Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

Inovação para o agro 4.0

Abril de 2018

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal (PPS/SP) e ex-secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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A UTILIZAÇÃO pelos produtores rurais, em especial os pequenos e os médios, dos instrumentos do mundo digital é, sem dúvida, o caminho para todos que pensam em uma agricultura de alta rentabilidade e sustentável. A partir da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), atuamos para a criação do movimento AgriFutura. Em evento, em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (FUNDEPAG) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), realizado no Instituto Biológico (IB), em São Paulo, no mês de março, reunimos 2,5 mil pessoas – entre produtores rurais, pesquisadores, indústria, comércio, start-ups e vários outros segmentos – interessadas na tecnologia aplicada ao agronegócio.

Ousamos juntar interesses desses diversos elos da cadeia produtiva na busca de soluções inovadoras e tecnológicas. O agronegócio vem sendo o sustentáculo da positividade da economia nacional, e, para manter isso, é fundamental a combinação de tecnologias, que podem aumentar o rendimento das lavouras em até 67%. Um relatório da McKinsey aponta que o uso de big data na agricultura brasileira, por exemplo, pode gerar ganhos de até R$ 24 bilhões nos próximos anos.

Alguns desafios são permanentes nesse trabalho para popularizar o uso da tecnologia entre os produtores rurais e serão premissas para o movimento AgriFutura: informar os produtores; demonstrar que a tecnologia não é tão cara e complicada como se pensa; transmitir conhecimento; e incentivar o uso de tecnologia de forma a integrar e inserir esses produtores ao ecossistema do agro 4.0.

Por outro lado, deve-se fazer com que as start-ups e os profissionais se voltem para o imenso potencial do setor agro para o desenvolvimento de tecnologia – como ocorreu no Hackathon AgriFutura – e como negócio em si, o que poderia gerar sinergia para os dois segmentos. Evidência disso foi a área de Indústria e Serviços do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançar o projeto chamado Piloto BNDES IoT (internet das coisas), uma linha de crédito de recursos não reembolsáveis que deve financiar projetos-piloto de internet das coisas para atender, em especial, o setor agro e o ambiente rural.

Como fruto do AgriFutura 2018, start-ups já realizaram negócios com pequenos e médios agricultores que conheceram os seus produtos e serviços e já os contrataram. Mas, grandes produtores de outros estados, como Mato Grosso e Rio Grande do Sul, também puderam conhecer inovações. Um ambiente democrático e estimulador da inovação.

Os Institutos da SAA integrados ao AgriFutura estão conscientes que devem focar em pesquisas alinhadas à demanda da sociedade. A ação efetiva dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) possibilitará, por meio de parcerias com a iniciativa privada, soluções inovadoras para o agronegócio. Para São Paulo, a riqueza gerada nesse ambiente, certamente, trará mais investimentos e gerará mais emprego e renda.

Há uma nova fronteira agrícola a partir das novas tecnologias. O AgriFutura é, sem dúvida, um fórum imprescindível não só para discutir, mas também para apontar novos caminhos rumo à maior eficiência produtiva e à ampliação da competitividade do agronegócio brasileiro.