Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Cenário totalmente incerto no curto prazo

Junho de 2017

NO MOMENTO de fechamento desta edição, o Brasil assiste perplexo ao resultado da delação dos donos da JBS. A delação saiu muito barata, até o momento, para os irmãos Batista, considerando o que fizeram. A situação deles ainda deve mudar. A podridão dos políticos brasileiros é ainda maior do que se pensava. Mesmo passando por muita turbulência de curto prazo, ao final o Brasil sairá mais forte e limpo.

As incertezas são muitas: o presidente Temer resistirá? Se não, quem assumirá a presidência? As eleições diretas serão antecipadas? Ninguém sabe! A Agroanalysis acredita que, se o presidente Temer não resistir, haverá eleição indireta, com assunção de um nome que consiga levar o País até as eleições de 2018. Nesse caso, a equipe econômica será mantida e continuará a turbulência de curto prazo (os mercados dão algum sinal de redução de volatilidade), mas as reformas necessárias serão aprovadas, com algum atraso.

A articulação do governo Temer apresentou-se muito produtiva no campo legislativo, aprovando temas sensíveis e essenciais à economia nacional nos últimos meses. A pauta de reformas para 2017 também se mostrava fundamental para a modernização da nossa economia e da sustentabilidade das contas públicas. Nesse contexto, tanto a reforma trabalhista quanto a previdenciária são fundamentais.

Para os produtores rurais, o sofrimento será menor. A safra é excelente, e a maioria dos preços garante algum lucro. O dólar fica um pouco mais alto, mas abaixo de R$ 3,40. Com certeza, os juros da safra não serão subsidiados para a maioria dos produtores. Os rumos da economia brasileira serão ditados fundamentalmente pelos desdobramentos políticos em Brasília.

Nesta edição da Agroanalysis, apresentamos uma seção chamada “Oportunidades", que aparecerá sempre que houver conteúdo pertinente. O primeiro artigo analisa a cultura de noz-macadâmia. Sua produção exige um investimento inicial alto, o que representa uma importante barreira à entrada neste mercado, com retorno entre o nono e o décimo primeiro ano. No entanto, a taxa de retorno é muito elevada, com estimativa de lucro de R$ 35.000 por hectare/ano, considerando as condições atuais do mercado.

Na cana-de-açúcar, a área cultivada mostra estagnação desde 2013, sendo fundamental buscar a recuperação dos índices de renovação dos canaviais. Para manter a oferta de matéria-prima, é preciso que haja ganhos efetivos de produtividade ou expansão da área. Muitas unidades estão em recuperação judicial, com alto endividamento e problemas para acesso ao crédito. Se os efeitos dos investimentos ou dos desinvestimentos são lentos, a recuperação, então, é mais lenta ainda.

Em 2010, entidades vinculadas à atividade agropecuária conseguiram liminares para o não recolhimento dos 2,3%, do empregador rural pessoa física, para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL). Agora, a decisão a favor da cobrança do FUNRURAL significará a redução do lucro dos empreendimentos agropecuários ao produzir um passivo referente aos recolhimentos não realizados desde 2011. Ainda, a estimativa é de que o valor do FUNRURAL, que passará a ser de 1,5% da receita bruta a partir de 2018, represente entre 7,5% e 15,0% do lucro da pecuária.

O comércio exterior do agro brasileiro tem papel importante na economia. O País mostra, cada vez mais, uma capacidade de aumentar a competitividade da produção agropecuária em relação aos demais mercados. Para contribuir com as análises e os estudos sobre o comércio exterior do agronegócio brasileiro, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio do Agropensa (Sistema de Inteligência Estratégica), disponibilizou um sistema de painel interativo com dados estatísticos das exportações e das importações brasileiras.

Neste mês, em que a Organização das Nações Unidas comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, o destaque fica com a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que, em 2015, ocupou uma área de 11,5 milhões de hectares, contra 1,8 milhão em 2005. Essa é a terceira revolução tecnológica da zona tropical. Na década de 1970, tivemos a introdução do sistema de plantio direto na palha. Passamos para os anos 90 com a realização de duas safras durante o ano: uma tradicional de verão e outra de inverno. Hoje, a produção de milho 2ª safra (inverno) é bem superior à de milho 1ª safra (verão).

Na seção Abre Aspas, a entrevista com Fabio Scarano, diretor executivo da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), trata da implantação do novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012). Incentivada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a motivação da FBDS era de gerar e analisar dados para estimular os proprietários rurais a fazerem o Cadastro Ambiental Rural (CAR), como manda o Código. Entretanto, a realização do CAR foi muito veloz, tendo alcançado mais de 95% da área produtiva no País. O próximo desafio é o Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Para terminar, a conferência “Café Brasileiro: Sustentabilidade e Qualidade" homenageou a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) pelos seus sessenta anos de atividade voltados ao café e pelos 85 anos de cooperativismo regional. O evento foi feito em parceria com a BASF, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e o Sistema Ocesp (Fescoop/Ocesp/Sescoop), no auditório da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp). Participaram convidados de entidades ligadas à cadeia produtiva de café, jornalistas estrangeiros – que estiveram no País exclusivamente para conhecerem a produção brasileira de café – e a imprensa nacional.