Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Chuvas de verão

Fevereiro de 2017

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.

Albert Camus


A VIRADA do ano de 2016 para 2017 foi, talvez, a grande alegria para quem vive em torno do agronegócio canavieiro. Ao ler, ver e ouvir o resumo do ano, muitos voltaram a sentir as dores de um período tão difícil e revelador. Quantas máscaras, sustos e roubos, com a mostra pela classe política, especialmente pelo PT, do seu verdadeiro desprezo pela massa popular.

Em 2005, com o mensalão, vimos uma reação de desdém do cidadão pelas figuras pegas naquele processo de corrupção. Mas, ainda não tínhamos a noção da septicemia a tomar conta do Brasil. Quando a operação Lava-Jato desnudou a doença, percebemos que o combate à infecção generalizada teria de ser feito com os mesmos médicos, enfermeiros e hospitais.

A cada novo dado macroeconômico, sentimos a resistência das bactérias e dos fungos aos antibióticos de antes, sem podermos utilizar aqueles não testados, para não comprometermos o paciente. Assim, constatamos que, infelizmente, o processo de recuperação será lento. Até o segundo semestre deste ano, o paciente será alimentado com soro e doses crescentes de remédios. Além disso, rezar será essencial!

Indiferente a tudo isso, a estação de verão chegou. Entre as chuvas e as trovoadas, o tempo gira a sua roda e dita o ritmo dos dias.

O aprendizado de 2016 será inesquecível. O Brasil é realmente outro. Como assumiram o seu papel na lógica democrática, as pessoas cobrarão atitudes do Judiciário neste ano. Para as eleições de 2018, elas repensarão o seu papel. Até lá, para o nível de desgaste a ser suportado pelo País, o desempenho do governo de transição será fundamental.

Sem dúvida alguma, em poucos meses, o governo Temer superou muito o governo Dilma, tendo em conta a clareza que dificilmente será popular. Afinal, contenção de gastos, negociação com governos estaduais e aumento do período de contribuição para as aposentadorias, por exemplo, são medidas impopulares.

Após o turbulento inverno de 2016, o verão de 2017 traz as “chuvas de manga", molhando ou encharcando algumas hortas, mas nem todas. Não se sabe se haverá veranico ou se o inverno chegará muito rigoroso. O importante é o brasileiro estar mais forte para suportar as intempéries. Devemos estar vigilantes para que os malfeitores sejam punidos. Mesmo na escuridão de 2016, aprendemos como o agronegócio ilumina o País. E ganhamos a mais impactante e positiva campanha a favor do agro, realizada pela TV Globo!

Afinal, o “agro é top"! Que em 2017 o recorde das colheitas exuberantes atraia novos investimentos em infraestrutura, com o custo Brasil em queda pela condução de reformas essenciais.

Neste verão de 2017, o País vive, mais uma vez, a alegria da sua grande festa popular, o Carnaval. É quando as escolas de samba se mostram. Em 2013, a Unidos de Vila Isabel levou o troféu de campeã no Rio de Janeiro ao dançar e cantar a beleza do agronegócio nacional, colocando o Brasil como celeiro do mundo sob o apoio da BASF. Neste ano, haverá uma justa apologia ao bom índio, mas com críticas gratuitas ao agro, em uma demonstração clara de excesso de ideologia e falta de informação, mesmo depois de tudo!

Que as águas de março limpem esses resíduos ideológicos e fechem o verão de 2017 com perspectivas positivas e de esperança para o povo brasileiro.