Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agrodrops

Fevereiro de 2017

Balança comercial

Resultado da balança comercial do Brasil apresenta saldo recorde desde o pós-real, impulsionado em grande parte pelo agronegócio, com quase a metade dos seus embarques destinados ao continente asiático (exceto Oriente Médio) e à União Europeia. Os complexos soja e alcooleiro, as carnes, os cereais e os produtos florestais representam praticamente três quartos dos valores.

Para o ministro Blairo Maggi, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Brasil precisa avançar nas exportações de produtos não tradicionais, fazer mais acordos comerciais com os países e os blocos econômicos, cobrar reconhecimento pela qualidade e pela sustentabilidade de sua produção agropecuária e importar mais, como forma de intensificar o fluxo comercial agrícola global.

Balança comercial

Censo agropecuário em 2017

Na aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conseguiu assegurar R$ 505 milhões para a realização do levantamento censitário neste ano. O Censo Agropecuário, realizado pela última vez em 2006, vinha sendo adiado por conta de consecutivas restrições orçamentárias. Os preparativos deveriam ter começado em 2015, para apresentação dos resultados em 2017. A destinação dessa verba decorreu de uma ampla mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com o apoio do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), relator-geral da LDO.

Cresce receita das cooperativas

Segundo estimativa da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), com base em balanços ainda em fechamento, as setenta maiores cooperativas do ramo agropecuário faturaram cerca de R$ 123 bilhões em 2016. Em comparação a 2015, a alta é de 15%. Este resultado espelha a subida nos preços de grãos, em face das baixas nas colheitas no Brasil e da firmeza na demanda internacional. Em 2015, o Sistema OCB contabilizou 1.555 cooperativas vinculadas ao segmento agropecuário.

Recorde nos registros de novos agroquímicos

As estatísticas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apontam recorde nos registros de novos agroquímicos em 2016. O número supera a média histórica anual, de 140 registros. Na avaliação do coordenador-geral de Agroquímicos e Afins do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas (DFIA) do MAPA, Júlio Britto, “a maior disponibilidade no mercado de novos produtos para o controle de pragas evita a redução da produtividade, a criação de resistência aos agrotóxicos e a elevação de custos ao agricultor”.

Recorde nos registros de novos agroquímicos

Produção recorde nos Estados Unidos

A safra 2016/17 está encerrada no país. A colheita cheia registra recorde e não conta com antecedente nas longas séries estatísticas do país: 380 milhões de toneladas de milho e 115 milhões de soja. Seja para os mercados, os analistas ou os produtores, houve um apurado e admirável ajuste entre clima e tecnologia. As produtividades médias por hectare superam 3,5 toneladas na soja e 11 mil toneladas no milho. A agricultura norte-americana estreia outro patamar de rendimento. A estratégia passa a ser como assegurar lucro e essa farta produção com uma precificação perto ou abaixo dos US$ 9,0 por bushel (27,2 quilos) na soja e US$ 3,5 por bushel (25,4 quilos) no milho. Agora, com a chegada da produção da América do Sul, a oferta ficará ainda mais saturada.

Estabilidade nas exportações de café

De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações de café verde do Brasil deverão ficar estáveis neste ano, quando em comparação a 2016. Falta uma avaliação melhor sobre a qualidade da colheita do Arábica, que estará em ciclo de baixa – a chamada bienalidade. A menor oferta do tipo Robusta em função da estiagem no Espírito Santo, principal estado produtor, impactou de forma negativa as vendas externas do País, pois o preço subiu muito e perdeu competitividade.

Estabilidade nas exportações de café

Agropecuária no PIB dos municípios

A agropecuária respondia por mais da metade das economias em 1.135 dos 5.570 municípios brasileiros (20,4%) em 2014, 210 deles no Rio Grande do Sul e 144 no Paraná. Isso indica a importância desta atividade econômica no território nacional. No mesmo ano, 652 municípios (11,7%) respondiam por metade do Valor Adicionado (VA) da agropecuária no País. O maior era em São Desidério-BA, com R$ 1,7 bilhão. O VA é a contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) pelas diversas atividades econômicas obtida pela diferença entre o Valor Bruto da Produção (VBP) e o consumo intermediário absorvido por estas atividades.

