Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Anufood: apresentação do produto para o mundo

Março de 2018

O PROBLEMA do déficit da previdência faz parte de uma realidade dura. No ano passado, totalizou R$ 182,4 bilhões. A dinâmica das contas do sistema previdenciário é insustentável, pois compromete uma parcela cada vez maior dos gastos do Governo. Fatores como o envelhecimento da população e aumentos reais dados ao salário-mínimo impactam diretamente o piso dos benefícios previdenciários. A reforma da previdência é apenas o primeiro passo no contexto mais amplo das reformas essenciais para o País avançar no século XXI. O setor público brasileiro mostra extrema ineficiência em inúmeras áreas. A carga de impostos sobre o cidadão deveria ter como contrapartida melhores serviços públicos na saúde, na educação, na segurança, entre outras esferas. A base institucional sobre a qual se assenta o serviço brasileiro impede iniciativas de modernização e de aumento de eficiência.

O aumento no consumo de alimentos proteicos, ocasionado pelo crescimento dos centros urbanos, tem feito com que pequenos e médios produtores invistam na profissionalização da atividade, a fim de atender essa demanda do mercado. Se, por um lado, esse movimento tem elevado a renda do produtor; por outro lado, a ausência de um sistema de certificação impede que os pequenos e os médios agricultores exportem os seus produtos para países ricos. Uma feira como a ANUFOOD Brazil – que ocorrerá entre os dias 12 a 14 de março de 2019, no São Paulo Expo – será uma excelente oportunidade para os produtores (especialmente os médios e os pequenos) apresentarem os seus produtos diretamente para clientes de outros países. Já os grandes, tradicionais frequentadores de feiras, terão a oportunidade de realizar novas vendas a um custo muito menor do que a participação em feiras de outros países.

No exercício de 2017, a análise da rentabilidade média das atividades agropecuárias e de outras opções de investimento de capital mostra que o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) apresentou, de longe, o melhor desempenho (28,22%), seguido pelas aplicações em ouro (11,76%) e pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) (9,93%). Depois, aparecem as atividades agropecuárias, mais uma vez com a liderança da cana, com os arrendamentos de canaviais (7,85%) e a produção e o fornecimento de cana-de-açúcar (7,75%). As explorações de baixa tecnologia, seja na pecuária de leite ou de corte, registraram os piores comportamentos. O artigo que traz esses resultados analisa, ainda, outras atividades do campo.

Na questão ambiental, tem-se o compromisso internacional assumido de forma voluntária pelo Brasil de reduzir as emissões por meio do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), em 2016, na COP-21, em Paris. Os instrumentos para monitorar e contabilizar a mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) geradas pela agropecuária precisam ser desenvolvidos de forma sistemática e com metodologia aceita internacionalmente. Os números apresentados pela Plataforma ABC com base no uso da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) entre 2010 e 2015 mostram que as metas para 2020 já foram alcançadas – um resultado excelente.

Na entrevista do mês, temos a participação de Antonio Henrique Botelho Lima, presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV). Na conversa, abordou-se o desafio de levar até os agricultores os produtos e os serviços necessários para gerar tecnologia competitiva e rentável. A agropecuária brasileira segue em crescimento junto com as demandas do campo. São 5.339 distribuidores espalhados por todo o País. Em 2016, os mercados nacionais de fertilizantes, defensivos, sementes, nutrição animal e medicamentos veterinários movimentaram R$ 109,7 bilhões.

O sistema nacional de crédito rural está sendo colocado em xeque. Entidades do setor debatem como financiar o custeio, o investimento e a comercialização da produção agropecuária brasileira. As fontes de recursos tradicionais, baseadas nos depósitos à vista dos agentes financeiros e na Poupança Rural, deixaram de atender com suficiência a necessidade do setor. Tradings, indústria, distribuidores e cooperativas, entre outros, junto com os recursos próprios dos agricultores, cada vez mais, irrigam de dinheiro o setor. O mercado de capitais, com os títulos do agronegócio, fazem parte dessa nova realidade. Vivemos uma transição.

Enquanto o agronegócio em geral caminha de maneira favorável, a cadeia produtiva de cacau teve problema em 2016 e 2017. Uma longa e intensa estiagem afligiu a lavoura, com enorme quebra na produção. A indústria teve de recorrer a importações de Gana, na África, para atender os seus contratos comerciais e não interromper a produção por falta de matéria-prima. A situação deve melhorar neste ano, com a retomada da normalidade da safra e a demanda firme com o Produto Interno Bruto (PIB) em ascensão. Para outubro, tem-se a previsão de um grande evento com a realização da 17ª reunião da World Cocoa Foundation (WCF).

Apesar de o cenário de turbulência na política e na economia nacionais ter afetado os negócios com a pecuária em 2017, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) comemora as vendas e os faturamentos conquistados no último ano. A entidade, que agrega em seu quadro associativo empresas com participação de 67% do mercado, apresenta o seu Caderno Especial pela nona vez na Agroanalysis. Uma nova diretoria assume a sua gestão para o biênio 2018-2019, com a manutenção da linha traçada nos últimos anos e vigor para novas realizações.