Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Soja

Clima falando mais alto em 2017/18

Abril de 2018

OS PROBLEMAS causados pelo clima adverso na temporada 2017/18 no Brasil e na Argentina pressionaram, nos últimos meses, as cotações da soja no mercado internacional. As chuvas em meados de março na Argentina diminuíram, em parte, essa pressão sobre os preços, mas as perdas ainda não foram plenamente contabilizadas, e não estão descartadas mais revisões para baixo na produção na Argentina, o que mantém o mercado em alerta.

No Brasil, a colheita de soja avançou melhor em março. Ou seja, podemos ter um alívio nas cotações em médio prazo com a maior oferta interna, mas vai depender da situação na Argentina e do mercado internacional.

Soja

É importante destacar que a menor produção na Argentina deverá abrir espaço para as exportações brasileiras aumentarem nesta temporada, principalmente a de farelo. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) estima crescimento de 0,3% nos embarques de grão e de 13,3% nos de farelo de soja em 2018, em relação a 2017.

Outro ponto que merece atenção é a sinalização da China com relação a uma possível retaliação sobre as importações de soja dos Estados Unidos após as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o aço e o alumínio importados pelos Estados Unidos.

Para o produtor que ainda não negociou ou travou os preços de venda, o momento é favorável. A decisão deve ser a de fechar negócio, garantindo um bom resultado.

QUAL É A PERSPECTIVA DE RESULTADO?

As especulações sobre o resultado da safra brasileira iniciaram-se na semeadura, em setembro/outubro de 2017, quando os atrasos nas chuvas, especialmente no Centro-Oeste, prejudicaram o andamento dos trabalhos no campo. Mais recentemente, foi o excesso de chuvas que atrapalhou a colheita no Brasil Central e, também, no Paraná.

Em um cenário diferente, as chuvas ficaram abaixo da média histórica no Rio Grande do Sul e na Argentina. No relatório divulgado em março, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estimou a produção argentina de soja em 42,0 milhões de toneladas na safra 2017/18. Em relação às estimativas iniciais, são 12,0 milhões de toneladas a menos. Já em relação à safra passada (2016/17), a diferença é de 15,5 milhões de toneladas a menos neste ciclo. O país vizinho é o terceiro maior produtor e exportador de soja em grão do mundo e o principal exportador de farelo. Desta forma, os preços destas commodities subiram no mercado internacional e aqui no Brasil, em plena colheita da safra 2017/18.

Segundo um levantamento da Scot Consultoria, em Paranaguá-PR a saca de 60 quilos do grão, que era comercializada por volta de R$ 70,00 no início do ano, atingiu R$ 80,00 em março. No caso do farelo de soja, o patamar de preço médio no mercado interno passou de R$ 1.000 por tonelada, em janeiro último, para R$ 1.300 por tonelada, em março.

Soja

A comercialização, que vinha em um ritmo mais lento nesta temporada, avançou nos últimos meses com as altas de preços. Em Mato Grosso, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), até janeiro 42,4% da produção de 2017/18 haviam sido negociados para entrega futura. Em fevereiro, este número avançou para 48,4% e, em março, até a primeira quinzena, atingiu 61,6% da produção do estado comercializada.

Para o agricultor que deixou para vender a safra agora, os resultados econômicos melhoraram em relação às estimativas do final do ano passado. Considerando a região de Rondonópolis-MT, o lucro por hectare aumentou seis vezes, levando em conta o preço de venda de março deste ano em relação às cotações vigentes em dezembro de 2017.

Além da alta de preço, houve aumento das expectativas com relação à produtividade média das lavouras, na comparação às estimativas anteriores, o que ajudou a incrementar a receita por área.

Atualmente, o lucro para a safra atual em Rondonópolis está estimado em R$ 525,23 por hectare.