Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Comércio exterior

Bases de dados e acesso ao agro

Junho de 2017

O BRASIL entrou no século XXI como um dos maiores players mundiais na produção e na exportação de produtos de origens vegetal e animal. Este resultado decorre das condições de solo e clima, das tecnologias, das políticas públicas, do empreendedorismo empresarial e da competência dos agricultores. Nos últimos quarenta anos, a agricultura brasileira teve crescimento médio de 4,8% ao ano.

Em nível mundial, assistimos a uma maior demanda de alimentos, fibras e energia, em função das transformações no padrão de consumo global e do aumento da população e da expectativa de vida. O estabelecimento de uma agricultura baseada em ciência e tecnologia com alta diversidade explica a razão e o segredo desse sucesso.

Só nas duas últimas décadas, a produção de grãos aumentou em 230%, com apenas 50% na expansão da área plantada. Produzimos mais alimentos, fibras e bioenergia com menos recursos naturais. O Brasil tornou-se, também, uma potência ambiental: da sua área, 60% ainda estão preservados, e o setor agropecuário ocupa menos de 30%. Nesse mesmo período, houve uma queda dos preços da cesta básica brasileira na média de 1,7% ao ano.

O comércio exterior do agro brasileiro impulsiona esses números favoráveis. A competição por mercados internacionais desafia as organizações de pesquisa, ensino e extensão rural, bem como empresários e agricultores. O Brasil mostra, cada vez mais, a capacidade de se tornar mais competitivo na produção agropecuária. A manutenção de um perfil de produtor sustentável – ambiental, social e economicamente – tem acarretado reconhecimento internacional.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) indicam o excelente desempenho das exportações do agronegócio brasileiro, com enorme saldo comercial externo. Em 2016, a balança comercial fechou com superávit de US$ 48 bilhões, o melhor resultado desde 1980, início da série histórica. O agro representou 45,9% das exportações: de cada US$ 2 entrantes no País, praticamente R$ 1 teve origem rural.

Deve-se destacar o papel da exportação de soja (grão, farelo e óleo), carnes (de frango, bovina e suína), cafés (em grãos e solúvel), produtos florestais (celulose, papel e madeira), milho, açúcar, algodão, suco de laranja, cacau, couro e lácteos. A diversidade da pauta das exportações brasileiras inclui flores, frutas, fibras, bebidas e óleos vegetais.

A lista com mais de 400 produtos e derivados vegetais e animais tem como destino mercados consumidores de mais de 150 países de todos os continentes. A Ásia, com US$ 37,4 bilhões, permanece na liderança, puxada pela China, e é seguida pela União Europeia, com seus 28 países; depois, vêm Estados Unidos, Japão, Irã, Arábia Saudita, Rússia, Hong Kong, Coreia do Sul e Indonésia.

SISTEMA DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA

Para contribuir com as análises e os estudos sobre o comércio exterior do agronegócio brasileiro entre 1997 e 2016, a Embrapa, por meio do Agropensa (Sistema de Inteligência Estratégica), organizou e disponibilizou bases públicas de informações em um sistema de painel interativo.

Tal painel utiliza ferramentas de business intelligence (BI) e é construído a partir das estatísticas brasileiras de exportações e importações advindas do Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior (Alice Web) do MDIC.

Para efeito de classificação dos produtos nas categorias elencadas, foi utilizado como fonte o sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (AGROSTAT), do MAPA.

As pessoas interessadas poderão acessar e fazer consultas customizadas de forma rápida e obter os resultados em formato de gráficos, tabelas e relatórios de diversas variáveis: país de destino; ranking dos principais compradores por produto; valor e volume exportado; e análises comparativas. Os dados serão atualizados a cada ano, com a base de dados apresentando relatórios da evolução mensal de exportação e importação do agro brasileiro.

Comércio exterior

Com o painel interativo do comércio exterior, abre-se, também, oportunidade para uma melhor visualização de dados (data visualization). Este conceito segue em linha com as organizações interessadas em fornecerem apresentações visuais com informações que permitam a rápida percepção de fenômenos.

A ferramenta é uma valiosa fonte de informação para agricultores, empresários, pesquisadores, gestores públicos e privados, jornalistas, estudantes, profissionais da área e analistas financeiros. Além de contribuírem para o entendimento da evolução da agricultura brasileira, os dados e as informações podem ser aplicados na tomada de decisão e no planejamento estratégico rural, de modo a fortalecer a competitividade do agro brasileiro.