Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Cana-de-açúcar

Cenário favorável para o arrendamento

Abril de 2017

NA EDIÇÃO anterior da Agroanalysis, apresentamos os resultados de uma análise que comparou o desempenho das atividades agropecuárias em 2016. O arrendamento de terra para cana-de-açúcar garantiu a segunda melhor rentabilidade, com 6,78%, ficando atrás apenas do conjunto formado por milho e soja, com 8,10%. Agora, vale a análise dos prós e contras dessa modalidade de exploração econômica da terra.

No arrendamento, o arrendatário (usina) é responsável por todos os processos realizados na terra do arrendante (proprietário fornecedor), desde o preparo do solo até a colheita e o transporte da produção da propriedade para a usina. Ou seja, o proprietário da terra não se preocupa com nenhum estágio da produção.

Os pagamentos, em sua grande maioria, são mensais, a partir do primeiro mês de arrendamento. Em menor escala, existem contratos com pagamentos semestrais ou anuais, mas, diante da grande crise econômica enfrentada pelo setor nos últimos anos, esta operação perdeu espaço. Os contratos são fechados para um período entre sete e dez anos, com possibilidade de renovação no último ano.

O grande risco do negócio está associado à inadimplência das usinas. A crise econômica recente do País, o excedente de produto, o subsídio à gasolina, entre outros fatores, provocaram uma séria crise no setor. Nesse cenário, usinas fecharam e outras tiveram dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.

RENTABILIDADE DA CANA

Para a análise do retorno do arrendamento para cana, foi considerada a realidade do proprietário de terra do estado de São Paulo. Este é o principal produtor nacional, com 57,7% do total colhido de cana-de-açúcar no País na safra 2016/17 – de 694,54 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Nas usinas paulistas, os contratos de arrendamento estabelecem como referência a quantidade média de 22,73 toneladas de cana-de-açúcar por hectare e por volta de 131,80 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada.

Cana-de-açúcar

Assim, a quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (131,80 quilos), multiplicada pelo valor médio do quilo de ATR (R$ 0,6343 por quilo), corresponde ao preço de R$ 83,60 por tonelada de cana-de-açúcar. Considerando a quantidade de 22,73 toneladas de cana por hectare, o valor médio pago pelo arrendamento é de R$ 1.900,23 por hectare.

Para 2017/18, estima-se um preço médio de R$ 0,68 por quilo de ATR em São Paulo. Se considerarmos o preço da terra e demais parâmetros estáveis (capital médio), o valor do arrendamento para cana-de-açúcar ficará em R$ 2.036,91 por hectare, com rentabilidade média de 9,2%.

PERSPECTIVAS

O cenário é favorável ao setor sucroalcooleiro. A expectativa para a safra 2017/18 é de preços firmes para o açúcar no mercado internacional, o que deverá dar sustentação aos negócios internos. A preocupação é o câmbio. As recentes quedas do dólar em relação ao real podem diminuir a competitividade brasileira e impactar de forma negativa os preços das quantidades embarcadas durante o ano.

Desde meados de 2014, com a seleção dos produtores e das usinas com melhor saúde financeira, o mercado da cadeia produtiva sucroalcooleira tem ganhado segurança. Essa conjuntura é boa para o arrendamento de terras à usina e, também, para quem produz e fornece. A confiança no setor aumentou.

Cana-de-açúcar

Desta forma, para quem fornece o risco associado ao negócio deverá ser menor, mas, ainda assim, existe. Se a usina for saudável financeiramente, o arrendamento de cana nas principais regiões produtoras de São Paulo é um bom e seguro negócio. O clima mais favorável na temporada deverá garantir bons rendimentos às lavouras de cana no País.