Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Borracha natural

Preços abaixo dos custos de produção

Fevereiro de 2017

ENTRE O final de 2014 e o começo de 2015, as cotações do látex atingiram os menores valores já registrados, ao redor de R$ 1,40 por quilo de coágulo em São Paulo, segundo a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor). Internamente, houve queda na demanda, afetada pelo cenário econômico brasileiro, com redução principalmente do consumo pelo setor de automóveis. E, ainda, as quedas de preços internacionais ajudaram a impactar para baixo as cotações no mercado brasileiro. Lá fora, a pressão foi em função do aumento da produção mundial de látex no período, em especial nos países do Sudeste Asiático.

O Brasil depende das importações para atender a demanda interna. Aproximadamente dois terços do volume consumido são trazidos do exterior. Isso explica a forte relação entre os preços do látex nos mercados nacional e internacional. Se o recuo do dólar em relação ao real persistir, aumenta a competitividade do produto importado em relação à borracha natural brasileira, com a tendência de limitar as valorizações de preços no mercado interno.

Borracha natural

De 2015 para cá, houve ligeira melhora nos preços do látex no mercado interno, mas, ainda assim, a situação da atividade está complicada. Os valores pagos estão abaixo dos custos de produção, estimados entre R$ 2,00 e R$ 2,50 por quilo de coágulo em São Paulo. A referência de preço no estado, em janeiro, está em R$ 1,91 por quilo de coágulo (ou US$ 0,60 considerando a taxa de câmbio média do mês), com os valores máximos chegando a R$ 2,14 por quilo (US$ 0,67), segundo a Apabor. Este é o preço para o produto com Teor de Borracha Seca (TBS) de 53%. Como o próprio nome diz, o TBS indica o teor de borracha no látex. O valor padrão do mercado é de53%. Caso a borracha contenha mais ou menos água, o valor pode subir ou descer.

Para produtor mais eficiente, que consegue produzir um quilo de borracha ao custo de R$ 2,00, a elevação do dólar para R$ 3,35 seria suficiente para igualar o preço no mercado interno brasileiro ao custo de produção. Até o dia 25 de janeiro, o dólar esteve cotado em R$ 3,20, em média. Seguindo a mesma lógica, para o produtor com custo de produção em R$ 2,50 por quilo, o dólar deveria atingir a cotação de R$ 4,20, o que é improvável acontecer.

Borracha natural

A expectativa em curto e médio prazos é de ligeira recuperação nos preços do látex no mercado interno, em função da oferta mais ajustada e da expectativa de retomada gradual da demanda. No entanto, os valores pagos ainda deverão permanecer abaixo dos custos de produção.

Como os custos de produção estão acima do preço de venda do produto, o resultado direto disso é a queda no resultado econômico, com prejuízos para o produtor e consequente redução na área da cultura.

PANORAMA DA PRODUÇÃO DE BORRACHA

Entre 2005 e 2015, a área com seringueiras no Brasil cresceu a uma taxa média de 3,8% ao ano. Depois de consistente expansão de 2010 a 2014, com crescimento de 17,0% em comparação a 2013, a área produtiva diminuiu em 2015. Em 2015, a área destinada à produção de borracha natural (látex) foi de 154,18 mil hectares e aquela destinada à produção de látex totalizou 319,26 mil toneladas. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2016, deverá ser contabilizado mais um leve recuo de 3% a 4%.

São Paulo vem tendo papel fundamental no crescimento da área com seringueira no País. Isso se deu no último quinquênio, enquanto a área teve leve aumento na Bahia e caiu no Mato Grosso, estabilizando-se em baixa.

Com base nos últimos dados consolidados, em 2015 São Paulo segue como principal estado produtor, com 39,2% da área total, seguido pela Bahia (21,8%) e pelo Mato Grosso (18,2%). Em volume de produção, São Paulo respondeu por 57,1% do total.

Borracha natural

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Entre os principais estados produtores, Mato Grosso e São Paulo apresentaram quedas consideráveis na área com seringueira, de 28,7% e 2,0%, respectivamente, de 2014 a 2015. O quadro de recuo na área com a cultura no País nos últimos anos foi motivado pelos baixos preços pagos aos produtores pelo látex.