Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

COOXUPÉ

Sustentabilidade e qualidade do café

Junho de 2017

EVENTO REALIZADO NO DIA 25 DE ABRIL, EM SÃO PAULO, RECEBEU ESPECIALISTAS PARA FALAR SOBRE TEMAS ATUAIS DA CAFEICULTURA BRASILEIRA

A COOPERATIVA Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), em parceria com a BASF, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e o Sistema Ocesp (Fescoop/Ocesp/Sescoop), reuniu, no dia 25 de abril, no auditório da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), em São Paulo, especialistas para apresentar a realidade da produção cafeeira no País, a sustentabilidade colocada em prática e a qualidade do café brasileiro.

Participaram convidados de entidades ligadas à cadeia produtiva de café, jornalistas estrangeiros – que estiveram no País exclusivamente para conhecerem a produção brasileira de café – e a imprensa nacional. A conferência, denominada “Café Brasileiro: Sustentabilidade e Qualidade”, também homenageou a Cooxupé pelos seus sessenta anos de atividade voltados ao café e pelos 85 anos de cooperativismo regional.

A conferência teve início com a palestra do presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, que ressaltou o protagonismo do Brasil no agronegócio mundial. Ele afirmou que esta liderança brasileira no agronegócio também traz responsabilidades e que o setor tem se destacado. “Quando se fala em segurança alimentar, energia renovável, os olhos voltam-se para o Brasil”, disse. “O agronegócio vem carregando o País. Todos os setores sofreram muito, e o agribusiness vem carregando o andor com brilhantismo”. Atualmente, o agronegócio nacional é responsável por 35% dos empregos no País e por 45,9% das exportações, somando US$ 85 bilhões em 2016. O presidente da ABAG falou, também, sobre todo o processo histórico do café e a sua importância para o desenvolvimento do País e, principalmente, dos estados produtores.

Edivaldo Del Grande, presidente da Ocesp, começou a sua apresentação apontando que o Brasil tem uma das maiores e mais completas leis ambientais do Planeta e que o café é referência no assunto. Entre várias cadeias produtivas, os conceitos das certificações estão mais distribuídos no setor cafeeiro. Além dos aspectos econômicos do café para o Brasil, Del Grande falou sobre o papel social do café: a maioria dos produtores pertence à agricultura familiar e está organizada em associações e cooperativas. “O café garante vida digna a milhares de famílias que permanecem no campo. Não há dúvida de que o cooperativismo é o melhor caminho para o desenvolvimento sustentável. No Brasil, a evolução e a revolução da cafeicultura têm como protagonista o cooperativismo, que dá ao produtor acesso a tecnologia, conhecimento e informações e o ajuda a ser inserido no mercado mundial, independentemente do seu tamanho”, explicou o presidente. Ele falou, ainda, sobre a importante representação que tem no setor a Cooxupé, que forma o maior grupo produtor de café do mundo.

A Cooperativa, por meio do presidente Carlos Paulino e do vice-presidente Carlos Augusto Rodrigues de Melo, recebeu uma placa em homenagem aos sessenta anos, entregue pela Ocesp, representada por seu presidente, Edivaldo Del Grande.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, também participou, destacando o papel do cooperativismo e da Cooxupé, na defesa de como o café é estratégico para o País. O evento contou, ainda, com a apresentação do filme “Filhos do Café”, produzido pela Cooperativa com o objetivo de mostrar a origem do café brasileiro – na produção familiar – e como ganhou o mundo.

Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, falou sobre a atribuição, a ocupação e o uso das terras no Brasil. Ele esclareceu que o País protege 30,2% do seu território. Em uma comparação com países de grande território (como Austrália e Estados Unidos), o País é o que mais protege no mundo. “Mesmo assim, é um país frequentemente criticado”, afirma. “Nós preservamos áreas de grande potencial econômico, diferentemente de outros países”, completa. Miranda utilizou, ainda, o estado de Minas Gerais para exemplificar que 33% das propriedades do estado têm áreas preservadas, ou seja, 18% de todo território. “Nenhum país dedica tanta área a proteção ambiental como o Brasil”, afirma.