Fontes de energia e biomassa no Brasil

A bioeletricidade a partir das fontes hídricas e da biomassa assume a segunda posição na matriz elétrica brasileira, pois a mais importante contribuição da fonte fóssil é o gás natural, com 13.704 MW, inferior à capacidade instalada pela fonte biomassa. O setor sucroenergético lidera entre as fontes de biomassa, sendo a terceira fonte mais importante da matriz elétrica nacional, em termos de capacidade instalada, atrás somente da fonte hídrica e das termelétricas com gás natural.

Fontes de energia e biomassa no Brasil

Flexibilidade na lei trabalhista do campo

Projeto para dar flexibilidade às normas reguladoras do trabalho rural (Lei nº 5.889/73) foi encaminhado ao Senado Federal. A iniciativa incorpora pelo menos três alterações importantes. A primeira preconiza que os empregadores tenham a oportunidade de sanarem as irregularidades apontadas pelos fiscais antes do auto de infração. A segunda está relacionada à criação de cotas de trabalho para pessoas com deficiência física. Já a terceira recomenda contrato de aprendizagem rural para jovens entre 14 e 24 anos inscritos em programas de formação técnico-profissional (para empregadores com mais de 200 empregados).

Propostas para emergências agropecuárias

O MAPA criou um Grupo de Trabalho (GT) para elaborar uma proposta de organização do Sistema Nacional de Emergências Agropecuárias. A missão da equipe, composta por especialistas em defesa agropecuária, é definir as diretrizes para a capacitação de técnicos, o reconhecimento de pragas e doenças e a mobilização imediata em casos de emergência. O objetivo é dar mais agilidade ao atendimento de situações inesperadas que possam afetar a produção agropecuária brasileira.

Quarenta anos da BR-163

O corredor de exportação pela rodovia BR-163 rumo aos portos do Norte é considerado uma das principais alternativas para o escoamento da safra de grãos do Centro-Oeste, especialmente do norte do Mato Grosso. A distância do trecho de Cuiabá-MT à cidade portuária de Santarém-PA é de 1.765 quilômetros. Ao longo da rodovia, pelo menos sete das dez maiores processadoras de alimentos do mundo possuem plantas instaladas. Em 2015, cerca de 19 milhões de toneladas de grãos saíram pelos portos do Arco Norte, acima do paralelo 16°. Para o próximo ano, a expectativa é de que faltem apenas 85 quilômetros para o trecho de Cuiabá a Santarém estar asfaltado.

Acordo com a OIE

O Brasil possui papel muito significativo no desenvolvimento sanitário das Américas no tocante a doenças como a febre aftosa, a peste suína clássica e a influenza aviária. Reconhecendo essa posição, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), assinou acordo de cooperação com o MAPA, com o repasse de € 1 milhão (R$ 3,56 milhões) para programas de prevenção à febre aftosa e para melhoramento dos sistemas de auditorias sanitárias privadas. O Ministério coordenará as ações a serem executadas durante dois anos, a partir de janeiro de 2017, de acordo com as normas do Fundo Mundial da OIE para Saúde e Bem-Estar dos Animais.

Regularização fundiária

A Medida Provisória nº 759, publicada no final do ano passado, atualizou as Leis nº 8.629/93 e nº 11.952/09, que tratam, respectivamente, da reforma agrária e da regularização das ocupações em estados da Amazônia pelo Programa Terra Legal. O seu principal objetivo é consolidar e aumentar a velocidade de titularização de terras. Atualmente, das mais de 1 milhão de famílias que vivem em 9.332 assentamentos espalhados pelo Brasil, 85% ainda não têm o título da terra e, por isso, não acessam políticas públicas do setor, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

Norte-americanos exportarão mais etanol

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) concedeu US$ 10 milhões para o Conselho de Grãos (o Growth Energy) e a Renewable Fuels Association (RFA) estimularem a produção e a exportação de etanol. Isso poderá aumentar a produção de etanol nas refinarias, cuja meta é de 56 bilhões de litros neste ano, o correspondente ao consumo de 134 milhões de toneladas de milho. A medida visa dar saída para a grande safra, com os preços dos grãos enfraquecidos na atual temporada. Os estudos apontam que o crescimento na exportação de etanol de 3,4 bilhões de litros para 7,6 bilhões expandirá o consumo de milho em 10 milhões de toneladas, sendo que, com 1 tonelada do cereal, se produzem 42 litros de etanol.