Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

Triste enredo

Fevereiro de 2017

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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O CARNAVAL do Rio de Janeiro é uma das maiores e mais divertidas festas do mundo todo, mas, neste ano, traz preocupação para o nosso setor do agronegócio. Com o samba-enredo "Xingu – O clamor que vem da floresta", a Imperatriz Leopoldinense leva para a Marquês de Sapucaí uma visão distorcida, parcial e preconceituosa do setor que mais resultados positivos apresenta para a economia brasileira.

Ao imputar ao agronegócio a alcunha de inimigo da natureza, a Imperatriz Leopoldinense não leva em conta números que provam o contrário: toda a área utilizada pela agropecuária para alimentar o País e o mundo ocupa 29% do território nacional.

Trata-se de um percentual menor do que os dos países desenvolvidos, e, ainda assim, somos líderes mundiais em exportação de suco de laranja (73,4% do total mundial), açúcar (46,9%), soja (42,1%), carne de frango (38,6%), café (27,3%) e carne bovina (20,1%). Respondemos por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e garantimos o superávit da balança comercial.

Temos um setor que incorporou tecnologia para aumentar em três vezes sua produção, ampliando em apenas 26% a área cultivada – mantendo 65% de vegetação natural preservados nos 850 milhões de hectares do seu território. 12% da área total do Brasil são de preservação para os indígenas.

Ao afirmar que a nação indígena chora com o uso dos agroquímicos, a agremiação parece não saber que, no Japão, por exemplo, usa-se doze vezes mais defensivos do que no Brasil; e que, neste ranking, ficamos, ainda, atrás de toda a União Europeia. Produzimos 142 quilos de alimentos para cada dólar investido em defensivos. Na Argentina, esta quantidade é de 116 quilos; e, nos Estados Unidos, é de 94 quilos.

Na soja, houve redução no uso de herbicidas entre os anos de 2005 e 2006 e, também, entre 2009 e 2010. Para o milho, entre 2008 e 2014, houve redução no uso de aproximadamente 10 milhões de quilos desta classe de defensivos. No algodão, entre 2009 e 2014, a redução alcançou 3 milhões de quilos de defensivos.

Em São Paulo, desenvolvemos políticas públicas que, além de fortalecer a agricultura e agregar renda ao nosso produtor, fixam, por meio de legislação de solos e por meio de cuidados com nascentes e áreas de preservação, uma agricultura harmônica com o meio ambiente, conciliando produção e preservação, segundo diretrizes do governador Geraldo Alckmin.

A Imperatriz precisa conhecer iniciativas que unem preservação e produção, como o sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e o Plano ABC, capazes de mitigar a emissão de gases causadores do efeito estufa.

A agremiação publicou nota dizendo que não teve a intenção de generalizar, mas afirma que "importantes pesquisas científicas apontam os diversos males que o agrotóxico traz para o solo, para o alimento e, consequentemente, para a saúde de quem o consome". No entanto, a nota não cita quais são essas ‘importantes pesquisas’ nem relativiza a afirmação generalista.

O produtor agrícola preserva o solo em que colhe seu sustento, pois, sem ele, teria sua atividade encerrada e estaria cometendo suicídio empresarial se não zelasse por suas riquezas. Mais do que perder dinheiro, perderia toda a sua atividade econômica, aquela que sustenta o Brasil desde a sua Independência.