Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

Luz no fim do túnel

Abril de 2017

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal (PPS/SP) e ex-secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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EM FEVEREIRO, a Nestlé Purina inaugurou, em Ribeirão Preto, sua fábrica de alimentos úmidos para cães e gatos, um investimento de R$ 270 milhões que gerará 580 empregos diretos e indiretos. No mesmo mês, a FibraResist abriu, em Lençóis Paulista, as portas para sua produção de até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, investindo R$ 25,0 milhões, dos quais R$ 10,5 milhões são financiados por meio da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, do governo do estado. São 62 novos postos de trabalho.

Ainda em fevereiro, fui o patrono da nona turma do curso de Mecanização em Agricultura de Precisão da Faculdade de Tecnologia (Fatec) “Shunji Nishimura”, em Pompeia. Trata-se de um centro de geração de conhecimento que é a casa de 420 estudantes de 250 municípios, doze estados e quatro países diferentes.

Com a presença do governador Geraldo Alckmin, a Tereos inaugurou, em março, em Tanabi, um espaço para armazenamento de açúcar, por meio de um investimento de R$ 60 milhões, gerando 320 empregos. Também em março, a Stoller Brasil abriu, em Cosmópolis, mais uma fábrica de insumos biológicos – um investimento de R$ 30 milhões.

Ainda em março, a John Deere inaugurou, em Campinas, seu Centro de Agricultura de Precisão e Inovação. É parte de sua linha de investimentos no Brasil a longo prazo, que totaliza US$ 550 milhões. São US$ 4 milhões ao dia gastos com pesquisa e desenvolvimento no mundo todo.

O valor dos investimentos dessas empresas do agronegócio supera R$ 385 milhões. É um valor que comprova a confiança dos investidores no território paulista, em nosso País. Mesmo com a recessão nacional que se arrasta por três anos, o setor agropecuário resistiu e demonstrou sua capacidade de ser o indutor de um novo ciclo de crescimento. Continua atrativo para quem quer tirar do papel seus projetos. É a terra da oportunidade.

São Paulo tem buscado ajudar o Brasil no momento em que recebemos a notícia de que enfrentamos uma queda de 3,6% do PIB nacional em 2016. Mostra-se como um exemplo de eficácia, enquanto, infelizmente, estados vizinhos amargam atrasos de salários do funcionalismo público e se veem rodeados de dívidas. De 2011 para 2015, a despesa federal aumentou 20%, enquanto a receita caiu 4,2%. No mesmo período, a despesa da administração estadual de São Paulo aumentou 2,5%, com elevação de 2,1% da receita – R$ 192,9 bilhões em 2015, resultado que o governador Alckmin teve muita firmeza para garantir.

Mantivemos receitas e despesas em níveis que garantiram o atendimento dos limites definidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e produzimos superávit primário que superou a meta estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Agora, nós – São Paulo e o País – devemos buscar que o equilíbrio fiscal se mantenha, que reformas estruturais se concretizem. Faremos isso sabedores de que esse contexto permitirá que o setor agropecuário acelere seu ritmo e puxe o desenvolvimento nacional.