Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Estratégia empresarial

A armazenagem de grãos em 2017

Abril de 2018

EM UM setor com margens de comercialização reduzidas, a utilização da armazenagem como forma de aumentar a receita obtida com a venda da produção tem sido cada vez mais recorrente. O Sistema de Informações de Armazenagem (SIARMA) objetiva disponibilizar informações de qualidade sobre a armazenagem no Brasil, facilitando o planejamento e a utilização inteligente da armazenagem. Isso auxilia a tomada de decisão de produtores e exportadores, com o aumento da competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Variáveis econômicas importantes, como o preço do produto no mercado internacional, a taxa de câmbio, os custos de transporte e os custos de armazenagem, dentre outras, influenciam no processo de tomada de decisão. Temos, ainda, a necessidade de capital de giro para pagamentos diversos e o financiamento do plantio da segunda safra entre as questões que afetam a decisão de armazenar.

Para os produtores e exportadores de soja brasileiros, 2017 foi marcado por preços baixos, que ficaram, na média, em torno de 12% abaixo dos observados em 2016. A maior diferença ocorreu no bimestre de maio e junho, com o preço do grão, respectivamente, 20% e 28% menor em 2017. Em 2016, o preço da soja esteve favorecido pela cotação da commodity na bolsa e pela desvalorização do real frente ao dólar. Isso possibilitou ganhos adicionais para os produtores e os exportadores que optaram por armazenar parte da produção colhida para escoá-la em períodos futuros.

Estratégia empresarial

Desde 2007, o SIARMA acompanha as diferentes estratégias de comercialização adotadas pelos produtores e pelos exportadores. O uso da armazenagem ajuda na decisão da comercialização, pois possibilita a obtenção de preços de venda maiores e o pagamento de custos logísticos inferiores. Quando se toma o período pós-2007, constata-se que o uso da armazenagem trouxe resultados econômicos (receita superior) aos produtores em oito dos onze anos analisados. Há, também, evidências de que a comercialização tardia por meio do uso da armazenagem é mais assertiva para as colheitas de soja realizadas em fevereiro e março.

Especificamente sobre 2016, as análises do SIARMA, ao considerarem o preço do produto no mercado internacional, a cotação do dólar, os custos de transporte, os custos de armazenagem e o custo de oportunidade, mostram que o mês de junho é período ideal para a comercialização da produção colhida em março. Apesar de arcar com custos maiores de armazenagem, os sojicultores tiveram incremento de receita estimado em R$ 16,90 por saca. Dada a dinâmica dos preços da soja no mercado internacional, a comercialização tardia da soja colhida em março trouxe ganhos econômicos aos produtores que venderam a produção em abril e setembro: os preços nos meses posteriores ao da colheita foram superiores aos custos associados ao armazenamento da produção.

Por outro lado, essa mesma análise, quando aplicada em 2017, mostra uma situação diferente. Com o mercado caracterizado por preços baixos ao longo do ano, o produtor que colheu parte da sua produção em março e optou por armazená-la teve prejuízo na venda entre maio e junho, de R$ 0,66 e R$ 2,00 por saca, respectivamente. Nesse ano, o preço do produto no mercado internacional não reagiu de forma a compensar os custos com o armazenamento da produção.

Para esse produtor, em 2017, julho foi o único período em que as estimativas mostraram possibilidade de obtenção de ganhos econômicos com a utilização da armazenagem. Mesmo que positivo, o ganho estimado foi baixo, de R$ 1,21 por saca. A utilização da armazenagem como estratégia de comercialização teve uma janela de venda estreita e retornos financeiros muito pequenos em 2017.