais ainda prevalece no setor.

Como entrevistado do mês, tem-se uma personalidade muito especial, o jornalista Humberto Pereira, que coordenou a elaboração do capítulo de Comunicação do “Plano de Estado – Brasil 2030", organizado por Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro). Tal plano apresentou uma proposta para tornar o País o maior e melhor produtor de alimentos do mundo, com a ideia norteadora de contribuir para a segurança alimentar do Planeta. Em seus comentários, o agro fala bem consigo, mas conversa pouco com a sociedade. A comunicação exige uma postura de antecipação e, também, de ataque aos fatos.

Para finalizar, a equipe editorial da Agroanalysis agradece aos patrocinadores e aos colaboradores por viabilizarem a sua produção, com sinceros votos de um feliz natal e um próspero ano.