Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Mercado de milho em 2019

Fundamental a estratégia de comercialização

Dezembro de 2018

ATÉ MEADOS de novembro, o País estava na reta final da semeadura da safra de grãos 2018/19. A situação estava mais favorável em relação ao mesmo período do ano passado, com clima normal, trabalhos no campo em ritmo regular e boa situação das lavouras. Considerando os preços médios da região de Rondonópolis, no estado de Mato Grosso, na temporada 2017/18, o produtor registrou um prejuízo de R$ 178,42 por hectare. Para 2018/19, a expectativa é de prejuízo ainda maior, de R$ 567,11 por hectare.

A maior oferta de milho em 2019 representa um fator de pressão de baixa nas cotações no mercado brasileiro, especialmente no segundo semestre, com a entrada da colheita da segunda safra. É importante destacar, porém, o cenário de preços mais firmes previsto para o primeiro trimestre, em função dos estoques de passagem menores e da menor representatividade da safra de verão (primeira safra), em torno de 30% do total. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 15,78 milhões de toneladas de milho estocados ao final de 2018, frente aos 17,25 milhões de toneladas no final do ano anterior.

Do lado da demanda, espera-se uma maior movimentação nesse período. Na B3 (bolsa de valores oficial do Brasil), os contratos futuros de milho com vencimento em janeiro e em março de 2019 refletem essa situação, com altas expressivas ao longo de novembro: a saca passou de um patamar de R$ 35,00 para valores próximos de R{replace3}nbsp;38,00. Já para maio de 2019, os preços deverão estar menores do que os registrados no mesmo período deste ano.

Levando em conta um clima normal na temporada 2018/19 e, possivelmente, um aumento na área semeada na segunda safra no País, a expectativa é de uma pressão de baixa ainda maior nas cotações, frente à realidade deste ano, com menor janela de compra e quedas limitadas.

RESULTADOS ECONÔMICOS

Na temporada 2017/18, que se encerrou, apesar dos bons preços de venda de milho no mercado interno, a queda na produtividade média prejudicou os resultados econômicos. Tendo em vista o preço médio em Rondonópolis, em 2018, de R$ 26,81 por saca de 60 quilos, com um rendimento médio de 99,60 sacas por hectare, o agricultor teve um prejuízo de R$ 178,42 por hectare.

Mercado de milho em 2019

Se considerarmos o melhor momento de venda entre setembro e outubro deste ano, quando a saca bateu R{replace7}nbsp;30,00 na região, e mantivermos a produtividade média, houve lucro de R$ 139,30 por hectare. Daí a importância de uma estratégia de comercialização.

Para 2018/19, a expectativa é de uma produtividade média 2,3% maior em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, os custos de produção subiram 10,1% frente aos da safra passada, e a expectativa é de preços até 6,0% menores em 2019 frente aos deste ano. Com isso, o resultado da atividade deverá ser pior, com prejuízo estimado em R$ 567,11 por hectare na região.

EXPECTATIVAS PARA A PRIMEIRA E A SEGUNDA SAFRAS

Com relação ao milho 1ª safra, a Conab estima um crescimento da área entre 3,5% e 5,0% em comparação à safra passada. O rendimento médio das lavouras deverá diminuir 2,2% frente ao da safra passada. Considerando os limites inferiores e superiores, a produção está estimada entre 26,28 milhões de toneladas e 27,21 milhões de toneladas, ou seja, de -2,0% a +1,5% da quantidade colhida em 2017/18.

Para o milho 2ª safra (2018/19), a Conab manteve a área semeada na temporada 2017/18, de 11,55 milhões de hectares, mas estima uma produtividade média 16,9% maior. Com isso, a produção foi estimada em 63,73 milhões de toneladas, 18,1% a mais do que os 53,97 milhões de toneladas colhidos na segunda safra em 2017/18. No total, a produção brasileira está estimada entre 90,02 milhões de toneladas e 90,95 milhões de toneladas na safra 2018/19, frente aos 80,78 milhões de toneladas produzidos em 2017/18.