Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

Cana: açúcar, etanol, energia e renda

Maio de 2017

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal (PPS/SP) e ex-secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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OS DADOS finais da safra 2016/17 para a região Centro-Sul do Brasil mostram que a quantidade de cana-de-açúcar processada na região somou 607,14 milhões de toneladas, 1,71% inferior à registrada na safra 2015/16. Com as condições climáticas um pouco mais favoráveis à maturação, a quantidade total de produto disponível atingiu 80,77 milhões de toneladas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na safra 2016/17, com aumento de 0,19% ante aos 80,61 milhões de toneladas verificados na safra anterior.

Esses números, divulgados recentemente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), traduzem uma estabilização das áreas cultivadas com a cultura na região. A produção acumulada de açúcar entre 1º de abril de 2016 e 16 de março de 2017 atingiu 35,36 milhões de toneladas, enquanto o etanol teve volume fabricado até 16 de março de 25,32 bilhões de litros, com 10,57 bilhões de litros de anidro e 14,74 bilhões de hidratado.

As previsões para a safra 2017/18 indicam aumento do volume colhido (menos de 1% em relação ao do ano anterior). No entanto, há expectativa em relação à distribuição de chuvas de abril a julho, determinantes para confirmar as previsões. A ausência completa de precipitações neste período comprometeria o ganho de biomassa dos canaviais de primeiro ciclo – já prejudicados por veranicos ocorridos em março no estado – e, principalmente, dos canaviais colhidos no fim da safra de 2016, após setembro.

A safra começa com vigor. As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul alcançaram 1 bilhão de litros na primeira quinzena de março, sendo 47,89 milhões de litros destinados à exportação e 954,49 milhões de litros ao mercado interno.

Quais são, então, os desafios atuais? Primeiro, aumentar a produtividade agrícola. Precisamos, urgentemente, atingir os canaviais de três dígitos, na média dos cinco primeiros cortes (TCH5), superiores a 100 toneladas por hectare. A maioria das novas cultivares traz esse conceito de maior população, atingindo com facilidade a quantidade de 80 a 110 mil colmos por hectare.

A pesquisa do Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC) está atenta a esses conceitos e é a grande responsável por essa mudança de paradigma. Este trabalho iniciou-se a partir da década de 90 do século passado, com a desconstrução de conceitos antigos.

É fundamental, também, que as novas fitotecnologias acompanhem uma ação mais dinâmica do setor de equipamentos agrícolas, no desenvolvimento de implementos mais adequados aos novos modelos de produção. Outro aspecto relevante está relacionado ao aumento da eficácia industrial e à ampliação do uso da vinhaça e da oportunidade do biogás.

No governo do estado de São Paulo, temos orgulho dos indicadores do nosso Centro de Cana e vamos fortalecê-lo. Vamos implantar a resolução “Recomendações de Práticas Conservacionistas para a Cultura da Cana-de-Açúcar”, reforçar a parceria com a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) e associações de fornecedores e aperfeiçoar o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista com a UNICA e várias outras entidades, para vencermos mais esse desafio.

Enfim, teremos uma boa safra. Será a oportunidade de demonstrar, mais uma vez, a vitalidade e a complexidade desta virtuosa cadeia produtiva, a de cana-de-açúcar!