Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Tecnologia no campo

Essencial para tornar a produção mais eficiente

Abril de 2017

ATÉ 2045, teremos utilizado toda a área economicamente viável para plantio no Planeta. De todos os alimentos produzidos no mundo, 30% são perdidos por falta de eficiência tanto de produção, quanto de transporte, logística e armazenamento.

Essas duas afirmações quanto ao agronegócio mundial apontam a urgente necessidade da utilização de tecnologias em toda a cadeia produtiva de alimentos para que haja uma melhora significativa em todo o processo.

Big data, internet das coisas e computação em nuvem já são conceitos muito conhecidos no mercado, especialmente no varejo e no setor de Saúde, que têm se beneficiado dos dados gerados e analisados em prol do desenvolvimento de novas ferramentas, produtos e serviços em seus mercados.

Esses conceitos, porém, já estão sendo empregados, também, no agronegócio, a partir do desenvolvimento de soluções que incluem máquinas conectadas à internet capazes de gerar informações relevantes para o processo produtivo.

No Brasil – um grande produtor de alimentos para o mundo –, empresas que têm em seu cerne a inovação tecnológica começam a capturar e avaliar os dados que poderão ser significativos nas tomadas de decisão do setor.

A Máquinas Agrícolas Jacto é um dos exemplos. Fabricante nacional de pulverizadores, colhedoras de café e adubadoras, conta com a linha de produtos Otmis, específica para agricultura de precisão.

São hardwares e softwares que melhoram a gestão do trabalho em campo, oferecendo ao produtor rural a possibilidade de diminuir o desperdício de insumos e combustíveis, além de melhorar a produtividade em uma mesma área fazendo o serviço em menor tempo.

Além disso, a Jacto tem um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, que trabalha para aperfeiçoar tecnologias do mercado, mas que também é pioneiro em muitas outras que passam a ser patenteadas. A empresa é parceira da Faculdade de Tecnologia (Fatec) “Shunji Nishimura”, que recentemente implantou o primeiro curso focado em big data no agronegócio da América Latina, voltado especialmente para atender essa grande demanda por eficiência operacional e de gestão.

No campo, tudo isso se reverte em maior rentabilidade, uma vez que os equipamentos recebem sensores que coletam dados que, associados às informações agronômicas, serão aplicados no desenvolvimento de novas máquinas ou em melhorias, especialmente na questão de manutenção preditiva, provavelmente um dos maiores benefícios para os agricultores, que, assim, não precisarão parar suas máquinas por mais tempo do que o necessário para consertos.

A falta de infraestrutura para gerar sinais de internet em grandes campos e a escassez de mão de obra qualificada são problemas que, aos poucos, começam a ser superados pelo agronegócio, justamente porque são muitos os interessados em atuar com mais eficiência, buscando soluções a partir de combinações de dados que poderão ajudar a entregar produtos com custo mais reduzido e/ou com melhor qualidade em um período cada vez menor.