Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Mais mulheres no agro

Abril de 2018

O ANO anda sem surpresas no campo econômico: juros em queda, inflação comportada e dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,30.

Contudo, muita atenção deve ser dada aos juros da Selic baixos. Operações que antes eram consideradas boas ficaram ruins. Basta lembrar que várias empresas estão quitando antecipadamente operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) porque ficaram caras! Há grande movimento para reduzir os juros do Moderfrota. Várias cooperativas oferecem juros de 1% ao mês, antes razoáveis. Hoje, estes juros podem complicar o produtor, quando a inflação não passa de 3,5% ao ano.

Atenção deve ser dada, também, ao comportamento do dólar. Não há razão econômica objetiva para grandes mexidas, mas politicamente é muito provável que um candidato mais à esquerda (por exemplo, Ciro Gomes) passe para o segundo turno. Se isso ocorrer, o dólar vai subir, podendo chegar aos R$ 4,00; se o candidato vencer, a taxa permanecerá volátil. Mas, se um candidato mais ao centro vencer as eleições, o dólar voltará aos patamares de hoje. É importante tomar as decisões corretas de compra e venda de insumos e de produtos com esse quadro em mente.

No mês de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, diversos veículos trataram da participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Mas, como as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho das atividades do universo agro brasileiro? Uma pesquisa recente do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro) gerou números inéditos sobre esse tema. A participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio é menor do que na média da economia brasileira; no entanto, o diferencial de remuneração entre homens e mulheres é menor no agro. Além disso, a remuneração das mulheres no agro tem crescido em um ritmo mais intenso do que a dos homens desde 2012.

A produção de etanol de milho no Brasil já é uma realidade. Cerca de 85% a 90% do custo do etanol de milho são advindos do preço do grão. Assim, a questão da competitividade do etanol de milho, frente ao etanol de cana e à gasolina, depende do preço do milho. Um ponto muito positivo é a disponibilidade da matéria-prima no mercado, ou seja, o produtor de etanol de milho não precisa obrigatoriamente preocupar-se com a produção ou em criar uma rede de fornecedores em torno da usina. Além disso, no mercado futuro é possível travar o preço de compra do milho, reduzindo o risco da atividade.

Na soja, o clima adverso na safra 2017/18 no Brasil e na Argentina pressionou, nos últimos meses, as cotações da commodity no mercado internacional. As chuvas em meados de março na Argentina diminuíram, em parte, essa pressão sobre os preços, mas o total das perdas ainda não foi contabilizado. No Brasil, a colheita de soja avançou melhor em março, o que pode trazer um alívio às cotações no médio prazo. Avaliando o nível atual dos preços, para o produtor que ainda não travou os preços de venda, o momento é favorável para fechar negócio e garantir um bom retorno. Em Rondonópolis-MT, o lucro para a safra atual está estimado em R$ 525,23 por hectare.

Na entrevista do mês, tem-se João Carlos Marchesan, diretor da Marchesan Implementos e Máquinas Agrícolas TATU S. A. e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). Segundo Marchesan, desde 2013, quando o setor entrou em recessão, o faturamento somado das empresas caiu pela metade e o número de empregos diminuiu em um quarto. O agro contribuiu para aquecer a produção no setor de máquinas, mas, nos demais segmentos, a produção está estagnada, com utilização de 70% da capacidade instalada. A idade média das máquinas na indústria de transformação brasileira é de dezessete anos, enquanto, nos países desenvolvidos, é um terço disto.

No Especial, tem-se a evolução tecnológica da indústria de inoculantes. Há uma tendência mundial de maior uso de produtos biológicos na agricultura. As pesquisas apontam para grandes novidades no campo do consórcio de microrganismos. O agro brasileiro poderá beneficiar-se de produtos sustentáveis que aumentem o retorno da atividade.

Dentro de um ano, terá início a versão nacional da maior feira de alimentos do mundo, a ANUFOOD Brazil, que ocorrerá de 12 a 14 de março de 2019, no São Paulo Expo. Nos moldes da Anuga, realizada na Alemanha, o evento inédito será o único no País com total enfoque na expansão dos mercados nacional e internacional de produtores e fabricantes brasileiros de alimentos e bebidas. A FGV Projetos é parceira na organização.

Por fim, em abril, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) completa 45 anos. As inovações aplicadas à agricultura brasileira produzidas ao longo desses anos ajudaram a tornar o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos. A Embrapa continua comprometida com a inovação, especialmente com a oferta de alimentos saudáveis e a conservação da base de recursos naturais do Planeta. Ganham a população e o País, este tornando-se cada vez mais competitivo no mercado global.