Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Mercado de trabalho

A inserção das mulheres no agronegócio

Abril de 2018

NO MÊS de março, devido especialmente à celebração do Dia Internacional da Mulher, houve diversos eventos e matérias na imprensa tratando da inserção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Nestas análises, dois fatos mereceram destaque: (i) a participação das mulheres na população ocupada é cada vez maior; e (ii) a remuneração média das mulheres ainda é menor do que a dos homens, embora esta diferença esteja diminuindo.

E no agronegócio? Como as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho das atividades associadas ao universo agro brasileiro? Uma pesquisa recente do GV Agro, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gerou números inéditos sobre esse tema.

A participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio é menor do que na média da economia brasileira. Todavia, o diferencial de remuneração entre homens e mulheres, na média, é menor no agronegócio do que na economia brasileira, com especial destaque para a pecuária, atividade na qual a remuneração das mulheres foi, na média, 99% daquela recebida pelos homens em 2017. Além disso, é importante destacar que as remunerações das mulheres têm crescido em um ritmo mais intenso do que as dos homens desde 2012, seja na economia brasileira, seja no agronegócio. Porém, no universo agro, esta expansão tem sido ainda mais forte.

A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES ENTRE A POPULAÇÃO OCUPADA

As mulheres respondem por pouco mais de um terço da população ocupada no agronegócio. No final de 2017, dos aproximadamente 18 milhões de pessoas ocupadas nas atividades associadas ao agronegócio, aproximadamente 11,9 milhões (65,8%) eram homens e aproximadamente 6,2 milhões (34,2%) eram mulheres. Estes números deixam claro que a participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio foi menor do que na média da economia brasileira (43,7%).

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No agronegócio, são bem semelhantes a distribuição de homens e a de mulheres entre as ocupações formais e informais. Em ambos os grupos, as ocupações formais respondem por aproximadamente 76% de todos os postos de trabalho gerados no setor, enquanto as ocupações informais respondem pelos aproximadamente 24% restantes.

Entre as ocupações formais, a inserção dos homens e a das mulheres seguem um padrão bem semelhante. Há diferenças mínimas entre a inserção dos homens e a das mulheres nas ocupações formais do agronegócio (ao menos nos números agregados). Em ambos os grupos, os empregados com carteira assinada respondem por 46,7% do total das ocupações formais, seguidos por trabalhadores por conta própria (aproximadamente 47,5%) e empregadores (aproximadamente 5,8%).

Porém, entre as ocupações informais, há uma diferença importante entre a inserção dos homens (mais concentrados em contratações sem carteira) e a das mulheres (mais concentradas em trabalhos familiares). Se, por um lado, a inserção dos homens e a das mulheres nas ocupações formais do agronegócio seguem um padrão bem semelhante, o mesmo não acontece nas ocupações informais. Enquanto, nas ocupações informais, os homens são majoritariamente (82%) empregados sem carteira, as mulheres (55%) são trabalhadoras familiares (é preciso ter cuidado para não confundir esta posição com a de trabalhadoras domésticas; são ocupações diferentes!).

A redução do número de postos de trabalho no agronegócio tem sido mais intensa entre as mulheres do que entre os homens. Desde 2012, o agronegócio tem gerado cada vez menos postos de trabalho; a população ocupada no setor tem encolhido, na média, 1,9% a.a. Todavia, esta contração tem sido mais intensa entre as mulheres (-2,3% a.a.) do que entre os homens (-1,7% a.a.). Entre as ocupações formais, a redução da população ocupada deu-se praticamente no mesmo ritmo (-1,5% a.a.) entre homens e mulheres. Porém, nas ocupações informais, a contração deu-se de forma muito mais intensa entre as mulheres (-5,1% a.a.) do que entre os homens (-2,2% a.a.).

A REMUNERAÇÃO DAS MULHERES NO AGRONEGÓCIO

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é ligeiramente menor no agro do que no restante da economia brasileira. Enquanto, na economia brasileira, ao longo de 2017, na média, a remuneração das mulheres foi 76,2% da remuneração dos homens; no agro, elas receberam 78,3%. Em outras palavras, enquanto, na média de 2017, as mulheres recebiam 21,7% a menos do que os homens; na economia brasileira, elas recebiam 23,8% a menos.

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Dentre os segmentos do agronegócio, é justamente na pecuária que esse diferencial de remuneração é menor. Ao longo de 2017, na média, na pecuária, a remuneração das mulheres foi 99% da remuneração dos homens. Na indústria de insumos, esta diferença foi de 83,3%. Ou seja, nesses dois elos, a distância entre as remunerações médias de homens e mulheres é menor do que no restante da economia brasileira. Em outras palavras, ao longo de 2017, na média, as mulheres receberam 1% a menos do que os homens na pecuária e 16,7% a menos nas ocupações associadas às indústrias de insumos.

Na agroindústria, no setor de serviços e nas atividades agrícolas, o diferencial de remuneração entre homens e mulheres é maior do que a média da economia brasileira. O diferencial de remuneração entre homens e mulheres no agronegócio brasileiro só não é menor devido às diferenças observadas entre os gêneros na agroindústria (mulheres recebem 63,0% da remuneração média dos homens), nos serviços (70,2%) e nas atividades agrícolas (71,6%).

Entre 2012 e 2017, a remuneração das mulheres cresceu, na média, em um ritmo mais forte do que a dos homens, tanto na economia brasileira, quanto no agronegócio, porém de forma ainda mais intensa no universo agro. No acumulado entre 2012 e 2017, tanto na economia brasileira, quanto no agronegócio, a remuneração das mulheres cresceu em um ritmo mais forte do que a dos homens. Porém, nas atividades do universo agro, esta expansão deu-se de forma mais intensa, para ambos os gêneros. Enquanto, entre os homens ocupados nas atividades do agronegócio, as remunerações cresceram 6,1%; acumulada no período, entre as mulheres, esta expansão foi de 10,6%. Na economia brasileira, a expansão foi de 6,6% para as mulheres e 3,6% para os homens.

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