Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Inovação no agro eleva patamares de produtividade

Setor continua guiando positivamente o país

Junho de 2017

NO INÍCIO da segunda quinzena de maio, o Brasil teve uma das melhores notícias dos últimos dois anos, frente a tudo o que tem acontecido na nossa economia: estima-se que o País sairá da recessão em 2017 e terá crescimento de 0,5% e inflação abaixo de 4,0%, de acordo com o índice antecipado do Banco Central. Apesar da profunda crise política, que traz um alto grau de incerteza a estas projeções, é possível afirmar que o setor do agronegócio será o salvador da pátria, mais uma vez, por representar metade da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

Em escala mundial, a produção ainda precisa crescer para dar conta da demanda. Esse mercado em expansão é uma oportunidade de bons negócios, mas é, principalmente, um grande desafio – produzir mais sem destruir o Planeta no caminho, trazendo mais inovação e sustentabilidade para o segmento.

A sustentabilidade deve ser vista, portanto, em três dimensões: social, ambiental e econômica. Tanto quanto a necessidade por alimentos, nas últimas décadas, observou-se um aumento significativo das pressões sociais em prol de causas ambientais em praticamente todo o mundo.

Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), será necessário alimentar mais de 9 bilhões de pessoas até o meio deste século. Para evitar uma crise alimentar em escala mundial, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), é necessário aumentar a produção em 70%. Nesse cenário, a inovação, em conjunto com práticas sustentáveis no campo, não será apenas lucrativa, mas necessária para a prosperidade da humanidade.

A tecnologia empregada nos defensivos agrícolas ajudou a aumentar a produção agrícola brasileira nas últimas décadas, mas a inovação é, por definição, dinâmica e, portanto, precisa incessantemente de pesquisas. As novas tecnologias que estão no papel agora farão com que o Brasil aumente ainda mais a produtividade agrícola nos próximos anos.

INOVAR É PRECISO

No Brasil, no entanto, a inclinação à inovação ainda é tímida. Uma parcela relevante da nossa competitividade internacional é fundamentada em uma produção que faz uso de recursos naturais.

Sobre os investimentos públicos, 0,61% do PIB brasileiro é destinado ao desenvolvimento de tecnologia, número um pouco abaixo do 0,69% investido, em média, pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Pela iniciativa privada, a diferença entre o Brasil e outros países é ainda maior: apenas 0,55% do PIB é aplicado em pesquisa e desenvolvimento. A Coreia do Sul, por exemplo, investe 2,68%.

Apesar de “inovação” ser a palavra-chave do novo milênio, temos carência na produção tecnológica. É preciso compreender que ampliar a capacidade competitiva do País via investimento em inovação acarretará vantagens sociais e ambientais.