Agricultura de baixo carbono foi o assunto abordado pelo diretor executivo do Instituto Arapyaú, Marcelo Furtado. Ele ressaltou a importância de todo o ciclo completo da agricultura ser de baixo carbono e apontou um novo paradigma para a agricultura visar: a captura de carbono por meio do manejo de solo e da produção agrícola. “O Brasil será cobrado por ter a agricultura mais sustentável do mundo. Para isso, precisaremos fazer ainda mais, porque podemos fazer mais. Há espaço para melhoramento e desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias. Para isso, é necessário que haja uma ruptura para uma visão de futuro de um país de economia de baixo carbono. Precisamos mudar políticas públicas, políticas de financiamento e a relação com o consumidor”, explicou.

Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para a América Latina, falou sobre a metodologia AgBalance, apresentando os resultados que apontam que a cadeia produtiva de café da Cooxupé é sustentável. “Foi um grande investimento. É claro que a sustentabilidade é uma jornada, que precisa ser compartilhada”, disse. A ferramenta trabalha com 69 indicadores analisados para chegar aos três pilares: social, econômico e ambiental. Entre os destaques, está o processo logístico aprimorado com o Complexo Japy, até se chegar ao café no Porto de Santos (no estado de São Paulo). As melhorias realizadas pela Cooperativa em sua indústria apresentaram uma economia de energia equivalente ao consumo de 34.500 domicílios. Sobre a emissão de CO2, a redução foi equivalente a 4 mil caminhões indo e voltando de Guaxupé-MG até Santos-SP.

A Conferência foi finalizada com a apresentação do tema “Responsabilidade Social Cooperativista”, ministrado pelo presidente da Cooxupé, Carlos Paulino. Entre os pontos destacados, estava o papel social da cooperativa e, também, o compliance, programa de integridade que faz parte da realidade corporativa da Cooxupé. “É papel do cooperativismo a busca da transformação social para a sociedade”, disse. Essa realidade da cooperativa é fundamentada, principalmente, em princípios de integridade, transparência e ética nas suas relações com os cooperados e com o mercado. “As propriedades fiscalizadas pelo Governo e que estão fora das normas são punidas pela Cooperativa. A Cooxupé também trabalha para levar aos produtores essas informações”, explica. Entre os exemplos citados pelo presidente, estava a Cartilha sobre Trabalho Infantil, desenvolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), distribuída aos cooperados. Ele enfatizou, também, aspectos corporativos, como a capacitação de colaboradores e o intenso investimento no capital humano, além de ações sociais envolvendo a comunidade.

A produtividade foi outro ponto destacado. “Temos técnicos fornecendo assistência direta aos produtores, o que influencia na melhoria da produtividade”, declarou o presidente da Cooperativa. De acordo com ele, o papel da assistência técnica é fundamental para isso, e, quando a informação chega ao produtor, a mudança ocorre e este tem mais condições de produzir mais e melhor, de maneira sustentável. “A Cooxupé é o resultado de muitas ações sustentáveis sob os pilares econômico, social e ambiental. A união de todos gera benefícios e serviços em prol dos cooperados e de toda a sociedade”, finalizou Paulino.

JORNALISTAS INTERNACIONAIS CONHECEM DE PERTO A CAFEICULTURA BRASILEIRA

Depois de participarem do evento em São Paulo, nos dias 26 e 27 de abril, jornalistas dos Estados Unidos, da Alemanha, da França, da Itália e do Reino Unido estiveram em Guaxupé-MG para conhecer de perto as instalações da Cooxupé e como a cafeicultura acontece na área de atuação da cooperativa. O grupo conversou com a Diretoria e conheceu os processos de classificação do café no Laboratório de Controle de Qualidade. Na sequência, visitou as instalações do Laboratório de Análise de Folha e de Solo e o Complexo Industrial Japy, empreendimento que inovou a logística da entrega de café por meio da granelização. O roteiro incluiu, ainda, visitas a propriedades cafeeiras de cooperados, situadas em cidades vizinhas de Guaxupé.

Para o vice-presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, receber esses jornalistas foi uma ótima oportunidade de apresentar para o mundo a realidade da produção de café. “Sentimos que eles ficaram surpresos com o que viram e, certamente, cumprimos com o nosso objetivo de mostrar para esses profissionais de comunicação o quanto a cadeia produtiva de café brasileira é de qualidade e sustentável, o que torna o nosso produto competitivo frente às exigências globais”, explica.