Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Devagar, mas melhorando

Fevereiro de 2017

O RITMO de melhora na economia brasileira está muito mais lento do que o desejado. Mas, até este momento, a tendência de melhora tem se mantido.

Num primeiro momento, após a saída da presidente Dilma Rousseff, as expectativas tornaram-se mais positivas. Estas expectativas poderiam ser ou não confirmadas pelas ações tomadas. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos, o envio da reforma da previdência, a queda mais acentuada da Selic e uma agenda microeconômica para destravamento da economia confirmaram as expectativas e sugerem que 2017 será melhor do que 2016.

Inflação convergindo para o centro da meta, dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,40 na maior parte do ano e Produto Interno Bruto (PIB) crescendo mais de 1%, tudo ainda muito tímido para o enorme desemprego existente. Mas, a direção é de retomada, com ajuste fiscal e crescimento empurrado pelos tão necessários investimentos em infraestrutura. E, mais notável, tudo isso em meio à enorme incerteza política, agravada ainda mais pela morte do ministro Teori Zavascki. Os agentes estão interessados no comando econômico, imaginando que este será mantido por quem quer que assuma o comando político.

Para o agronegócio, tudo indica que realmente 2017 será melhor, com boa safra e preços razoáveis para boa parte dos produtos – sempre vale a pena olhar os mercados futuros e o valor do dólar. O agro certamente terá uma contribuição muito favorável para o crescimento do PIB, recuperando a quebra de aproximadamente 15 milhões de toneladas na produção de grãos de 2016. A safra do ciclo 2016/17 será recorde, próxima de 215 milhões de toneladas. Na parte das exportações, há uma expectativa de geração de grandes saldos comerciais, a exemplo de exercícios anteriores. Para isso, tem ajudado muito o enorme esforço empreendido para valorizar a imagem dos produtos das cadeias produtivas do agronegócio nacional.

No mercado de borracha, a partir de 2015 houve uma melhora nos preços do látex, mas a situação ainda está complicada para o produtor. O quilo do coágulo está com valor abaixo dos custos de produção, estimados entre R$ 2,00 e R$ 2,50 em São Paulo. Para o produtor que consegue garantir um custo mais baixo, por volta de R$ 2,00, a elevação do dólar para R$ 3,35 pode ser suficiente para igualar o preço no mercado interno brasileiro ao custo de produção.

No mercado externo, o agronegócio deve ficar atento ao esforço do governo chinês para evitar a desvalorização da sua moeda (yuan) frente ao dólar. Conforme se recupera, a economia dos Estados Unidos volta a atrair capitais, impulsionada ainda mais pela elevação da taxa de juros pelo Banco Central americano. Além disso, ainda não está claro qual será a reação da China caso Trump cumpra a promessa de elevar as tarifas de importação para os produtos chineses. Como os chineses compram do Brasil bens em que eles não conseguem ser autossuficientes, mesmo que eventualmente os produtos brasileiros fiquem mais caros, não deve haver contração no volume exportado. Vamos acompanhar o desdobramento desse quadro.

Na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), tem-se o balanço de um trabalho profícuo junto ao Congresso Nacional, com propostas e acompanhamento dos Projetos de Lei relacionados ao universo do agro. O deputado Marcos Montes (PSD-MG), que passa a presidência da entidade para Nilson Leitão (PSDB-MT) neste mês, relata as conquistas realizadas ao longo dos últimos dois anos. Na pauta dos trabalhos futuros, tem-se a construção de uma agenda prospectiva com destaque para a desoneração de insumos, a regularização fundiária e a demarcação de terras indígenas.

Na Argentina, ao celebrar um ano de gestão, o presidente Mauricio Macri enfrenta uma economia combalida com alto desemprego, estimativa de PIB negativo e inflação anual acima de 40%. Apesar disso, para o presente exercício, é esperada uma grande virada nesse quadro incômodo, com colheitas mais fartas para as safras 2016/17 e 2017/18. A economia sentirá o efeito positivo das medidas tomadas no início do governo para reduzir a malha de controles dos preços e dos impostos elevados dos governos Kirchner de 2003 a 2014. São medidas mais liberais para estimular a produção via mercado.

Na entrevista da seção Abre Aspas, Edivaldo Velini, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), fala sobre as diversas técnicas de engenharia genética já disponíveis, algumas delas com potencial ainda a ser descoberto. A era do 'pós-transgênico' abarca os produtos que tenham seus DNAs editados sem possuírem um gene de outra espécie. Um dos grandes desafios da atualidade é, ao mesmo tempo, garantir a biossegurança e assegurar que estes produtos cheguem rapidamente ao mercado.

Para finalizar, o Caderno Especial da Agroanalysis apresenta conteúdo desenvolvido com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), em sua oitava versão. Felizmente, o Brasil abriu as portas para a sua agropecuária seguir na conquista de maior produtividade ao desfrutar dos constantes avanços proporcionados por esta formidável área que é a Biotecnologia. O marco regulatório nacional acompanha com competência e atualização toda essa evolução. Entramos, agora, em uma nova fronteira de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) na área de Engenharia Genética de precisão.